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O exemplo do Vale do Silício – para profissionais e empresas

Tanto sucesso não tem passado despercebido e outras regiões e até países vêm tentando reproduzir o mistério do Vale. Porém, o que torna o Vale especial não pode ser facilmente reproduzido. Trata-se de uma combinação de fatores, nem todos propositais. O exame desses fatores ajuda a entender as organizações de conhecimento intensivo.

Em 1997, a maior concentração de empresas de conhecimento intensivo do planeta estava no Vale do Silício, um pedaço estreito de terra entre San Francisco e San Jose, na Califórnia. O PIB da região era estimado em 65 bilhões de dólares, aproximadamente o mesmo do Chile no mesmo período. O Vale tinha dois milhões de habitantes e o salário médio era de quase 44 mil dólares por ano.

Mesmo com as dificuldades experimentadas pelas empresas há alguns anos, o Vale do Silício permanece como um caso exemplar, com muitas lições a ensinar sobre modelos de negócio, arquitetura organizacional, modelos de gestão e inovação.

Entusiasmo pela mudança

Em segmentos de alta tecnologia a velocidade de mudanças é tão grande que qualquer falha pode tirar uma empresa do mercado. No Vale, costuma-se afirmar: “Ou nos tornamos obsoletos nós mesmos, ou a concorrência o fará.”

Apego ao risco

Crise é oportunidade. Este parece ser o lema dos investidores que atuam no Vale. Em outros lugares, o financiamento para um novo empreendimento somente é aprovado perante a apresentação de planos de negócio detalhados com estudos de mercado e fluxo de caixa futuro. No Vale, as pessoas e suas ideias são tão ou mais valorizadas que o planejamento no papel.

Tolerância ao erro

Na maioria dos países, a falência é estigmatizada. A punição vai da desqualificação para a atividade empreendedora até a prisão. No Vale, a falência é mais como uma cicatriz ou um acidente de percurso. Os erros são esquecidos com um pouco mais de facilidade, ou talvez não se dê tanta evidência a estes.

Meritocracia

Nas empresas do Vale, experiência e idade não valem grande coisa para promoção. A rápida obsolescência do conhecimento gera um viés a favor dos mais jovens. Muitas empresas são hoje geridas por pessoas com menos de 30 anos. Empreendedores vindos de fora fracassam quando tentam trazer para o Vale seus velhos esquemas hierárquicos de organização.

Obsessão com o produto

O Vale do Silício começou com engenheiros fascinados por tecnologia. Essa fascinação tornou-se um traço cultural dominante nas empresas da região, traço que faz com que os assuntos do trabalho invadam os restaurantes e bares da região. A obsessão com o produto e com a inovação tecnológica mantém os produtos do Vale à frente dos produtos da concorrência.

Reinvestimento no local

Uma questão central para a sobrevivência de uma comunidade empresarial como o Vale do Silício é o quanto ela reinveste em si mesma. A maior parte do dinheiro gerado no Vale fica por lá mesmo, por meio de pessoas que iniciam seus próprios negócios ou de mecenas, que patrocinam novos empreendimentos.

Colaboração

Trabalhar no Vale do Silício exige grande capacidade de relacionamento e colaboração. O tempo, precioso, é curto para a maioria dos empreendedores. Se não se dispõe de recursos para executar todas as ideias, então por que não pedir ajuda a alguém para fazer algo que você levaria muito tempo para fazer sozinho? É por meio de redes informais entre profissionais e entre empresas que muitas inovações vêm à luz do dia.

Variedade

Apesar de uma base cultural comum, as empresas do Vale são diferentes em porte e tecnologia. Há desde companhias “tradicionais”, como Hewlett-Packard e Intel, até empresas virtuais com nomes que mais parecem endereços na internet. A variedade produz a riqueza e garante a sobrevivência.

Acesso fácil

Em muitos lugares, a atitude empreendedora, principalmente quando tomada por jovens, é vista pela elite empresarial com um misto de desconfiança e inveja. O resultado é a inibição e a colocação de barreiras culturais e institucionais. No Vale, essa atitude é regra e tornou-se traço cultural predominante. É o que sustenta a vitalidade da comunidade.

Por suas peculiaridades, o Vale do Silício é um modelo impossível de ser “clonado”. Porém, as características das empresas da região fornecem lições para empresas de qualquer porte ou tecnologia, bem como para profissionais dos mais diversos tipos e departamentos, situados em qualquer parte do planeta.

Boa semana!

Fiquem com Deus!

*Paula Pedrosa é Diretora Executiva, Headhunter e Coach de Carreira da Paulo Pedrosa Headhunter & Associados. Colunista de carreira, mercado e imagem corporativa do Jornal do Commercio.

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