Da madeira maciça, um instrumento musical

Você já viu na televisão, ou num tutorial no Youtube, um luthier fabricando um instrumento musical e sentiu vontade de fazer o mesmo? Pois esta é a sua chance. O luthier Wall Silva está criando um grupo de pessoas interessadas em aprender a fabricar seu próprio instrumento.

“Não se trata de um curso para formar luthiers. É um curso no qual a pessoa vai aprender, de forma bem simples e prática, a fabricar um instrumento. É tipo aquela pessoa que quer aprender a fazer comida num curso de culinária”, explicou.

Wall Silva é parintinense e luthier há doze anos. Já foi matéria no Jornal do Commercio, em 05 de outubro de 2017. Fez curso de luthier na Oficina de Luthieria Puro Amazonas com professores formados na Oela (Oficina Escola de Luthieria da Amazônia).

“O nome Puro Amazonas é porque eles só utilizam madeiras puras de nossa região, madeiras de lei, as mesmas que irei usar no curso, que neste momento estou divulgando nas redes sociais buscando formar o primeiro grupo de alunos com, no máximo, seis pessoas, pequeno e enxuto, exatamente para que cada um tenha atenção personalizada. Assim que passar a quarentena, começaremos as aulas”, adiantou.

O curso será dividido em três módulos: no primeiro os alunos vão aprender sobre as madeiras amazônicas utilizadas na luthieria e suas propriedades; no segundo descobrirão as técnicas para tirar o melhor som de um pedaço de madeira; o terceiro módulo é a parte prática, quando todos colocarão a ‘mão na massa’, ou melhor, nas ferramentas e nas madeiras, transformando-as em instrumentos.

Design próprio

O luthier adiantou que no curso será ensinada apenas a confecção de instrumentos maciços.

“Serão quatro instrumentos: guitarra, contrabaixo, violão e cavaquinho, maciços porque não tem o corpo oco, mesmo sendo um violão ou um cavaquinho. A confecção desses instrumentos e mais rápida e, de certa forma, mais fácil, porque exigem menos processos técnicos então o aluno, principalmente se tiver prática em trabalhar madeiras, aprenderá rapidamente”, garantiu.

“Resolvi realizar esse curso porque muitas pessoas me procuram para querer aprender a fazer instrumentos, e a maioria delas são marceneiros que querem se transformar em luthier, mas eu sempre explico que o luthier não é aquele que apenas faz o instrumento. O verdadeiro luthier precisa conhecer sonoridade e saber tirá-la de cada instrumento que fabrica, se não for assim, essa pessoa nunca deixará de ser um marceneiro que fabrica instrumentos”, ensinou.

Apesar de o design dos instrumentos do curso ser bastante conhecido, o aluno poderá dar a sugestão de um design próprio, personalizado, que pretenda ter na peça que fabricará. Um exemplo clássico de guitarras personalizadas é o das utilizadas pelo grupo de rock americano Kiss, com designs que chamavam bastante a atenção, mais ainda uma delas cujo corpo tinha o formato de um machado.

“O aluno aprenderá que tudo é possível quando se tem criatividade. As madeiras que utilizaremos serão o cedro, uma das mais usadas para a fabricação de instrumentos em todo o mundo, a preciosa, o coração de negro, o angelim, e outras, todas encontradas aqui na Amazônia. São madeiras baratas, porém, excelentes para resultar numa peça de qualidade”, afirmou.

O cedro existente na Amazônia tem três variedades: amargo, doce e rosa.

“Suas características variam de acordo com a terra onde nascem. O amargo, por exemplo, não dá cupim, diferente do doce. Essa madeira é utilizada para a confecção de instrumentos maciços. Para os acústicos, seriam o jacarandá e o mogno, inclusive pela beleza da madeira rajada”, falou.

Sobre as dificuldades

No início do curso cada aluno vai poder discutir com Wall Silva como pretende que seja seu instrumento.

“Mas antes do início vou conversar com cada aluno sobre as facilidades e as dificuldades em se fabricar uma peça porque uma coisa é querer fazer, outra é ter que fazer. Ver no tutorial é muito bonito e fácil. Na prática, 80% do trabalho é braçal: cortar madeiras brutas, lixar, plainar, furar, pintar. E ainda tem os riscos para quem nunca usou uma ferramenta de cortar, serrar ou furar. Tudo isso vai ser informado ao aluno para que ele não desista durante o curso, que terá a duração de três meses”, lembrou.

“Tiro isso por mim. Quando fiz meu curso na Puro Amazonas, éramos um grupo, e só acabaram dois, eu e mais um colega”, completou.

O curso é direcionado para quem tem a partir de 18 anos de idade e não precisa ter experiência com madeiras.

“Diria que o mais fácil de fazer é o cavaquinho, e o mais difícil o contra-baixo, ou a guitarra semi acústica, tipo aquela do B.B. King. O aluno aprenderá que as partes de um instrumento de corda são o corpo, o braço e a escala, mas que ele fica com melhor qualidade se for feito numa única peça de madeira”, informou.

Atualmente Wall Silva tem sua luthieria no Manoa onde também funciona uma loja com guitarras fabricadas por ele e ukulelês importados. O ukulelê ganhou fama mundial pelas mãos do cantor havaiano Israel Kamakawiwo’ole, morto precocemente, aos 38 anos, em 1997.

“Em 2001 pretendo abrir uma fábrica de ukulelês e me estruturar para promover cursos de fabricação de instrumentos acústicos”, avisou.

Contatos com Wall Silva: 9 9399-9903 e 9 9173-5014.

Fonte: Evaldo Ferreira

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email