São muito preocupantes as informações da OIT (Organização Internacional do Trabalho) de que o desemprego planetário mantém-se elevadíssimo (6,3%), apesar do expressivo crescimento da economia mundial em 2006 e nos últimos cinco anos. O documento “Tendências Mundiais do Emprego 2007” explica que, em volumes nominais, nunca houve tantas pessoas trabalhando, mas o total de desempregados jamais foi tão elevado, chegando ao número, sem precedentes, de 195,2 milhões de indivíduos.
Praticamente, também não se verificaram avanços na meta de tirar da pobreza os cerca de 1,37 bilhão de trabalhadores que vivem com menos de dois dólares por dia. Ou seja, o crescimento econômico não está criando postos de trabalho em quantidade suficiente para promover a inclusão de novos trabalhadores e suas famílias no mercado de consumo e tampouco melhorando o rendimento do trabalho. A renda continua sendo concentrada e os problemas sociais provocados pela exclusão tendem a se agravar. O mais grave é que, em médio prazo, o próprio desemprego irá transformar-se em fator limitante para a expansão das economias nacionais, regionais e internacional, criando-se perigoso gargalo.
É pertinente analisar o porquê de o crescimento econômico dos últimos cinco anos ter registrado impacto tão tênue na melhoria do mercado de trabalho e na qualidade de vida dos trabalhadores. Também é necessária atenção especial para o fato de os jovens de até 24 anos representarem 44% de todos os desempregados do mundo. São pessoas precocemente em dificuldade para se inserir nos benefícios da economia.
O próprio estudo da OIT, contudo, mostra haver uma luz no fim do túnel no sentido de que se possa converter crescimento econômico em mais empregos e salários mais dignos: em 2006, a participação do setor de serviços como provedor de postos de trabalho aumentou de 39,5% para 40%, superando pela primeira vez a agricultura, que recuou de 39,7% para 38,7%. O setor industrial é responsável por 21,3% dos empregos em todo o Planeta.
Todos esses dados evidenciam ser imprescindível investir mais na formação de jovens trabalhadores e na reciclagem profissional daqueles que, há mais tempo no mercado de trabalho, precisam de novas especializações ou até mesmo migrar de profissão para encontrar novas oportunidades nos segmentos que têm gerado oferta mais intensiva de mão-de-obra, como os serviços. Governos, empresas, Terceiro Setor e representações sindicais devem concentrar mais atenção nessa demanda de qualificar e requalificar melhor os trabalhadores. Não podemos pensar num mundo harmonioso sem equacionar essa questão, pois as estatísticas mostram claramente estar-se caminhando para um ponto de estrangulamento.
De modo muito pertinente no contexto dessa preocupante situação, novo relatório do Banco Mundial sobre o Desenvolvimento contém emblemático alerta: “Os países emergentes e pobres que investirem em melhor educação, cuidados de saúde e treinamento profissionalizante para os jovens de até 24 anos poderão produzir crescimento econômico considerável e uma redução acentuada da pobreza”. Quem ousa duvidar? Pois então, mãos à obra!

Antonio Salim é presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores).

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