Crise atinge indústria de componentes

Cerca de seis indústrias de componentes estão em férias coletivas por falta de demanda

Cerca de seis indústrias que produzem componentes para motocicletas estão em férias coletivas por falta de demanda. Como um efeito ‘dominó’, a redução nas comercializações afeta diretamente o índice produtivo das fabricantes que começam a paralisar as atividades por falta de pedidos. Fabricantes do polo de duas rodas instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) enfrentam um período de desaquecimento nas vendas. Dados divulgados ontem pela Abraciclo afirmam que na primeira quinzena deste mês houve queda de 6,9% nas vendas diárias de motos em comparação ao mesmo período de 2014.
De acordo com o presidente da Aficam , Cristóvão Marques, dentre as indústrias fornecedoras de componentes que paralisaram os trabalhos estão a Ifer da Amazônia Ltda. e a Wap Metal Componentes Metálicos da Amazônia. As empresas atuam no ramo da estamparia, fundição, cortes, chicotes e cabos, dentre outros serviços.
Marques explica que o problema acontece em cadeia e é resultante da redução nos índices de comercialização das motocicletas. Ele avalia que com menos escoamento do bem final há menor geração de pedidos às fornecedoras. “Sem produção e vendas tem-se a diminuição nas arrecadações estaduais e federais. Os reajustes implementados pelo governo federal estão prejudicando o funcionamento das empresas. É isso que está paralisando as atividades”, disse.
Outro fator negativo decorrente da queda nas vendas, citado pelo presidente, é o crescimento no índice de demissões das fornecedoras de componentes. Segundo ele, 50% do quadro funcional das indústrias já foi reduzido. “Já demitimos mais de 13 mil funcionários e se o cenário produtivo não melhorar esse número deverá crescer ainda mais. Não acredito que a situação melhore no segundo semestre. Esta é a pior crise que já enfrentamos”, exclamou.
Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a redução nas vendas de motocicletas está diretamente ligada a um conjunto de fatores que passam pela dificuldade do cliente em ter acesso ao crédito para financiar uma moto e às demais questões que também estão relacionadas à crise econômica nacional. Ele frisa que o governo federal tem a maior parcela de responsabilidade quanto ao atual cenário econômico visualizado no país. “Se as montadoras sofrem, toda a cadeia também sente o impacto. O governo federal precisa resolver a situação com medidas que corrijam as contas do governo de forma que o país tenha melhorias em infraestrutura e na correção dos custos da máquina pública”, avaliou. “Estamos fazendo o possível para manter as atividades e os empregos”, completou.

Moto Honda
A Moto Honda da Amazônia também passou por uma reavaliação nos índices produtivos para este ano. O gerente de Relações Institucionais da empresa, Mario Okubo, informou que no final de 2014 a fabricante previa para este ano uma produção igualada à do ano anterior. Porém, ele afirma que após cinco meses houve necessidade de uma reavaliação no planejamento. “Após os cinco primeiros meses tivemos que rever o nosso plano. Houve uma diminuição de 100 mil motos dentro do que havíamos planejado para este ano”, disse.
Para o gerente, a redução nos índices de vendas é atribuída à dificuldade no acesso ao crédito. “O principal fator dificultador, hoje, é a falta de financiamento dos agentes financeiros. Ou seja, os bancos estão sendo mais rígidos para a aprovação de créditos e isso inibe a procura. Para se ter uma ideia a cada dez pedidos de crédito somente dois são aprovados”. Okubo ainda disse que a alternativa apresentada pela multinacional no momento de recessão econômica é o investimento na garantia da qualidade dos produtos. “A Honda investe na qualidade de seus produtos e busca sempre satisfazer o consumidor. É na crise que devemos ser mais criativos para podermos superar os problemas. Devemos tentar aumentar a exportação aproveitando a desvalorização do real, por exemplo”.

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