Cresce número de trabalhadores que ganham menos no PIM

O número de trabalhadores no PIM (Pólo Industrial de Manaus) com rendimentos salariais de até 1,5 salário mínimo apresentou um crescimento de 16% nos primeiros nove meses deste ano, e o total de empregados com salários elevados diminuiu, conforme consta nos indicadores econômicos mais recentes da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Os dados referem-se ao período entre janeiro a setembro.

Segundo dados da autarquia, o número de trabalhadores com remuneração de apenas R$ 570 aumentou do contingente de 22,55 mil para 26,18 mil, enquanto os empregados com ganhos mais elevados regrediu. O quantitativo de pessoas com rendimento salarial entre seis a dez salários diminuiu em 17%, encolhendo de 5,7 mil para 4,7 mil.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, grande parte das indústrias está substituindo profissionais por outros para pagar uma remuneração mais baixa. “Funcionários antigos com uma boa remuneração salarial foram dispensados neste ano por outros para realizar a mesma função por um salário muito mais inferior”, informou.

Política adotada

Santana frisou que a política de redução de gastos salariais nas empresas afeta trabalhadores de todos os níveis, desde os mais baixos até os de nível mais elevado. “Em determinados departamentos empresariais, onde havia até quatro gerentes, hoje existe apenas um”, informou o sindicalista.

De acordo com Valdemir Santana a maior parte da classe de empregados da indústria, composta por operários, têm rendimentos de R$ 505. “Os indicadores da Suframa revelam uma média que compõe também engenheiros, pessoas com ganho melhor, mas os operários recebem, em média, o valor mencionado”, disse.

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, destacou que neste ano os metalúrgicos do PIM receberam um dos mais elevados reajustes salariais do país. No atual exercício, a categoria conseguiu um aumento de 7%.

“Concedemos um reajuste acima da inflação, em 2%, pois as indústrias se declararam capazes de aumentar o salário de seus empregados nesse nível”, garantiu o dirigente.

Em relação ao total de empregos temporários gerados nesse período de fim de ano, os dados são positivos. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, o número de contratos temporários superou as projeções do sindicato, representando um total de cinco mil empregos nas indústrias locais. “Nossa projeção era que as fábricas contratassem quatro mil para suprir a produção de fim de ano, mas foram mais de cinco mil contratados, graças à abertura de novas empresas e projetos de expansão de outras”, explicou Santana.

O representante dos metalúrgicos citou exemplos como o das empresas Digitron e Flex, que apresentaram um significativo aumento no número de mão-de-obra. “A Digitron tinha 600 funcionários e hoje conta com 1,1 mil e a Flex, que passou a produzir DVD, de 1,5 mil passou a contar com 2,1 mil empregados”, justificou ele.

Santana também destacou os ganhos do Amazonas em questões como a vitória judicial do Estado sobre O Paraná, no caso da guerra fiscal e os incentivos do governo federal para a indústria local, o que gerou reflexos positivos na geração de postos de trabalhos.

Atualmente, o Sindicato dos Metalúrgicos tenta uma negociação com as empresas do PIM, a favor do pagamento do auxílio-creche, conforme determina a lei de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus.

Maurício Loureiro avaliou que as empresas têm enfrentado como principal problema a falta de oferta de creche em Manaus. “Não há creche para todos os filhos dos funcionários, e essa é a dificuldade das indústrias, por isso elas não estão cumprindo com esse beneficio”, informou.
O Sindicato dos Metalúrgicos está tentando marcar uma reunião, até o final do ano, com representantes do poder público para reivindicar alguma medida, que aumente a oferta de creches no Amazonas.

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