Compras online são tendência para o Dia das Mães

O Dia das Mães, que acontece no próximo dia 10, considerada uma das datas de maior movimento no comércio, depois do Natal, terá como aliada a modalidade de vendas online. A alternativa é a saída para movimentar, ao menos, o lucro dos estabelecimentos. 

A proprietária de uma loja de confecções e acessórios Inahwath Araújo, diz que apesar do isolamento, o  momento é tentar impulsionar ao máximo as vendas, já que os problemas gerados para o segmento causado pela pandemia desanimou muito. “O fato das pessoas ultimamente estarem em casa a visibilidade virtual é grande. A minha estimativa  é positiva, apesar da venda presencial não ser adequada ao momento. Nós ajustamos um estilo de venda online, em que o cliente visualiza as roupas através das nossas redes sociais, e entregamos em sua casa sem custo adicional com descontos variados”.

A mesma percepção é sentida pela empresária Jaqueline Ramos, dona de um estabelecimento no ramo de calçados. Ela admite que teme a queda porque o nicho de atuação demanda presença física do cliente, mas se mantém otimista. Ela diz que apesar do isolamento, o  momento é tentar impulsionar ao máximo as vendas, já que os problemas gerados para o segmento causado pela pandemia desanimou todo mundo. “Talvez a gente consiga aquecer as vendas de alguns produtos. No meu ramo, as pessoas precisam olhar o produto e experimentar. Pela internet fica mais difícil. Mas investi no sistema delivery, e tem dado certo. Nos últimos dias vendi bastante peças. Os números de pedidos melhorou um pouco, mas não como as comercializações na nossa loja física”, ressaltou.

O comportamento das vendas para o Dia das Mães, é confirmado em um levantamento da BEUP para análise e insights da Globo 2020, ele aponta que o isolamento tornou a data mais importante para a maioria das pessoas, o que pode ser traduzido em vendas. Afinal, 69% das pessoas vão comemorar a data e, nesse público, 85% vai presentear a mãe. Sem falar nos que não vão fazer nada no dia, mas vão mandar pelo menos uma lembrancinha.

Além disso, independentemente do seu ramo de atuação, diferenciar-se neste momento é fundamental para que sua ação tenha sucesso. A Covid-19 é um catalisador para mudanças no varejo. O e-commerce, por exemplo, está crescendo e veio para ficar. Afinal, ele vai ser o principal canal de vendas nas comemorações deste ano.

Conforme conteúdo publicado no portal do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), de pequenas cervejarias a hamburguerias, novas empresas estão entrando no mundo do comércio eletrônico. E o resultado disso é maior confiança em pedidos e pagamentos online, e conveniência se tornam o novo normal para quem adota o serviço durante a crise.

Então, garantir uma experiência positiva do cliente nas plataformas digitais é fundamental. Principalmente porque a vontade de comprar é alta, 78% das pessoas pretendem gastar o mesmo que nos anos anteriores ou até mais para comprar um presente.

Ao mais básico

A gestora administrativa Mary Oliveira vai apostar num presente mais modesto para homenagear a mãe. A intenção era comprar um celular, mas devido o atual cenário vai comprar pela internet. “Ainda não defini o que comprar. É estranho você estar limitado e não ter aquela tradição de ir às compras, e conseguir escolher o produto de perto, sentir. É uma sensação ruim. Mas precisamos nos manter isolados e obedecer às determinações. Eu já pesquisei alguns produtos online. O legal é que temos bastante opções”.

Opinião

O economista Marcel Balassiano comenta sobre o reflexo do cenário para a data e explica que o que diferencia essa crise de saúde, que tem impactos na economia, de outras crises econômicas ou financeiras, é que, com o isolamento social, as pessoas não estão saindo de casa, seja para ir ao trabalho ou lazer. “Com isso, o setor de serviços, que corresponde a mais de 60% do PIB, e é o que mais emprega as pessoas, está sendo (e vai ser mais ainda) impactado com essa diminuição da circulação das pessoas.  Por isso que essa crise do coronavírus vai impactar muito fortemente a economia, pois além de um menor crescimento da economia global, com uma possível recessão; do aumento do risco, queda das bolsas, crescimento da incerteza; o impacto no setor de serviços, que em outras crises não existia, pelo menos nessa magnitude, vai influenciar muito no baixo crescimento brasileiro. Lembrando que esse não é um problema exclusivamente do Brasil, mas sim de todos os países que estão passando por essa crise – por exemplo, pensemos no quanto o setor de turismo não deve representar na economia italiana, e os enormes prejuízos, agora e depois, inevitáveis”.

E destaca com a alternativa às compras presenciais, as vendas pelo e-commerce estão crescendo mais ainda. E se isso antes era uma opção para os consumidores, e um adicional as lojas físicas para os empresários, no momento é praticamente a única opção. O que é bastante positivo, para pelo menos minimizar os impactos na economia. “Antes dessa crise, as vendas online representavam, em média, uma parcela menor das receitas das lojas que também têm presença física. Nesse período, a totalidade das receitas serão por esse canal. A crise do coronavírus chegou no Brasil, com mais força, logo após o carnaval. A Páscoa já foi nesse período de quarentena, e o Dia das Mães também será assim”, prevê. 

Ele afirma ainda que a crise é muito grave, e praticamente todos estão perdendo, de uma forma ou de outra. Seja o informal, que ganhava R$ 1200 / 1500, em média, e passou a receber o auxílio de R$ 600 do governo. Ou seja, teve uma perda de renda. O empresário, principalmente do setor de serviços, que está com as lojas, restaurantes, empresas de prestação de serviços (turismo, por exemplo), com uma forte queda de receita ou até mesmo zerada. O trabalhador da iniciativa privada, que pode ter tido uma redução salarial, ou até mesmo ter sido demitido. Além disso, a forte queda da bolsa, tanto lá fora, quanto no Brasil, com perdas, no momento, para os investidores, não somente o grande investidor, mas a pessoa física que tem uma parte das suas economias investidas em renda variável, principalmente de uns (poucos) anos para cá, onde os juros (Taxa Selic) no Brasil reduziu bastante, e com isso, muitos investimentos migraram da renda fixa para a variável. Praticamente dobrou o número de pessoas físicas investindo na bolsa no a o passado, superando 1,5 milhão de investidores. 

“Mas, pelo menos para minimizar os problemas, as lojas que também têm vendas pela internet vão conseguir ter alguma receita nesse conturbado período. Quem não tem esse canal, a receita vai continuar sendo zero até as regras de flexibilização do distanciamento social começarem a ocorrer, e os consumidores voltarem a comprar”. 

Fonte: Andreia Leite

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