Aumenta risco de calote da Grécia

Ministros de Finanças da zona do euro não chegaram a um acordo com a Grécia

Os ministros de Finanças da zona do euro não chegaram a um acordo com a Grécia nesta quinta-feira (18) para evitar um calote aos credores e o risco de o país deixar o bloco da moeda única. Os chefes das 19 economias do grupo reuniram-se por cerca de quatro horas em Luxemburgo para encontrar uma solução que impeça o colapso grego a partir de julho. Esse encontro era considerado decisivo.
O presidente do Eurogroup, Jeroen Dijsselbloem, anunciou a falta de um acordo, mas disse que uma solução ainda é viável nos próximos dias. “Pensamos que ainda é possível”, afirmou.
A Grécia negocia com o BCE (Banco Central Europeu) e o FMI o desbloqueio de uma ajuda de 7,2 bilhões de euros, última parcela do socorro de 240 bilhões de euros recebido de ambos nos últimos cinco anos. A verba serviria para manter sua recuperação e quitar, até 30 de junho, uma parcela de 1,6 bilhão de euros da dívida com o FMI. Diante do impasse e do prazo se esgotando, cresce a possibilidade de uma reunião de emergência domingo (21) ou segunda-feira (22) entre os líderes dos países do bloco econômico.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, do partido de esquerda Siryza, diz que sem o dinheiro não tem como pagar o débito. Se não conseguir acesso aos 7,2 bilhões de euros até o fim do mês, Atenas dará o calote e poderá ficar, pela primeira vez em cinco anos, sem um suporte financeiro externo, aumentando a pressão para que deixe a zona do euro.
A chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou nesta quinta-feira que espera uma sinalização de “vontade” da Grécia em aceitar as condições impostas para receber a parcela de 7,2 bilhões de euros. “Onde há um desejo, há um caminho”, disse. Em troca da liberação da verba, líderes europeus cobram medidas de austeridade consideradas inviáveis por Alexis Tsipras, eleito em janeiro com a bandeira contra os cortes de gastos implementados pelos governos anteriores, de centro-direita.
FMI e BCE cobram, entre outras coisas, corte em despesas da Previdência, além do aumento de impostos no setor elétrico. O governo grego acusa os credores de tentaram “estrangular” e “humilhar” o país. O efeito do calote seria imediato, com os bancos gregos tendo de conter os saques para evitar a insolvência.
Esse cenário dependeria também de uma ação do governo para limitar as retiradas de dinheiro, causando desgaste político para Tsipras e seu partido. Simpatizantes do Syriza já têm ido às ruas de Atenas defender a postura do seu líder.
Tsipras participa nesta quinta (18) de um fórum econômico em São Petersburgo. Ele deve aproveitar a viagem para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin. Apesar da especulação, seus aliados negam qualquer tipo de pedido de socorro financeiro a Moscou. O Banco Central da Grécia fez um apelo nesta quarta (17) e afirmou que um calote pode levar o país a uma “crise incontrolável” e um “curso doloroso”, com “grandes riscos” para o sistema bancário.

Folhapress

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