A força nipônica na Zona Franca

Sendo o Brasil atualmente a sétima maior economia do mundo, é natural que uma nação economicamente forte como o Japão buscasse atividades de cooperação. No Amazonas, o interesse japonês iniciou na década de 1930 visando a produção agrícola, até que nos anos de 1970, empresas japonesas e todo seu aporte tecnológico aportaram no PIM (Polo Industrial de Manaus). Estas empresas representam 20% do faturamento do PIM e geram cerca de 30 mil postos de trabalho, ou 20% da mão de obra do Distrito Industrial (dados da Kaigisho – Câmara de Comércio e Indústria Nipo-Brasileira do Amazonas para 2015) em segmentos que vão do polo de duas rodas ao eletroeletrônico e de condicionadores de ar, passando por farmacêutico e relojoeiro.

Entidades intermedeiam ações

A Kaigisho, entidade de classe empresarial que representa as empresas de capital japonês atuantes no estado, fundada em 1987, vem funcionando como agregadora de empresas atuantes ou interessadas em fazer parte do PIM, conta o presidente da comissão de relações institucionais da Câmara, Iuquio Ashibe. “É uma mão dupla de troca de conhecimentos. Em quase 30 anos de atuação, mostramos ao empresariado amazonense nossa cultura empresarial, o jeito japonês de empreender e trabalhar recursos humanos. Por outro lado, damos ao investidor japonês informações sobre como funciona a legislação brasileira e os incentivos fiscais, coisas de que não sabiam muito”, disse o senhor Ashibe.
A atuação da Kaigisho, desde sua fundação, objetiva algo que parece ser novo. “Temos como um de nossos objetivos fazer com que haja o empreendedorismo japonês na Amazônia, mas preservando o grande patrimônio que é o meio ambiente. A Câmara ainda hoje registra interesse de japoneses pelo PIM, com a receptividade oferecida pelo Estado. São empresas que acreditam que investir aqui ainda é um porto seguro”, fecha o presidente.
Outra importante entidade, a JICA (Japan International Cooperation Agency, ou Agência de Cooperação Internacional do Japão) realiza o envio de voluntários japoneses para o Brasil e ao mesmo tempo, oferece o treinamento para Nikkeis (emigrantes japoneses e seus descendentes que fundaram novas comunidades) no Japão, ambos com o objetivo de apoiar as suas ações de contribuir para a melhoria das comunidades locais. Só no Brasil são 1,9 milhão de Nikkeis. A JICA firma parcerias com as empresas japonesas que possuem suas filiais no Brasil, a fim de intermediar a solução de diversos problemas de capacitação técnica, disse o representante chefe do escritório da JICA Brasil, Ryuichi Nasu. “Com esta parceria, torna-se possível a excelente capacitação técnica pelas empresas japonesas e assim, estas empresas têm a oportunidade de conquistar novos mercados e o Brasil também ganhará com o crescimento econômico sustentável”, conclui.

Investimentos a partir dos anos 70

O polo de duas rodas do PIM é um dos segmentos com exemplos grandiosos de investimento do capital nipônico em terras brasileiras. No Amazonas desde 1976, a Moto Honda da Amazônia, empresa líder do mercado de motocicletas, só nos últimos cinco anos investiu aproximadamente R$1,1 bilhão no Amazonas. Em novembro de 2015 a multinacional iniciou a produção de tubos e o spin casting (fundição centrífuga), operações que demandaram investimentos de R$75 milhões.
Em 2014, a Moto Honda atingiu a marca de 20 milhões de motocicletas fabricadas em Manaus. Segundo o diretor-executivo de Relações Institucionais da Honda South America, Paulo Takeuchi, atingir a marca de 20 milhões representou uma renovação de forças para a empresa que nos últimos meses reduziu operações. “Em 1976 chegamos ao primeiro milhão de motos produzidas ‘made in ZFM’. Em 2007 foram 10 milhões e esperamos chegar aos 40 mi em 2020. É um desafio para nós mesmos,” disse Takeuchi.
*A tradicional di scrição japonesa impediu a reportagem de conseguir números de investimentos de outras fábricas e segmentos.

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