A inovação e o progresso econômico

O economista Joseph Schumpeter é um dos precursores da teoria que relaciona o progresso econômico e a inovação através do espírito empreendedor. Para ele, a relativa eficiência de um sistema econômico depende não de como ele “administra estruturas existentes”, mas em como ele gera inovação. Relembrá-lo é pertinente neste momento em que o novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, assume o cargo com discurso de apoio ao investimento em tecnologia da informação e comunicações.
Considerando ser a instituição importante fonte de fomento, sua nova orientação poderá ampliar o papel do Estado brasileiro como catalizador da inovação, em especial nos dois principais eixos da tecnologia contemporânea: a da informação e das comunicações. Ambas representam 27,5% do valor agregado da indústria nas nações ricas. Aqui, somente 5,5%. É preciso, portanto, avançar nesses dois campos, fundamentais para a soberania econômica. O foco ampliado do BNDES para os dois setores será positivo para todos os setores de atividade. A inovação na gestão dos negócios é uma questão crucial para o desenvolvimento ou a sobrevivência das empresas, até por que, pelo raciocínio schumpeteriano, o crédito é essencial ao processo econômico.
Uma outra questão muito importante é que hoje a competividade das empresas já não é mais apenas limitada à sua competitivade individual. É lógico que ela é importante, mas para o sucesso de um empreendimento é imperativo que a cadeia de valor na qual ele esteja inserido seja competitiva. Isto envolve o suprimento da matéria-prima, os processos produtivos e toda logística envolvida de suprimento e distribuição. Esta é uma área que traz uma grande oportunidade de ganhos, uma cadeia de valor eficiente. Fazendo banchmarking com um setor que está em um estágio bastante avançando da aplicação da padronização e a automação, como, por exemplo, o varejista de auto-serviço, imaginemos se cada estabelecimento nesta área exigisse de cada um o uso de uma tecnologia ou ferramentas diferentes para sua automação. A situação oposta à que encontramos hoje. O nível de serviço seria bastante inferior e especialmente o preço pago pelo consumidor significativamente maior.
A maior disponibilidade de recursos do BNDES para as áreas de TI e de comunicações contribuirá para que sistemas de gestão e as tecnologias da automação, tais como código de barras e identificação por radiofreqüência, disseminem-se de modo mais ágil e amplo no país. Porém, ele deve ser complementado com ações que tornem as empresas mais eficientes e competitivas no uso deste ferramental, ajudando-as a se organizarem eficientemente dentro de suas cadeias. É importante que se desenvolvam boas práticas, que se padronizem e se sistematizem o máximo possível as relações. Que se utilizem identificações comuns, padrões de código de barras e RFID (Radiofrequência), documentos e processos padronizados. Isto reduz significativamente o custo de personalização dos sistemas e de sua manutenção, além de proporcionar grande agilidade na condução dos negócios e na operacionalização das vendas em entregas.
Uma grande referência no mundo são os padrões do Sistema GS1, de identificação, automação com uso de código de barras (EAN) e identificação por radiofreqüência, cada vez mais utilizados em cadeias de valor dos mais diversos segmentos, em um esforço coordenado, do qual participa a GS1 Brasil (Associação Brasileira de Automação), organização sem fins lucrativos, cujo objetivo é estabelecer padrões para a melhoria da eficiência das cadeias de suprimentos. Existe a máxima de que a “simplicidade é o máximo da sofisticação”.
Muitas vezes, acabamos complicando nossas próprias vidas com soluções complexas e caras. Por que não inovar aplicando a simplicidade?

Roberto Matsubayashi é gerente de Soluções e Negócios

ERRAMOS

COSMÉTICOS

Erramos na capa da edição da última quinta-feira, na chamada da matéria publicada na pá

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