Após parcerias, Bramont volta ao PIM

O Polo de Duas Rodas, setor que mais emprega mão de obra no Polo Industrial de Manaus receberá, ainda este ano, um reforço de peso na tentativa de fugir da crise. Depois de encerrar a fabricação de motocicletas no PIM, a Bramont anunciou que no próximo mês de setembro voltará a montar motocicletas na Zona Franca de Manaus. A novidade foi confirmada pelo Diretor Comercial da Bramont, Jean Anwandter em entrevista ao Jornal do Commercio.
Segundo Anwandter, a decisão foi tomada após parcerias firmadas com a marca italiana Benelli e com a chinesa Keeway.
“Fechamos com bons parceiros, que são a Banelli e Keeway. Vamos produzir boas motocicletas destas marcas para o mercado brasileiro. Por isso decidimos voltar a fabricar não só motos pequenas, mas também motos grandes”, explicou.
A marca italiana marcará o reinício das operações com veículos de duas rodas já no mês de setembro, com os modelos TNT e Tre-K, ambos com motores de três cilindros com capacidade cúbica de 899 ou 1.130 centímetros cúbicos. Mais tarde, em janeiro, será a vez da Keeway, que produzirá motocicletas e scooters com motores entre 125 e 350 cc.
A Benelli mais acessível será a TNT 899, com preço estimado de R$ 39,5 mil. Outros modelos, como a Tre-K, podem chegar por R$ 47 mil. Já os preços das Keeway variam entre R$ 4,3 mil e R$ 11,5 mil.

Vendas

De acordo com Anwandter, as vendas começam em outubro. A primeira loja será aberta no Morumbi, bairro nobre da capital paulista. A segunda ficará no Rio de Janeiro. Em 2014, a intenção é expandir os negócios para Curitiba (PR), Goiânia (GO) e Brasília (DF). O executivo afirma que Benelli e Keeway não serão vendidos numa mesma concessionária.
Mas apesar da ampla distribuição de revendedores pelo país, o diretor é cauteloso ao fazer a estimativa de vendas neste primeiro ano de operações da Bramont no Polo de Duas Rodas. “A gente ainda não pode falar em expectativas de vendas porque depende muito do que vai acontecer com a economia neste semestre, principalmente com o aumento do dólar”, concluiu.

Fabricantes apostam em estagnação do setor

A retomada na produção de motocicletas por uma empresa do Polo Industrial de Manaus contraria a tendência pessimista no setor de duas rodas. Na opinião do presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas), Marcos Fermanian, somente com muito otimismo produção e vendas devem ficar no mesmo patamar de 2012. No primeiro trimestre deste ano, as previsões eram de um crescimento tímido no setor de duas rodas, em torno de 3,7%. Mas a queda de 13,6% na produção de veículos de duas rodas nos primeiros seis meses de 2013 obrigou os fabricantes a reverem os números.
“Prevemos que a produção e a venda no atacado fiquem no mesmo patamar de 2012 e isso já é otimista”, afirmou.
Com isso, a produção anual do setor de duas rodas deve ficar em 1.690.000 unidades como no ano passado. Segundo Fermanian, as novas projeções já levam em conta o menor crescimento do PIB nacional, o atual cenário de inflação e a flutuação do dólar.
Nem mesmo o bom resultado do mês de julho – com a produção crescendo 7,6% se comparado a maio, passando de 140.914 para 151.652 unidades – é sinal de melhora. “O crescimento refletiu, principalmente, a antecipação das linhas de montagem em função da paralisação das férias coletivas em julho”, disse Fermanian.

Emplacamentos

Se a produção cresceu, no mês de junho as vendas caíram. Foram vendidas 125.002 motocicletas, quantidade 3,99% menor do que em maio (130.199 unidades). E isso contribuiu ainda mais para que, no acumulado, o emplacamento de motocicletas registrasse uma queda de 9,79%, com a venda de 748.252 motocicletas em 2013, ante 848.607 nos seis primeiros meses do ano passado. Os dados são da Fenabrave, a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos. “Nas motos a dificuldade continua sendo o crédito”, afirma Alarico Assumpção Júnior, vice-presidente da entidade, que não arriscou ainda rever suas projeções.
Por outro lado, a Abraciclo também anuncia queda nas vendas no varejo, ainda que pequena. Para os fabricantes, as vendas devem cair 0,4 % e ficar na casa de 1.630.000 unidades. Muito em função da diminuição no financiamento das motocicletas, que recuou 22,6% se comparado a 2012 – passando de 390.847 veículos financiados no primeiro semestre do ano passado para 302.579 no mesmo período de 2013. “Não falamos mais em crise de crédito. Isso já é um fator do mercado financeiro”, concluiu o presidente da Abraciclo.

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