18 de maio de 2021

Confiança do comércio de Manaus avança na virada

A confiança dos lojistas de Manaus avançou pela terceira vez seguida, na virada de dezembro para janeiro, atingindo o melhor nível desde o começo da pandemia. A alta reforçada da capital seguiu trajetória inversa à da média nacional, com o otimismo sendo embalados por uma melhor percepção da economia atual e estoques e maior intenção de investir. Os índices mais elevados, contudo, seguem nas expectativas. Os dados são do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), medido pela CNC.

O indicador da CNC subiu 4% e registrou 127,7 pontos em Manaus, ficando 0,6% acima da marca de dezembro (122,8 pontos), superando o nível do começo da crise da covid-19 e refletido tardiamente em abril (126,2 pontos). O número, no entanto, segue 9,2% abaixo do patamar pré-pandemia de 12 meses antes (140,6 pontos). Em todo o Brasil, o índice recuou 2,2% e foi a 105,8 pontos, além de sofrer um tombo de 16,4% na variação anual.

Apurado entre os tomadores de decisão das empresas, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento. Pontuações abaixo de 100 representam insatisfação, enquanto marcações de 100 até 200 são consideradas de satisfação. A CNC sondou 6.000 empresas de todas as capitais do país – 164 delas, em Manaus. Vale notar que a sondagem foi realizada nos dez dias finais de dezembro, englobando também a flexibilização que se segui à publicação do Decreto nº 43.269. 

Apenas um dos nove subíndices do Icec sofreu retração mensal – contratação de funcionários/IC (-0,3% e 133,7 pontos) – e só dois ficaram abaixo do nível de satisfação – nível de investimento das empresas/NIE (+8,6% e 98,9 pontos) e situação atual dos estoques/SAE (+8,1% e 92,2). Em termos de pontuação, os melhores resultados estão nas expectativas para as empresas comerciais/EEC (+1,3% e 164,7), o comércio/EC (+2,2% e 162,5) e a economia brasileira/EEB (+3,5% e 156,6). Foram seguidos pelas condições atuais das empresas comerciais/CAEC (+5,4% e 120,7), do comércio/CAC (+3,7% e 115,4) e a economia brasileira/CAE (+9,1% e 104,6).

Contratações e investimentos

Em torno de 46,7% de Manaus considera que a situação atual da economia brasileira “melhorou um pouco”. Em seguida estão os que dizem que “piorou um pouco” (39,2%), que “melhorou muito” (7,5%) e que “piorou muito” (6,7%). Sobre as condições atuais do setor e da empresa, a maioria acha que “melhorou um pouco” (51,8% e 54,5%, na ordem). A percepção é mais positiva nas empresas com menos de 50 empregados, no primeiro caso, e nas companhias de maior parte, no segundo e terceiro. Mas, o otimismo é majoritário entre os semiduráveis, em todas as situações.

A opinião majoritária em relação às expectativas para a economia ainda é que vai “melhorar um pouco” (44,5%), seguida pelos que acreditam que vai “melhorar muito” (42,5%). O otimismo é mais relativo para o setor (44,7% e 46,4%, respectivamente) e para a empresa (44,9% e 48,1%). Em todos os casos, a satisfação é maior entre as companhias com menos de 50 trabalhadores e atuantes no segmento de semiduráveis.

A despeito da queda no indicador, a maioria absoluta (67,9%) diz que o contingente de trabalhadores deve “aumentar pouco”, seguida de longe pelos que avaliam que pode “reduzir pouco” (19,3%). Em contraste, a expectativa de investimentos da empresa ainda é “um pouco menor” (41,4%) ou “um pouco maior” (29,6%). As projeções de contratações são melhores nas empresas menores e as de aportes de capital predominam nas maiores.

Endividamento e cautela

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, assinala que os componentes do indicador ainda seguem em decréscimo em relação a janeiro de 2020 e já devem sofrer queda na próxima sondagem. Contribuiriam para isso o encarecimento do dólar, o maior endividamento das empresas e a retração do consumidor, em meio à escalada da pandemia e um novo fechamento do comércio. “Ainda existe uma sombra de otimismo em relação à economia brasileira, mas há piora na expectativa de contratações, apontando para maior desemprego”, resumiu. 

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, o economista responsável pela pesquisa do Icec, Antonio Everton, aponta que o recuo em âmbito nacional também teria sido impactado também pelo reajuste de aluguéis e outros fatores, embora as intenções de investir e contratar sigam em alta. “Também pode ter relação com a necessidade de se investir em tecnologia e logística para avançar no e-commerce. (…) O planejamento dos empresários pode incluir aumento do pessoal para os próximos meses, se a recuperação do emprego, consumo e geração de renda permanecer em ritmo satisfatório”, avaliou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, lembra que janeiro é, tradicionalmente, um mês mais modesto para o consumo. “Passado o período natalino e diminuído o efeito do aumento da renda com o 13º salário, as famílias estão mais dispostas a realizar gastos nos serviços de lazer, por força das férias escolares”, encerrou, ressaltando que os efeitos da pandemia também seguem afetando a confiança dos comerciantes.

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