Acesso à tecnologia em baixa no Amazonas

Praticamente um em cada cinco domicílios amazonenses (19,3%) não acessavam internet em 2018, por falta de serviço de rede. Pelo mesmo motivo, 11,5% não utilizam telefones celulares. Apenas o Acre comparece com percentuais maiores, em todo o país – 25,5% e 18,9%, respectivamente. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação).

Nos lares onde o serviço está disponível, por outro lado, o celular é utilizado para acessar a internet em 100% dos casos, situando o Amazonas no primeiro lugar no ranking nesse tipo de comparação – e o único com percentual máximo e acima da média nacional (99,2%). Além disso, 32,6% dos domicílios do Estado possuíam serviço de televisão por assinatura, o maior percentual das Regiões Norte e Nordeste.

Em contrapartida, a fatia de lares amazonenses com televisão (93,8%) estacionou em relação a 2017 e recuou em relação a 2016 (94,1%). O Estado segue a tendência nacional de queda. No Brasil, os percentuais recuaram de 97,2% (2016) para 96,7% (2017), caindo novamente para 96,4% (2018). E 88,4% das casas do Amazonas possuíam televisão com conversor para receber sinal digital de TV aberta, acima da média nacional (86,6%). O acesso também aumentou em relação a 2017 (78,9%) e 2016 (73,3%). 

O acesso das famílias amazonenses ao serviço de TV por assinatura, contudo, sofreu ziguezague: subiu de 31,5%para 33,2% entre 2016 e 2017, mas voltou a retroceder em 2018 (32,6%). O recuou não impediu que o Amazonas (32,6%) superasse a média nacional (31,8%) – cuja tendência vem sendo de queda – e tivesse o maior número entre os Estados do Norte e Nordeste do país.

Em 2018, 28% das casas do Amazonas tinham antena parabólica, número superior ao de 2017 (24,6%) e de 2016 (24,9%). O Estado seguiu na contramão da média nacional, que vem caindo: 3,7% (2016), 32,4% (2017) e 30% (2018). O maior percentual está no Piauí (60,5%) e o menor, no Rio de Janeiro (18,6%).

Em termos de informática, o Amazonas retrocedeu, dando mais lugar ao celular. Em torno de 30,4% dos domicílios pesquisados possuíam microcomputador ou tablet, em 2018, ficando abaixo de 2017 (33,1%) e de 2016 (31,6%). A média nacional é 44,1% e também encolheu, no período analisado.

Fixo x celular

Outro dispositivo que perdeu lugar em paralelo ao avanço da presença onipresente do celular no Estado foi o telefone fixo, cujos percentuais em 2016, 2017 e 2018 foram de 12,8%, 9,9% e 8,8%, respectivamente. O Amazonas também ficou bem abaixo da média nacional (28,4%), que também se mostrou declinante.

Em sentido contrário, o telefone móvel celular vem avançando, ainda que de forma lenta. Em 2018, 90,3% dos domicílios do Amazonas possuíam telefone móvel celular – contra 89,6%, em 2017, e 88,1%, em 2016. Em âmbito nacional, a média de domicílios com telefone celular era de 93,2%, em 2018 e 2017, e era 92,6%, em 2016. O maior percentual está no Distrito Federal (98,1%) e o menor, no Acre (87,4%).

No Amazonas, 75,6% dos domicílios utilizavam a internet em 2018, mais do que em 2017 (70,2%) e 2016 (63,3%), mas abaixo da também crescente média nacional (79,1%). Em torno de 32,6% das famílias amazonenses utilizavam o computador ou o tablet para acessar a internet há dois anos, número abaixo dos registrados em 2017 (34,5%) e 2016 (37,5%), mas em sintonia com a tendência da média nacional, que foi superior (50,5%).

O uso de TV para acessar a internet, por sua vez, tem aumentado nos domicílios amazonenses, passando de 5,4% (2016) para 8,7% (2017), tendo crescido novamente em 2018 (10,7%). Em sintonia, a média brasileira avançou de 11,6% (2016) para 16,1% (2017) e subiu novamente no ano seguinte (23,3%). 

Substituição e acesso

Na análise do o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a posse de aparelhos de TV começa a dar sinais de estabilidade, mas é cedo para dizer se os números seguirão assim. “Na televisão por assinatura, o destaque do Amazonas talvez se justifique pelo aumento na oferta do serviço e cobertura. No interior, a parabólica assinada é muito utilizada para preencher a ausência do sinal aberto”, explicou.

Já a posse de microcomputador, segundo o pesquisador, teria chegado “a um limite”, dado o “alto custo” e o “fator substituição” por smartphones, produto com maior ferramentas de uso e preço mais acessível. Pelo mesmo motivo, prossegue Adjalma Jaques, o telefone fixo tende a desaparecer em breve, tendo sobrevida marginal pelas “vendas casadas” de “algumas empresas”.

“O telefone móvel é o queridinho dos consumidores amazonenses. Isso se deve a grande quantidade de modelos, preços e recursos existente. E, na maioria das cidades amazonenses, a única maneira de acessar a internet pelo celular. O uso da internet nos lares do Amazonas vem aumentando, mas o Estado ainda ocupava uma posição bem inferior se comparado com o restante do país. Isso se deve a falta do serviço, custo alto e pouca oferta”, concluiu. 

Fonte: Marco Dassori

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