Azul Linhas Aéreas aumenta apostas no Amazonas

A Azul Linhas Aéreas está aumentando suas apostas no Amazonas. Nesta semana, a companhia aérea voltou a operar diretamente em Parintins, após um hiato de cinco anos, com aeronaves melhores e mais confortáveis, além de maior frequência de voos. Ato contínuo, a empresa inaugurou uma rota ligando Manaus a São Gabriel da Cachoeira, mediante a mesma estratégia de ampliação e melhoria da qualidade da oferta –em ambos os casos, mediante o uso de aviões da Embraer.

A empresa já opera em quase todos os Estados –exceto no Acre, onde apenas transporta cargas. Já as iniciativas em Parintins e São Gabriel da Cachoeira integram o plano de expansão regional da Azul para o Amazonas, anunciado em junho. Com os novos destinos e a retomada nas cidades em que operava, a empresa deve utilizar todos os tipos de aeronaves da frota, de nove a até 300 assentos, operando em torno de 27 voos diários, atendendo 23 destinos diretos desde a capital amazonense. 

Além de Parintins e São Gabriel da Cachoeira, a Azul espera reativar seus voos em Coari, Lábrea e Maués, até outubro. A empresa também pretende implementar bases regionais, ainda este ano, em Barcelos, Apuí, Eirunepé, Itacoatiara, Humaitá, Borba e Novo Aripuanã. A empresa, contudo, salienta que o ritmo de andamento dos planos ainda depende das condições de infraestrutura nos respectivos aeroportos. 

Problemas assim já haviam levado a empresa a esfriar suas operações na ‘Ilha Tupinambarana’, conforme relata o diretor de Relações Institucionais da Azul, Marcelo Bento Ribeiro, à reportagem do Jornal do Commercio. “Operávamos em Parintins desde 2012, quando tivemos a fusão com a Trip. Mas, devido às deficiências de infraestrutura do aeroporto local, encerramos a operação em 2016. Reiniciamos com a Azul Conecta, em 2020, e, agora, voltamos a operar com a Azul na localidade”, explicou. 

O representante da Azul ressalta que operar em mercados regionais exige investimentos na ampliação e modernização dos aeródromos para garantir “operações mais eficientes e pontuais” e suportar o crescimento da demanda. “Nossa intenção é operar em mais de 200 destinos, nos próximos anos. Mas, é preciso que os aeroportos que temos interesse em operar contem com infraestrutura adequada. Por isso, os investimentos de esferas governamentais em parceria com a iniciativa privada se tornam tão essenciais, para que também possamos avançar em mais localidades”, frisou. 

“Operação robusta”

Desde segunda (2), Parintins conta com oferta de quatro voos diretos semanais: às segundas, quartas, sextas e domingos. A conexão com a capital amazonense contará com uma oferta total de 944 assentos por semana –contra os 72 de antes –ou 3.776 assentos por mês –anteriormente eram 288. Texto fornecido pela assessoria da empresa garante que os voos seguirão “rígidos protocolos e medidas de higiene”, estabelecidos desde o início da pandemia, com Manaus funcionando como hub estadual. 

No dia seguinte, foi a vez da Azul começar a operar em São Gabriel da Cachoeira, também com aeronaves da Embraer, três vezes por semana. Os aviões comportam 118 passageiros. O serviço será realizado às terças, quintas e sábados, com saída de Manaus às 8h35 e chegada às 10h15 em São Gabriel da Cachoeira. O retorno para a capital amazonense acontecerá nos mesmos dias, às 11h15, com chegada às 12h55 na capital. 

“Operar com os jatos da Embraer em Parintins reforça o compromisso da Azul com o desenvolvimento da aviação regional no Estado. É muito gratificante enxergar o potencial desta rota e, por acreditar na região, decidimos apostar numa operação mais robusta”, comemorou o gerente de Planejamento de Malha da Azul, Vitor Silva, acrescentando que a ‘Ilha Tupinambarana’ e São Gabriel da Cachoeira são apenas o início do plano de atuação da companhia para o Amazonas.

Assim como ocorrido em Parintins, o primeiro voo com a aeronave a jato foi recebido por autoridades locais com muita festa e expectativas. “É um momento importante para a aviação do Amazonas, mas um momento também muito importante para o interior, para garantir o direito fundamental do cidadão, que é o de ir e vir. A Azul está fazendo uma expansão histórica no Estado”, comemorou o governador Wilson Lima, em texto divulgado pela Secom (Secretaria de Comunicação Social).

“Desafios logísticos”

Sem mencionar números, Marcelo Bento Ribeiro garantiu à reportagem do Jornal do Commercio que a Azul é a companhia que mais investe no mercado regional brasileiro, além de voar para destinos “onde nenhuma outra companhia está”. “De olho na importância desse mercado, criamos a Azul Conecta em 2020, a partir da aquisição da Two Flex, visando desenvolver nossa atuação sub-regional”, contou.

O dirigente destaca a importância da operação no Amazonas, onde a Azul atende empresários, comerciantes e famílias inteiras que viajam a lazer. “Poucos lugares no mundo têm os desafios logísticos e a necessidade de integração aérea. Voar para São Gabriel e retomar as ligações em Parintins aproximam essas regiões do Estado com a capital e com as demais unidades federativas do país, levando desenvolvimento a todas essas regiões”, listou.

Embora prefira não entrar em detalhes sobre as próximas etapas do projeto de expansão, o dirigente assinala que outros destinos do Amazonas devem entrar na malha local da companhia aérea, no médio prazo. “Estamos sempre buscando ampliar nossa frota, oferecendo mais opções de conexões para os nossos clientes. A ideia é recompor a oferta de frequências que tínhamos antes da pandemia, amadurecer a operação nas novas cidades e pensar futuramente em novos incrementos na oferta”, concluiu.

PPPs para o Amazonas

Texto postado na Agência Brasil aponta que a iniciativa da Azul vai ao encontro da política de investimentos em aeroportos regionais conduzida pela SAC (Secretaria Nacional de Aviação Civil) e Infraero. “A gente está falando de levar a aviação para o interior, de democratizar o serviço, de conectar as pessoas que, naquela região, dependem muito de transporte aéreo”, declarou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

O mesmo texto informa que, em dois anos, o governo federal investiu mais de R$ 1,4 bilhão na aviação regional do Brasil, por meio de projetos, compra de equipamentos de navegação aérea ou revitalização dos aeroportos –sendo que o Amazonas teria recebido R$ 200 milhões em aportes. A Agência Brasil informa ainda que o Planalto trabalha para desestatizar aeroportos regionais, por meio de PPPs (parcerias público-privada). Um projeto-piloto está em fase inicial no Amazonas, propondo a concessão dos aeroportos de Parintins, Carauari, Coari, Eirunepé, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Lábrea e Maués, com injeção de capital prevista de R$ 380 milhões.

Foto/Destaque: Divulgação

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