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A força da Boa Vontade

Tive o privilégio de nascer num lar legionário. Meus pais, Jesus Amable e Abigail, eram voluntários da Legião da Boa Vontade (LBV).

Desde criancinha aprendi o sentido da caridade completa (material e espiritual) como ideologia de vida: nascemos para servir.

Acompanhava minha mãe nas feiras livres e açougues próximos de casa, onde ela conseguia doações de alimentos e proteínas para que no saudoso Casarão da LBV no Bairro do Riachuelo, no Rio de Janeiro, fossem confeccionadas as sopas em panelas enormes.

A conhecida “Sopa do Zarur” alimentava o corpo e a alma.

Presenciava, curioso, meu pai chegar de um longo dia de trabalho no Saara (vendia móveis em uma loja do shopping a céu aberto), tomar um banho, ver o Jornal Nacional, a novela das 20 h, e com a mesma disposição, sair por volta das 22 horas, voltando já madrugada.

Era a Ronda da Caridade à meia noite, onde a sopa e cidadania eram distribuídos pelos voluntários da LBV.

Uma vez, com meus 10 anos, meu pai me levou. Senhores e senhoras bem vestidos pelo “coração azul” da LBV, distribuíam, a partir de “valentes” kombis, alimento na Praça da Cinelândia e arredores da Avenida Rio Branco, centro financeiro da capital carioca, onde seres humanos dormiam embaixo das marquises úmidas. Aprendi que a miséria tinha rostos…

Meu pai fazia de tudo um pouco: organizava a fila do atendimento, distribuía a sopa quentinha, orava o Pai Nosso que iniciava cada trabalho, auxiliava na limpeza de ferimentos abertos pelo tempo e descaso, cortava cabelos descuidados pelo vento e acesso ao banho… aprendi que miséria se combate com trabalho.

Alguns domingos, à tarde, meu pai saia depois do almoço, em um coletivo que levava muito tempo para chegar ao final do seu percurso, atravessando a Serra da Carioca, até Jacarepaguá. Visitava o Hospital Colônia de Curupaiti, fundado pela Congregação Mariana, hansenianos, isolados pela falta de medicamentos (hoje, graças à Ciência, existe tratamento e cura), pelo preconceito e incertezas de uma doença que mutilava. Ali, contava as histórias da sua terra natal, a Espanha, orava, cantava e vivia a plenitude do Novo Mandamento deixado pelo Messias: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei” (palavras de Jesus transcritas em seu Evangelho, segundo João 13:34).

Filhos aprendem com as experiências e vivências dos pais a perderem o medo das pessoas. Como seres humanos, há nelas a essência que nos anima: uma vida que merece possuir cidadania espiritual.

Às vésperas de mais um Natal, relembro as palavras que ouvia do saudoso Alziro Zarur (1914-1979), fundador da LBV: “Salve o Natal Permanente da Legião da Boa Vontade! Por um Brasil melhor e uma humanidade mais feliz”.   

Este foi um ano desafiador, sobreviventes que somos da guerra pandêmica. Nunca foi tão importante celebrar a humanidade que existe em cada um de nós. Aliás, Aquele que celebramos o Seu nascimento ressalta, quando nos ensinou a orar na Prece do Pai Nosso: “Venha a nós o Vosso Reino”.

Quão importante será reconhecer nas palavras do Cristo esta certeza: podemos viver a parte de Deus em nossos corações, diariamente, permanentemente…

Ao desejar um ‘Feliz Natal Permanente com Jesus’ aos nossos leitores, gostaria que esta reflexão se torne instrumento eficaz à construção de um novo ano com paz, como nos pede São Francisco de Assis em sua sabedoria: “Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz. ”

Se ao mundo pode faltar paz, nossas orações podem nos prover da infinita paz divina. E a paz vence os medos.

2022 se avizinha com a vontade de celebrarmos a paz e a humanidade, nos seus 365 dias, permanentemente.

A LBV é o coração azul que despertou em mim o ser voluntário. Quantos outros corações multicoloridos estão espalhados pelo Planeta, construindo a mesma missão do despertar da solidariedade e humanidade em nós.

A cada encontro legionário nos saudamos dizendo: “Deus está presente! Viva Jesus, em nossos corações, para sempre! ”

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