Crescimento e inclusão das instituições de ensino

Estudo do Bird (Banco Mundial) demonstra que 1,3 bilhão de jovens vivem atualmente no mundo em desenvolvimento, um recorde absoluto em toda a história. Tal índice demográfico pode converter-se em imensa vantagem na conquista do desenvolvimento ou se tornar mais uma grave causa de exclusão e agravamento da dívida social. O aspecto delimitador da capacidade de transformar o “fator juventude” em oportunidade de crescimento sustentado e prosperidade é a educação, que aqui deve ser entendida como a capacidade de uma nação de universalizar a oferta de ensino de qualidade.
Assim, é extremamente lúcida a conclusão do relatório do Bird: “Não existe momento melhor para investir nos jovens. No entanto, desperdiçar a oportunidade de educá-los mais eficazmente para o mercado de trabalho e para serem cidadãos ativos poderá levar a uma desilusão generalizada e a tensões sociais”. Educar mais eficazmente significa formar profissionais de alto nível, um desafio somente passível de ser vencido com definitiva excelência do sistema de ensino.

No Brasil, infelizmente, o setor ainda está aquém desse patamar, a despeito de termos estabelecimentos de ensino Fundamental, Médio e Superior, públicos e particulares, de altíssimo nível. A dificuldade é disseminar de modo mais amplo essa qualidade. Sem qualquer exagero quanto ao ceticismo, não será possível alcançar esse objetivo sem uma profunda e rápida mudança cultural quanto ao financiamento das escolas, destinados à sua qualificação e sustentabilidade. Os investimentos do governo na rede pública e o imenso esforço das instituições particulares não são suficientes para que a educação conduza o país ao primeiro mundo.

Nesse contexto, a mudança cultural a que me refiro diz respeito às doações de pessoas físicas e jurídicas aos estabelecimentos de ensino. Para se ter uma base de comparação, ex-alunos prósperos ajudaram a transformar 2006 em um ano no qual quebrou-se o recorde de levantamento de fundos para faculdades e universidades nos Estados Unidos: US$ 28 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões), significando aumento de 9,4% em relação a 2005. Essa virtude da sociedade norte-americana de contribuir para a sustentabilidade de instituições de ensino remonta ao século 18. Tal predisposição também foi reforçada e estimulada pelo profissionalismo na captação de recursos por parte das escolas e universidades. Ao longo desses 400 anos desde o advento da prática, os Estados Unidos desenvolveram técnicas, publicaram centenas de livros e artigos, constituíram a prestigiada, bem paga e reconhecida profissão de captador de recursos (fundraiser), promoveram treinamento e conferiram respeitabilidade a esse trabalho. Em 1963, foi constituída a AFP (Association of Fundrasing Professionals), que congrega esses profissionais e realiza congressos internacionais todos os anos – este ano, promoverá o seu primeiro evento do gênero no Brasil, dias 21 e 22 de setembro de 2007, nas Faculdades Integradas Rio Branco.

Nos Estados Unidos e em outras nações, inclusive algumas emergentes, também há menos burocracia do que aqui para a doação, principalmente de imóveis e outros bens, às instituições. Em nosso país , verificam-se algumas distorções, que contrariam a necessidade da excelência na educação e de democratização da sapiência. A primeira delas refere-se à inexistência de incentivos fiscais em benefício da educação. Existem estímulos dessa natureza para a cultura e o esporte – o que é muito pertinente e correto -, mas faltam para o ensino – uma incoerência. Além disso, para receber um imóvel, por exemplo, uma universidade pública precisa constituir uma fundação, cujo processo é demorado, complexo e desestimulante.
Para as escolas e universidades brasileiras obterem doações em maior volume e freqüência será necessário promover alterações na legislação, não contempladas no chamado PAC Educação, recentemente lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Terá, ainda, de ser desenvolvido amplo trabalho, a começar pel

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