Contestado no Sudeste, PIM é um dos pilares do Tesouro Federal

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Indústria valia que falta consolidar ações tanto de empresários como de políticos para que o Amazonas não fique tão refém das decisões de Brasília

A importância do PIM (Polo Industrial de Manaus) divide opiniões  e tem sido alvo constante de críticas, mas um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) atesta que o Amazonas figura no ranking de apenas oito Estados dos 27 da Federação que mais destinam recursos arrecadados com tributos federais do que recebem, segundo analistas de mercado e expertises do modelo ZFM (Zona Franca de Manaus).   

São pelo menos R$ 10 bilhões anuais que o projeto Zona Franca recolhe para os confres do Tesouro nacional. “Todos esses recursos são suficientes para pagar a recuperação das estradas brasileiras. Quer dizer, a ZFM é um projeto superavitário que ajuda o Brasil a crescer”, avalia o economista Ailson Resende, um estudioso do modelo ZFM. Mesmo com toda a distância dos grandes centros consumidores, hoje ainda é mais vantajoso investir no Amazonas, avaliam especialistas.

Os incentivos fiscais continuam atraentes, os recusos naturais abrem possibilidades de novos empreendimentos e ainda a rica culinária à base de peixes são motivos de grandes perspectivas de negócios num momento em que todo o mundo está preocupado com projetos auto-sustentáveis e com a produção de alimentos saudáveis.  

Para representantes da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), a ZFM é um modelo de sucesso e deve se fortalecer ainda mais com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), esperançosos que o capitão reformado tenha praticamente o mesmo pensamento dos militares quando foi criado o projeto nos anos 1960 pelo governo militar. “As perspectivas são ótimas. Já chegamos a ter 138 mil empregos diretos e o número de ocupações deve aumentar nos próximos anos no PIM com uma política de incentivos a novos investimentos e de uma boa gestão na Suframa, que agora tem em sua superintendência o coronel Alfredo Menezes, um homem de visão e preparado para resgatar a importância financeira e econômica que a autarquia teve no passado”, avalia o presidente em exercício da Fieam, Nelson Azevedo.

Segundo Azevedo, o anúncio de que a Honda investirá pelo menos R$ 500 milhões na Zona Franca nos próximos três anos já é motivo de sobra para mostrar que o PIM ainda continua atraente e pode proporcionar grandes vantagens para os investimentos estrangeiros e nacionais. “Isso dá ânimo aos demais segmentos que operam no Amazonas. A ZFM continua sendo o modelo econômico mais bem-sucedido do Brasil”, acrescenta ele.

Sem projeto similar na história brasileira

Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Perico, hoje as vantagens e os benefícios sociais proporcionados pelo projeto ZFM não têm paralelo na história brasileira. Segundo ele, falta agora consolidar ações tanto de empresários e políticos para que o Amazonas não fique tão refém das decisões de Brasília. “Não vislumbro nada que possa substituir o modelo de desenvolvimento a médio e longo prazo. Se vier algo nesse sentido será só para somar, diversificar o que já temos hoje como um modelo bem-sucedido que alavancou a economia do Estado com uma indústria bem estruturada”, diz ele.  

Os últimos indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que o desempenho das empresas do PIM vem melhorando, apesar da recessão econômica que atingiu o País nos últimos quatro anos. E o número de empregos também promete crescer com maior fôlego nas linhas de produção das empresas. Segundo o supervisor de informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE) no Amazonas, Adjalma Jaques, as contratações de pessoal pela indústria de Manaus foram maiores em 2018 em relação a 2017 e as empresas preveem contratar mais trabalhadores em 2019. “O mercado está se recuperando aos poucos”, avalia ele.

Investimentos para P&DI chegam a R$ 1 bilhão

Segundo dados da Suframa, os investimentos destinados para P&D, agora os chamados P&DI (Desenvolvimento e Inovação), totalizaram R$ 1 bilhão, oriundos dos 5% que cada empresa do PIM é obrigada a recolher para pesquisas de novas tecnologias. Esta é a condição para que as empresas incentivadas continuem em operação no Estado do Amazonas. Todos esses dados são suficientes para avaliar que a ZFM é superavitária, segundo analistas do projeto.

De acordo com o então superintendente adjunto de Desenvolvimento Regional Marcelo Pereira, ainda na gestão de Appio Tolentino à frente da Suframa, esses investimentos devem dobrar nos próximos anos, apesar da crise econômica que atinge o País. Esses recursos podem ser utilizados pelas empresas nas pesquisas de desenvolvimento e inovação após aprovação de projetos pela Suframa.

Uma das exigências é que 80% desses fundos devem ser empregados dentro das áreas de atuação da Amazônia Ocidental (composta pelos Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia) e ainda pelo Amapá, regiões beneficiadas pelos incentivos fiscais. Mas apenas 20% devem ser operacionalizados em áreas externas, desde que  as medidas recebam o sinal verde do governo federal. “Com todo esse montante, somos capazes de quebrar paradigmas e darmos um novo viés à economia do Amazonas através do desenvolvimento de uma tecnologia de ponta”, disse o entãoo superintendente adjunto Marcelo Pereira num encontro com lideranças políticas e empresariais na sede da Fieam, em janeiro último.

Bancadas querem aulas técnicas sobre PIM

As bancadas federais na Câmara e no Senado querem conhecer com mais profundidade os principais problemas que afetam o PIM para a defesa do projeto em Brasília, principalmente contra as investidas de políticos de outros Estados e críticos acirrados do modelo ZFM. Por isso, novos deputados federais, que se elegeram nas últimas eleições, passaram a sugerir reuniões com técnicos da autarquia com esse objetivo. “Queremos ter aulas técnicas para reforçarmos nossas defesas, saindo da retórica superficial, sem conhecimento de causa, que muitos defensores utilizam no plenário em Brasília”, diz o deputado federal Marcelo Ramos (PR/AM), grande entusiasta das reuniões técnicas.

Para o deputado Sidney Leite, que também abraçou a ideia das reuniões técnicas, os encontros são “uma oportunidade para dirimir dúvidas” e fortalecer a defesa da ZFM contra os que ameaçam a sua sobrevivência.  Os parlamentares esperam manter esse projeto com a nova gestão da Suframa e ter a mesma receptividade, apesar de parte da bancada federal na Câmara e no Senado ter contestado a indicação do coronel Alfredo Menezes para comandar a Suframa, já que o preferido de políticos era o ex-deputado federal Pauderney Avelino (DEM/AM).

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