Nossa Amazônia

É fato que a cada dia mais a Amazônia se torna um assunto mundial. O fato de estarmos em uma região que compreende um conjunto de ecossistemas com a bacia hidrográfica do rio Amazonas, considerada a região de maior biodiversidade do planeta e o maior bioma do Brasil, faz deste um lugar diferenciado e muito visado, tanto para bem quanto para mal. O problema é que muitos falam neste tema tão importante sem ter a noção do que é de fato a Floresta Amazônica, sua realidade e suas possibilidades. O Estado do Amazonas tem enfrentado, nos últimos tempos, por exemplo, uma grande quantidade de fumaça no ar devido a queimadas que têm ocorrido de forma sistemática na região. Acontecimentos como este exemplificam, dentre outras coisas, a falta de um ‘planejamento de país’ ao longo de mais de quatro décadas, por vários governantes, diante de uma área tão extensa e importante. Não adiantam só medidas pontuais. É preciso haver um projeto de Estado para protegermos aquilo que é nosso. 

É comum ouvirmos a repetição de frases como: “a Amazônia é nossa”; “vamos preservar a Floresta” …, mas até mesmo estes que ‘gritam’ em outras regiões da Nação, muitas vezes, não fazem a mínima ideia do que realmente significa esta área e nem mesmo se interessam em conhecê-la verdadeiramente. Grande parte da mídia nacional, por exemplo, estigmatiza há muito tempo a nossa região e os nossos conterrâneos. Não é de hoje, por exemplo, que o nosso Estado do Amazonas sofre um preconceito descabido de outras partes do país, com zombarias e uma visão preconceituosa para com o nosso povo, como se aqui fôssemos ‘menos Brasil’ que os demais entes da Federação. Há muitos que querem se aproveitar do tema Amazônia e que desejam apenas se autopromoverem em cima disso, sem fazer nada de concreto em prol do Lugar. Diversos “especialistas”, “ONGs” e vários pseudo-defensores da Floresta tem apenas o intuito de ganhar visibilidade, dinheiro e posar como pessoas ou instituições ‘ecologicamente corretas’, quando muitas vezes isso é apenas fachada. O Senado estabeleceu recentemente uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) justamente para investigar a atuação de ONGs na região amazônica. O fato é que temos um povo valoroso, que cuida da Floresta e merece viver bem, mas que não pode focar apenas em deixar a área toda intocável, pois é preciso cuidar e proteger, ao mesmo tempo em que se devem criar alternativas para que se produza e se alie desenvolvimento à sustentabilidade. Ou seja, fazer uso dos recursos naturais com racionalidade e responsabilidade socioambiental.

Diversas são as possibilidades que temos aqui. Investimentos em biotecnologia, em pesquisas de ponta, na bioindústria e na mineração já era para estarem entre as prioridades do Estado brasileiro há muito tempo, de forma macro, constante, planejada e sustentável. Não podemos satanizar o desenvolvimento, como se este fosse antagônico à conservação da natureza. A descoberta de medicamentos que podem significar a cura para várias doenças, a potencialização e produção em grande escala de produtos como o pescado, o cupuaçu, o açaí, dentre outros que são abundantes em nossa terra, além do investimento em turismo e capital humano, são possibilidades reais e que devem ser levadas em consideração. Não dá para estar em uma região tão abençoada por DEUS sem fazer um uso digno e consciente do que temos, prejudicando e atrofiando toda a população. A Amazônia não é apenas composta por sua fauna e sua flora, mas também por todas as pessoas que fazem parte de sua realidade, direta ou indiretamente.

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