Japoneses fortalecem o setor primário

Pioneiros na contribuição para o desenvolvimento do setor primário do Amazonas, os japoneses são responsáveis pelo incentivo à produção rural local. A adaptação da juta em solo amazonense, o cultivo de hortaliças, e a expressividade da avicultura de postura comprovam o empenho do povo oriental em fazer parte do desenvolvimento econômico e social do Estado. Somente a avicultura desenvolvida pelos japoneses tem participação de mais de 80% do total produzido, em relação aos produtores amazonenses, segundo a Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas).
De acordo com o presidente da Faea, Muni Lourenço, a história construída e mantida pelos japoneses no Amazonas é de fundamental importância para a economia local. Ele relata que os imigrantes atuaram na adaptação da juta no Estado, trabalho que teve início no município de Parintins (distante 369 quilômetros), e ainda, que os estrangeiros contribuem em outras práticas de manejo como da avicultura de postura (produção de ovos de galinha) e na produção de hortaliças.
“A colônia japonesa teve e tem até os dias atuais uma relevante participação na produção rural amazonense, desde a adaptação da juta em solo amazonense, na Vila Amazônia no município de Parintins, até à produção de hortaliças na Região Metropolitana de Manaus, sobretudo em Iranduba; e em especial no segmento da avicultura de postura que tem uma expressiva contribuição da talentosa e competente força de trabalho dos japoneses e descendentes”, disse.
O presidente explica que é quase impossível falar em desenvolvimento agrícola sem citar a contribuição deixada pelos orientais ao Amazonas. Ele lembra que imigrantes estudantes de agronomia conseguiram adaptar as fibras vegetais, no caso a juta, às condições climáticas e de solo locais. Atualmente, o trabalho científico resulta em fonte de renda a milhares de produtores rurais ribeirinhos do Amazonas.
“Esse trabalho nos garante, hoje, o título que muito nos orgulha, de maiores produtores brasileiros de juta e malva, fibras de relevância para a produção da sacaria que embala o café brasileiro, exportado para o mundo inteiro”, destacou.
Na avaliação de Lourenço, os imigrantes conseguiram durante as últimas décadas consolidar um polo produtivo por meio de tecnologias e estruturas modernas que resultam, atualmente, em atendimento à quase totalidade da demanda dos amazonenses ao consumo de ovos. “Os primeiros japoneses que chegaram ao Amazonas foram capazes de enfrentar e superar as peculiaridades de um continente estranho, com doenças tropicais e dificuldades de comunicação. Foi o tenaz trabalho da colônia japonesa que consolidou um polo produtivo capaz de garantir boa parte do atendimento ao consumo de ovos, alimento barato e consumido por todas as camadas sociais da população amazonense”.
Segundo o presidente da Associação dos Avicultores do Amazonas, Kuniya Takano, em Manaus existem 38 granjas, das quais, 90% ainda utiliza os métodos tradicionais de manejo que vão desde a distribuição dos alimentos às aves até a coleta dos ovos para o armazenamento. Ele afirma que a automatização começa a ser inserida no sistema de trabalho, mas ainda de forma tímida por conta dos custos elevados.
“Enfrentamos dificuldades para conseguir mão de obra para atuar nas granjas, então, algumas granjas migraram para o sistema automatizado, onde a distribuição da ração acontece por meio de carros; e a coleta dos ovos é feita por uma gaiola que em seguida os despeja em uma esteira e que os transporta ao local do armazenamento. Mas, a evolução ainda é lenta”, afirma.
O setor da avicultura conta com 2,5 milhões de aves de postura e abastece 90% da demanda estadual. O Amazonas recebe 10% dos ovos do Estado do Mato Grosso.
Conforme Takano, a dificuldade em automatizar as granjas no Estado está nos altos custos desembolsados para o pagamento de alimentos como o milho, o farelo de soja e o calcário. Ele considera a necessidade produção dos produtos em solo amazonense.
“O milho e o farelo de soja são provenientes do Mato Grosso e o calcário vem de Minas Gerais e de Goiás. Tudo vem de fora, o que torna os valores mais caros. Se o Estado investisse nas técnicas de produção local seria possível impulsionar a avicultura e ainda a psicultura. Há estudos que afirmam a possibilidade desse cultivo em áreas de várzea”, disse.
A avicultura agrega cerca de 2,5 mil trabalhadores diretos, número que chega a oito mil quando relacionado aos indiretos.

Kasato Maru chega a Santos

No dia 18 de junho de 1908 chegou ao porto de Santos o Kasato Maru, navio que trouxe 165 famílias de japoneses, sendo a maioria dos imigrantes formada por camponeses de regiões pobres do sul e norte do Japão. No dia 2 de janeiro de 1930, chegaram ao Amazonas os primeiros japoneses, que aportaram em Maués, onde se dedicaram ao cultivo do guaraná. Em 1941, uma epidemia de malária matou várias famílias, fazendo com que os colonos mudassem para a colônia japonesa na Vila Amazônia, próxima a Parintins.
Antes, porém, da chegada desses japoneses ao local, lá estavam outros colonos que haviam chegado em 20 de junho de 1931: os koutakusseis (japoneses que estudaram nas escolas Kokushikan Koutou Takushoku Gakko ou na Nippon Koutou Takushoku Gakko, e que participaram do Projeto da Exploração da Mata Amazônica). Os jovens tinham idade entre 19 e 20 anos, estudantes de agronomia, provenientes de famílias de classe média, que vieram para o Brasil com o intuito de se fixarem no Amazonas.

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