Confiança do empresário dilui-se no rastro da crise do Covid-19

A crise do Covid-19 derrubou a confiança dos comerciantes de Manaus, na passagem de março para abril, em sintonia com a média nacional. Tanto a percepção sobre o momento atual, quanto às perspectivas do setor e suas intenções e investir e contratar sofreram um recuo brutal no Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), a despeito dos números ainda se manterem no “nível de satisfação”. A CNC alerta que a dinâmica do indicador já aponta derretimento mais forte em maio, no rastro da pandemia.

O indicador registrou 126,2 pontos em Manaus e encolheu 9,8% no confronto com março de 2020 (139,9) – que já havia caído em relação a fevereiro (142,2). Foi o pior resultado na série histórica de 13 meses informada pela CNC. Em relação a abril do ano passado (137,8), o decréscimo foi de 8,4%. No Brasil, o índice também permaneceu na zona de satisfação (120,7), mas caiu 5,3% na variação mensal, na maior queda abril de 2015 (-6,4%). 

Apurado entre os tomadores de decisão das empresas, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento. Pontuações abaixo de 100 representam insatisfação, enquanto marcações de 100 e até 200 são consideradas de satisfação. A CNC sondou 6.000 empresas de todas as capitais do país – 164 delas, em Manaus. Foi o primeiro Icec realizado após o início da pandemia: a coleta de dados ocorreu entre 20 de março e 5 de abril.

Na capital amazonense, a despeito da queda, apenas um dos nove subíndices do Icec não ficou na zona de satisfação – “situação atual dos estoques/SAE” (95,5 pontos) – e a melhor pontuação veio de “expectativa das empresas comerciais/EEC” (158,6). Todos recuaram em relação a março, sendo que a maioria sofreu recuos de dois dígitos e o maior tombo veio de “condições atuais da economia/CAE” (-15,7%). 

Especificamente sobre a situação atual da economia, a maioria (47%) dos entrevistados em Manaus ainda considerava que “melhorou um pouco”. Na sequência, 21,7% dizem que a situação “piorou um pouco”, 19,9% apontaram que “piorou muito” e 11,3% garantiram que “melhorou muito”. 

Os números sofreram deterioração frente a fevereiro – 57,8%, 16%, 11,8% e 14,4% respectivamente. A satisfação foi maior nas empresas com mais de 50 empregados (107,4 pontos) e que vendem bens não duráveis (124,4) – a exemplo dos segmentos essenciais, que não tiveram suas portas fechadas.

As avaliações sobre o setor (113,4 pontos) e a empresa (127) também retrocederam. A maioria também acha que a situação atual “melhorou um pouco” (47,9 e 49,7 pontos, respectivamente). Mas, os que acreditam que o setor “piorou um pouco” (19,7 pontos) vieram em segundo lugar, assim como aqueles que dizem que a empresa “melhorou um pouco” (22,9). Companhias de maior porte (131 e 148,3, respectivamente) e que trabalham com produtos perecíveis (128,4 e 138) também lideraram o otimismo, em ambos os grupos.

Empregos e investimentos

As expectativas para a economia brasileira (150,7 pontos) ainda parecem positivas para a maioria esmagadora dos empresários comerciais de Manaus, em maior (44,4%) ou menor grau (39,1%). Com pontuações respectivas de 154,3 e 158,6, a situação é semelhante nas projeções para o setor (44,7% e 41,3%, na ordem) e para o desempenho do próprio negócio (49,1% e 38%). Todos os números, entretanto, já aparecem menores aos da sondagem anterior.

O mesmo otimismo residual, já corroído pelo impacto da crise do Covid-9, foi verificado nas intenções de contratar (121,7 pontos) e de investir (110,4). Em torno de 44,8% dizem que o contingente deve “aumentar pouco” e 20,7% apostam que vai “aumentar muito”. Para 36,8% das empresas sondadas, o nível de aportes de capital no próprio negócio deve ser “um pouco maior”, enquanto 30% dizem que será “um pouco menor”. 

Pico e flexibilização

“Os números ainda elevados dos indicadores da pesquisa mostram que tínhamos saído de uma crise de cinco anos, embora ainda nadássemos em águas turvas. Mas, o impacto da pandemia, e as medidas de restrição a ela, com o fechamento do comércio, trouxeram uma incerteza muito grande para o setor”, lamentou o presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

De acordo com o dirigente, o comércio varejista da capital amazonense torce para que o Estado – que apresenta os piores indicadores nacionais da doença, em termos de casos confirmados e mortalidade – chegue o quanto antes ao pico da curva de contágio, sinalizando refluxo e abrindo caminho para uma flexibilização do funcionamento dos setores não essenciais. 

“Ainda temos uma estrutura hospitalar muito tênue. A chegada da primavera, na última semana do mês, deve atenuar o contágio, mas as pessoas têm que se cuidar também e evitar aglomerações. Espera-se que o pico chegue nesta quinta [7]. A partir daí, será feita uma análise para ver se a abertura continua ou recua”, ponderou.

Estoques e fechamento

Em texto distribuído à imprensa pela entidade, a economista responsável pela sondagem da CNC, Izis Ferreira, chama a atenção para a situação atual dos estoques, que, para a maior parte dos empresários, encontra-se ainda em nível adequado (61,2%). “O indicador dos estoques alcançou 92,4 pontos, com uma ligeira queda de 0,2% em relação a março, mas um aumento de 4,2% em comparação com abril de 2019”, destacou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, observa que o canal das expectativas no curto prazo foi o primeiro através do qual os varejistas começaram a sentir os impactos da crise. “O fechamento dos estabelecimentos em vários Estados e cidades tem imposto redução drástica no faturamento das lojas, em especial dos negócios de menor porte e sem presença nos canais digitais de venda, como o e-commerce. Diante das incertezas associadas à evolução do vírus e à eficiência das medidas de combate, os cenários para a atividade econômica estão obscuros”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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