Apostas negativas para o PIB no Amazonas, dizem especialistas

A crise do Covi-19 deve reduzir o PIB brasileiro em 5%, conforme relatório do Banco Mundial, divulgada nesta segunda (13). A estimativa de declínio para o país é mais acentuada do que a da América Latina (-4,6%) – que não inclui a Venezuela no cálculo. Para 2021, as projeções apontam para retorno ao campo positivo, com elevações de 1,5% para o país e de 2,3% para o subcontinente.

Fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio avaliam que o tombo do Amazonas deve ser de 4% a 6%. Tudo vai depender da evolução de um cenário que se mostra volátil, com viés de baixa, e a perspectiva cada vez mais próxima de um lockdown no Estado, diante do avanço muito acima da média nacional nos números de casos confirmados do novo coronavírus. As perspectivas para 2021, contudo, são de uma retomada mais forte em nível local.    

As expectativas do mercado financeiro capturadas pela pesquisa semanal Focus, do Banco Central, apontam números mais conservadores e menos pessimistas. A previsão de recuo do PIB é de 1,96%, conforme os resultados divulgados pelo BC, nesta segunda (13) – contra os 1,18% da semana passada. Foi a nona redução consecutiva. Em contrapartida, a projeção para 2021 subiu de 2,50% para 2,70%, no mesmo período. 

A apostas para a inflação caíram de 2,72% para 2,52%, praticamente no limite inferior da meta do BC, o que leva o mercado a aguardar que o Copom (Comitê de Política Monetária) efetue um novo corte de 0,50% na Selic, baixando a taxa dos atuais 3,75% para 3,25% ao ano. Um obstáculo a esse movimento pode vir do câmbio, dado que os analistas aguardam mais elevações no dólar – as projeções para o encerramento do ano passaram de R$ 4,50 para R$ 4,60, em uma semana.

Estoques e incerteza

Em conversa com o Jornal do Commercio, o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, concorda que o cenário é volátil e antecipa que a redução no PIB do Estado deve ficar ao redor dos 4%, dependendo como se comporta o país como um todo, nos próximos dois meses.

“São muitas variáveis, estoques encalhados e uma incerteza grande da população com respeito a manutenção ou não dos empregos. Isso tudo, entre várias outras situações que podem ocorrer. Por outro lado, temos uma injeção de dinheiro na economia pelo governo federal, aumentando o déficit do país. Pesando tudo isso, ainda estimo uma perda substancial no ano de 2020”, ponderou.

Indagado sobre os diferenciais que permitiriam o Amazonas ter um desempenho acima da média do país, o secretário estadual  aponta o crescimento do agronegócio e a recomposição de estoques dos lojistas que usam e-commerce, bem como “uma certa maior disposição às compras” na segunda metade do ano e mais próximo do Natal, período em que a crise já deve ter passado, segundo Veiga. “Mas, não tenho dados técnicos para corroborar essas expectativas”, frisou.

Jório Veiga informa que todos os projetos estaduais de desenvolvimento para 2020 – com foco no interior – sofreram impacto negativo do Covid-19, sendo que mesmo aqueles que não foram afetados na sua execução total, vão sofrer “uma demora que não será recuperada”. Em relação às perspectivas de retomada projetadas pelo Banco Mundial para o país em 2021, Jório Veiga diz que o número parece razoável também para o Estado, dado que a base de comparação será bem mais baixa – e negativa. 

“Por enquanto, o mais importante é manter as atividades essenciais e permitir que o sistema de saúde consiga lidar com os casos. A indústria tem bons protocolos. Mas é importante, para vender, que o comércio de todo o país abra. E não somente o de Manaus, ou Amazonas, pois os grandes mercados estão no Sul e Sudeste do país”, reforçou.

Já o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão, disse ao Jornal do Commercio que vê uma piora mais acentuada para o PIB do Amazonas, ao final deste ano, com impactos negativos e generalizados em todas as atividades econômicas. Para ele, a retração do Estado deve variar de 5,5% a 6%, em virtude de seus diferencias na economia e na curva de contágio do novo coronavírus. 

“As perspectivas de lockdown são cada vez mais fortes e vão chegar com força na produção e no consumo, agravando a atua crise. Vamos sentir isso com mais força, porque o Estado estava despreparado. O governador recebeu a Saúde com problemas vindos da administração anterior. Recebeu um voucher da Aleam para políticas de austeridade e remanejo do FTI, mas não fez Reforma Administrativa, nem conseguiu reverter o quadro”, lamentou.   

O economista concorda, no entanto, que 2021 será um ano de crescimento mais forte do que a média brasileira, dada a base de comparação depreciada para o PIB e a demanda reprimida do consumidor amazonense. “Assim que a crise acabar, teremos empresas contratando e consumidores voltando a receber, e correndo para as compras. O problema será nas contas públicas, mas já se abre um caminho para o país usar metade de suas reservas internacionais para garantir a economia até lá”, arrematou.

Choques e informalidade

Em seu relatório, o Banco Mundial lembra que diversos choques depreciaram a taxa de crescimento econômico da América Latina e do Brasil em 2019, passando por convulsões sociais e colapso dos preços internacionais, até chegar à crise do Covid-19. “A demanda da China e dos países do G7 deverá cair drasticamente, afetando os exportadores de commodities da América do Sul e os exportadores de serviços e bens manufaturados da América Central e Caribe. O colapso do turismo terá impacto severo em alguns países do Caribe”, assinalou o relatório.

Espaço fiscal limitado e níveis mais elevados de informalidade no mercado de trabalho completa o cenário recessivo projetado pelo organismo internacional vinculado à ONU. “Muitas famílias vivem ‘da mão para a boca’ e não dispõem de recursos para suportar os bloqueios e quarentenas necessários para conter a propagação da pandemia. Muitos também dependem de remessas internacionais, que estão em colapso. Por isso a necessidade de aumentar e estender os programas de assistência social”, concluiu.

Fonte: Marco Dassori

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