22 de abril de 2021

Confrarias de Manaus reúnem aficionados por vinhos, música e carros antigos

A famosa frase que diz que os opostos se atraem não se aplica às fraternidades de Manaus, que, cada vez mais, veem surgir confrarias de segmentos diversos, dentre eles de música, vinho e carros antigos. A palavra confraria é originária de dois termos em latim: “com”, que significa “junto” e “frater”, que quer dizer “irmão”.

A primeira confraria de vinhos de Manaus, de acordo com o jornalista, radialista, tradutor e músico Humberto Amorim, foi a SBAV-AM (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho), da qual ele foi presidente. Atualmente, Amorim é presidente vitalício da Edwine Lovers de Manaus, a segunda confraria de vinhos da capital.

“A confraria foi criada em julho de 2009 com o nome Cambada de Wine Lovers Manaus. Depois do falecimento do confrade fundador e publicitário Edmar Costa, para homenageá-lo, o nome foi mudado para Edwine Lovers. A criação da confraria foi inspirada e fundamentada nas reuniões da diretoria da SBAV-AM, da qual fui presidente da gestão Bolsa Vinho, que resolveu criar um movimento voltado para degustações às cegas, que, até hoje, continuam sendo a maior característica das reuniões festivas mensais”, diz Amorim, que atua como jornalista e radialista desde a década de 60, e que sempre cultivou a paixão por vinhos e jazz, que, geralmente, estão inseridos nos projetos que o profissional desenvolve na cidade, como a apresentação musical que fez no último dia 9 de outubro, no Marinara Pizzaria e Restaurante (rua Rio Jutaí, 708, conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul).

Ele explica que, em respeito às orientações da Organização Mundial da Saúde, a apresentação não foi realizada com todos os integrantes da sua banda, a All That Jazz, mas com apenas um trio, batizado de My Manhattan Jazz Trio. “Por causa do protocolo da Covid-19, estamos com um trio. As apresentações com a banda completa voltarão só depois que tudo retornar ao normal”, comenta Amorim, que em 7 de maio do ano passado, foi homenageado com o título de Cidadão do Amazonas pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. A proposta de outorga do título foi do deputado Adjuto Afonso (PDT).

Amorim explica que a Edwine Lovers conta com 18 integrantes de ambos os sexos e que tem um calendário regular de atividades. “Os encontros presenciais, que chamamos de ‘reunião festiva’, acontecem uma vez por mês, sempre na última semana do mês”. Ele conta que a confraria está aberta para novos integrantes, principalmente aqueles que possuem algum nível de “experiência” e conhecimentos do mundo dos vinhos, devido principalmente ao formato de degustações às cegas. “Cada degustação às cegas consideramos uma sala de aula, na qual são desvendados os mistérios, segredos, e curiosidades acerca dos rótulos. Também aprendemos mais sobre os países, regiões e culturas, onde foram cultivadas as variedades que deram origem aos deliciosos ‘Sucos da Bíblia’ que degustamos”.

Ele explica também como surgiu esse interesse do manauense por vinhos. “Até o ano 2000, ninguém em Manaus degustava vinhos o ano inteiro. Somente um reduzido grupo de pessoas que viajavam para o sul do Brasil ou exterior tinham esse privilégio. A partir da criação da SBAV-AM, que exigiu que nós importássemos os vinhos degustados nas reuniões, o interesse cresceu, a fama da qualidade dos vinhos se espalhou, novos enófilos foram revelados, comerciantes com visão montaram a primeira adega pública, os supermercados e empórios viram nisso um nicho positivo e o resto é história. O surgimento da SBAV, que teve 15 fundadores, foi o marco de tudo. Palestrantes especializados, donos de vinícolas, enólogos, e sommeliers dentre outros profissionais do ramo, vieram para Manaus exclusivamente para palestrar para os confrades da Confraria. Como resultado positivo desse trabalho, hoje, temos em Manaus a cultura dos vinhos em célere evolução, com ofertas variadas de rótulos de diferentes países produtores à disposição dos enófilos e curiosos iniciantes. Manaus, hoje, é destaque no Brasil no consumo e na evolução da cultura vínica”, enfatiza.

