14 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)
Ao contrário do que a provocação acima deixa transparecer, não só o governo é responsável pelo pé no freio. Segundo estatísticas divulgadas pelo MEC

Aproveitando a semana em que a Ferrari mostrou o novo bólido que competirá nas pistas da Fórmula Um, recorro a uma piada sobre um antigo piloto brasileiro da escuderia muito bem recompensado pelo Papai Noel por ter sido uma boa pessoa ao longo do ano: afinal, ele não passou ninguém para trás. Pois bem, por esses parâmetros o Brasil também merece um belíssimo presente. “Nunca antes na história deste país” perderam-se tantas oportunidades de crescimento econômico.

Ao contrário do que a provocação acima deixa transparecer, não só o governo é responsável pelo pé no freio. Segundo estatísticas divulgadas pelo MEC (Ministério da Educação) no final de dezembro, apenas 12,1% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados em algum curso superior. A meta do Plano Nacional de Educação de chegar a pelo menos 30% em 2011 cada vez mais parece um ambicioso horizonte difícil de alcançar. Esse índice, além disso, só agrava outro divulgado pelo estudo Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil, feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada): dos nove milhões que pro­cu­ram emprego, só 1,7 milhão têm preparo.

Há certa miopia provocada por parâmetros equivocados na educação de base ou por uma falta de orientação profissional. No momento em que se precisa de gente capacitada para arregaçar as mangas e elevar a economia a patamares mais audaciosos em termos de tecnologia, produtos mais refinados e competição global, faltam talentos. Outro número flagrante da crise é o desinteresse dos jovens por setores estratégicos ao crescimento como as Engenharias. O número de inscritos para cursar essa carreira na Poli caiu de 11,7 mil no vestibular de 2001 para 8,5 mil do ano passado. Vale destacar esse balanço ainda considera os candidatos que competiram por vagas – estáveis nos últimos sete anos – em Computação e Matemática Aplicada.

A educação de qualidade, alinhada às melhores práticas internacionais, deveria ocupar de uma vez por todas as prioridades nacionais. Até o momento, as empresas têm compensado a deficiência na capacitação para o trabalho com eficientes programas de treinamento de jovens ainda quando estudantes com estágios ou, após a graduação, financiando cursos de especialização e mestrado em paralelo com o emprego. O problema é que o horizonte começa a ficar nebuloso com a possível (e temida) recessão da economia norte-americana. A pista molhada é pouco confiável e pode jogar as nossas perspectivas de crescimento para o pit stop e provocar redução na velocidade de contratação de pessoal. Claro que isso será acompanhado por um acirramento da competitividade no mercado de trabalho e conseqüente efeito danoso para o futuro de jovens sem preparação adequada – aliás, hoje a faixa etária que amarga os maiores índices de desemprego.

Para as empresas, num prazo um pouco mais longo, representará um obstáculo, a ser novamente superado, quando os bons ventos internacionais voltarem a soprar e o mundo da produção brasileiro novamente se defrontar com a carência de mão-de-obra qualificada. Portanto, continuar a investir na capacitação dos jovens, pensando no futuro de todos, ainda é a melhor receita para evitar que o fator humano frustre – mais uma vez – uma possível e desejada retomada vigorosa do desenvolvimento.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), da APH (Academia Paulista de História) e diretor da Fiesp.

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