Consumo se mantém em alta no comércio de Manaus

Há quem diga que ‘tudo que é bom dura pouco’, mas pelo visto o comércio amazonense conseguiu mudar este cenário. No final do ano passado, logo que o Bacen (Banco Central) e o CMN (Conselho Monetário Nacional) anunciaram as medidas de restrição ao crédito, parecia o ‘fim do mundo’ comercial. No entanto, a crise foi passageira, pois o comércio da região parece despreocupado neste início de ano.
Segundo o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, quando o governo fez as restrições, pensava-se em diminuir o consumo de grandes objetos, mas o varejo não chegou a ser tocado. Exemplo disso foi o crescimento de 11,8% nas vendas de dezembro, mês onde as ações foram adotadas. Apesar da inadimplência ter aumentado levemente, saindo de 2,6% para 2,8%, ainda assim não foi proporcional ao número de vendas. “Este valor é normal, porque quando você vende muito, você arrisca muito”, frisou o dirigente.
Do mesmo modo que Assayag, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Benzion, afirma que a restrição influenciou principalmente na venda de produtos mais caros, que necessitam de uma quantidade de parcelas maior. “No caso do varejo, que não vende na faixa das 24 parcelas, a situação é positiva. Tanto que já esperamos um crescimento nesse mês, em relação ao de igual período do ano anterior”, destacou.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonnacio, explica que, provavelmente, este impacto deve ser sentido daqui a 60 dias ou mais. No momento, talvez só a expectativa de crescimento da Associação tenha reduzido um pouco, enquanto era de 8% a 10%, agora é de 5% a 7%.
Já o vice-presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, é mais otimista. Ele analisa que a oferta de crédito de automóveis se expandiu demais e estas iniciativas foram tomadas para conter a inflação, mas isso só mudou a burocracia, já que agora é necessário pagar 30% de entrada. “Mesmo assim, ainda tem um volume grande de financiamento. Em decorrência disso, o comércio, incluindo o setor automotivo, deve crescer de 10% a 15%. É claro que uns setores menos e outros mais”, observou.
O economista e consultor empresarial, José Laredo, explica que a situação positiva é normal e deve se manter nos próximos meses, em virtude do impulso da demanda de 2010, que foi abundante. “Ainda mais por conta dos atrativos promocionais”, detalhou.A partir de fevereiro, caso, na reunião do Copom, haja a decisão de um aumento acima de 0,5% na taxa de juros, talvez os impactos comecem a mostrar força. Mas a probabilidade maior é que somente sejam sentidos no segundo ou terceiro trimestre.
“O poder de renda, por enquanto, se mantém acima da inflação. Mesmo o salário mínimo, de R$ 545, ainda é 0,96% superior à inflação de 5,09%”, avaliou.
No caso das concessionárias de veículos, as opiniões se dividem. O gerente de vendas da Via Marconi, revendedora Fiat, Antônio Carlos Lima, comenta que, por enquanto, não houve grande impacto no segmento. Segundo ele, logo no início os consumidores se sentiram acuados com as informações ao mesmo tempo, porém mudaram com o passar do tempo.Lima não fala em números, mas diz que a perspectiva da concessionária é positiva. “Nós só podemos falar após o dia 20, que é quando o mercado retorna depois das férias, e aí sim tem uma estimativa”, defendeu.
Enquanto isso, o gerente de peças da Garcia Veículos, concessionária da Chevrolet, Nierge Queiroz, fala que houve um pequeno impacto, embora sem prejuízos para o segmento. “Como voltou a necessidade de entrada antes da compra, os clientes só precisaram se acostumar a poupar dinheiro como antigamente”, argumentou. Queiroz ressalta que a perspectiva para janeiro é de queda, mas é normal para o setor, devido o período de férias. A probabilidade é de uma retração entre 15% a 20%. No ano anterior, este número era de 7%. “A questão é que naquela época o crédito era mais liberado”, esclareceu.

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