Diretor do BC avalia ser factível convergir inflação, mas, para ele, avanços são insuficientes

O Banco Central considera factível a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% em 2016, mas avalia ao mesmo tempo que os avanços no controle dos preços ainda não se mostram suficientes, sinalizando continuidade do aperto monetário em abril.
“Temos instrumentos e indicamos que a convergência da inflação para a meta em 2016 é factível”, disse nesta quinta-feira o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira, durante apresentação do Relatório de Inflação.
No documento, a autoridade monetária piorou drasticamente a previsão de inflação para este ano a 7,9%, ante 6,1% projetado em dezembro, estimando em 90% as chances de estouro da meta de inflação este ano.
Ao mesmo tempo, o BC melhorou a indicação da alta dos preços para 2016, prevendo inflação de 4,9% frente a 5% estimado anteriormente.
A meta de inflação é de 4,5% com 2 pontos percentuais de banda de tolerância para cima e para baixo. Nos 12 meses encerrados em fevereiro a alta de preços pelo IPCA estava em 7,7%.
Com os preços em forte escalada mesmo com a política monetária contracionista, Awazu foi insistentemente questionado por jornalistas sobre o que o BC fará para tornar crível a previsão de inflação convergente no próximo ano.
Em resposta, o diretor citou os fatores que o BC considera para defender que haverá desinflação da economia brasileira nos próximos trimestres: efeito da alta dos juros, política fiscal mais forte agindo para aumentar a potência da política monetária, concentração dos aumentos de preços (ajustes de preços administrados e externo) nos primeiros meses de 2015, desaceleração do mercado de trabalho e menor repasse do dólar alto para os preços devido a efeitos da desvalorização das commodities.
A mensagem que o diretor procurou transmitir é que 2015 é um ano de transição caracterizado por ajustes de preços relativos e que o processo de desinflação da economia começará no primeiro trimestre de 2016. “A política monetária vai permanecer vigilante para que se elimine efeitos de segunda ordem dos aumentos de preços administrados e de câmbio, para que esses efeitos estejam circunscritos em 2015”, ressaltou.
Ao mesmo tempo, ele disse, por várias vezes, que a autoridade monetária não julga suficiente a melhora das expectativas do mercado para os preços no próximo ano, destacando que a política monetária “permanecerá vigilante”.
Ao mencionar efeitos do câmbio desvalorizado sobre os preços internos, Awazu chamou a atenção para o fato de que esse repasse depende do ritmo da economia.
“A remarcação de preços por variação cambial depende da posição cíclica da economia.”
No Relatório de Inflação o BC piorou sua previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro indicando dois anos consecutivos de recessão, com retração de 0,1% em 2014 e de 0,5% em 2015.
A nova previsão de PIB para este ano considerou baixo crescimento da agropecuária e serviços e retração da indústria, indicando ainda baixa expansão do consumo das famílias e do governo e recuo do investimento.
A revisão do BC para o PIB foi vista como suave por analistas de mercado. A pesquisa Focus mais recente do BC feita com economistas de instituições financeira indicou contratação de PIB de 0,83% este ano. Ao comentar sobre o nível de atividade, Awazu disse que a nova previsão para a economia este ano levou em conta o efeito do investimento menor da Petrobras nas cadeias produtivas e a eliminação de um cenário de racionamento de energia elétrica.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email