 E ele dá dicas de como consumir um bom vinho numa região tão quente quanto o Amazonas. “A descoberta das propriedades terapêuticas do vinho embasadas pelos cardiologistas ajudou a desenvolver e atrair mais adeptos para a cultura de consumos dos vinhos. Os vinhos brancos, brasileiros, principalmente pelo frescor, são perfeitos para o clima ensolarado da nossa região. Os tintos pedem por ambientes com ar-condicionado, e isso é fácil de arranjar”.

‘As Vinhas’ apostam na descontração 

As Vinhas têm um lema especial e divertido: “Menos ‘pera’ e mais ‘bora’”

As Vinhas é um tipo especial de confraria. Além do fato de reunir apenas integrantes femininas, o grupo se destaca pela descontração total. A fraternidade surgiu em outubro de 2018, por iniciativa de Cláudia Bernardino e Eulália Bichara, conforme explica Carol Amaral, uma das integrantes. “É um grupo de amigas que se reúne para tomar vinho, comer e papear”, diz Carol, que, antes de participar dessa irmandade, participou da Confraria das Meninas e de alguns eventos da Vinhos & Elas.

Assim como Carol, outras integrantes do As Vinhas já haviam participado de outros grupos, mas queriam um diferencial: a descontração. “Nós queríamos ter encontros mais descomplicados, sem muita formalidade, sem essa questão de hierarquia. Somos o que podemos dizer um grupo orgânico. A gente brinca que o nosso lema é ‘Menos ‘pera’ e mais ‘bora’”, comenta a integrante.

As Vinhas podem ser encontradas na rede social Instagram (https://www.instagram.com/as_vinhas/). Além de Carol Amaral, a confraria As vinhas é formada por mais 11 mulheres: Andrea Barros Bandeira de Melo, Carla Frota, Carol Pedrosa, Cláudia Bernardino, Eulália Bichara, Ilana Menezes, Lia Pinto, Luciana Felicori, Melissa Credie, Nilce Lobo e Patrícia Petruccelli.  

Reunidos pela alegria da música

Baterista Fred Teixeira participa da confraria Músicos do Amazonas 

A confraria Músicos do Amazonas surgiu há quase quatro anos, tendo como criadores os músicos Nicholas Jr. e Cileno. Atualmente, o grupo tem 50 membros. “Tem músicos de todos os gêneros”, ressalta um dos integrantes, o baterista Fred Teixeira. Ele conta que um dos objetivos da confraria é compartilhar conhecimento musical. “Quando nos encontramos, discutimos sobre música, mostramos músicas autorais e falamos sobre as novidades que surgem no mercado”.

Mas Fred destaca que há encontros para diversão também. “Geralmente, nas segundas-feiras, tem um futebol para animar o pessoal”. Entretanto, devido à pandemia, os encontros presenciais foram cancelados. “Hoje, falamos mais pelo grupo que temos no WhatsApp”, comenta Fred.

Segundo o baterista, a Músicos do Amazonas está aberta para receber novos membros, mas há a necessidade de que o candidato tenha a aprovação de pelo menos cinco membros. Ele explica que não é restrição, mas um cuidado que o grupo tem de selecionar pessoas que sejam profissionais de fato e responsáveis, que contribuam para a troca de informação, entre outras coisas.

Paixão que move uma vida

Presidente do Fusca Clube de Manaus, Climário Cabral Filho, já teve seis dos tradicionais “besouros”

O Fusca Clube de Manaus foi fundado em 20 de janeiro de 2016 por nove membros. Atualmente, segundo o presidente Climário Cabral Filho, já são mais de 450. Ele conta que o clube realiza vários eventos abertos ao público, o que costuma atrair mais pessoas interessadas em conhecer e participar das atividades realizadas pela confraria.

“Nós fazemos vários eventos, como exposições, o aniversário do clube etc. Também fazemos comemoração anuais, no Dia Mundial do Fusca (22 de junho) e no Dia Nacional do Fusca (20 de janeiro), no Largo de São Sebastião. Mas temos o Café com Fusca, que é realizado quinzenalmente, que é quando nós convidamos os ‘fusqueiros’ para agregar com a gente”, explica Climário.

O clube também atua com filantropia, realizando eventos solidários, como a “Exposição de Carros Antigos e Motociclismo” que foi realizado em parceria com outras confrarias de carros antigos e de motos, no dia 27 de setembro, no Largo de São Sebastião, para arrecadar fundos para a restauração da Igreja de São Sebastião. 

Reportagem de Guilherme Gil

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email