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Falta de foco

Já lá se vão pelo menos uns sete anos, quando ainda em sala de aula, conversando sobre economia e Tecnologia com meus alunos, repassei uma informação sobre a produção por parte dos chineses, do Tambaqui. Sim, o nosso Tambaqui, peixe típico do Amazonas, vendido para restaurantes de toda a Europa, embalado a vácuo, em partes, com o selo: “Made in China”!

Muitos foram os incrédulos e até mesmo aqueles que me ridicularizaram, achando que estava eu criando fantasias para justificar alguma teoria inexistente sobre nossa região. No entanto eu estava mostrando uma realidade triste para nós, da apropriação, por parte dos chineses, da tecnologia da criação em cativeiro do nosso pescado, apanhada aqui, no INPA. A grande diferença foi a forma como foi implantada nas terras asiáticas, em forma de produção compartilhada, com os viveiros de peixe construídos ao lado de imensas pocilgas de porcos de alta linhagem para exportação.

O Controle dos dois animais ali criados é criteriosos em todos os sentidos, desde a qualidade da ração utilizada, até o momento certo do abate, para não gerar prejuízos por conta de postergação. No caso do Tambaqui, as fileiras de lagos criados para a função, tinha em sua metade, uma usina de processamento e estocagem do pescado. NADA, absolutamente nada do peixe é perdido, desde as vísceras que são transformadas em produtos para ração, as escamas e ossadas que são trituradas e parte utilizadas para adubo enquanto outra parte componente da ração. 

Interessante é a cabeça do peixe, que é vendida separadamente, com exclusividade para o mercado Chinês, onde a sopa de cabeça de peixe tem importância vital, pelo teor alimentar em função do acúmulo de Ômega 3. É um produto considerado de elite nos melhores restaurantes asiáticos, enquanto em nossas plagas, geralmente são eliminadas e jogadas no lixo por serem consideradas coisa ruim.

Quando vi esta semana um comentário sobre o comércio do Tambaqui pela China e alguns comentários até mesmo raivosos pelo fato de não sermos nós os exportadores do produto, me lembrei das minhas aulas e do que ouvi à época de pessoas que chegaram a pedir o Tambaqui em um restaurante francês, pensando estar pedindo um prato brasileiro e descobrindo posteriormente, com pesar que na verdade estavam comendo um Tambaqui Chinês.

Esta experiência e descoberta tardias, vem mostrar mais uma vez outra coisa que sempre falei em minhas aulas e nas minhas crônicas e artigos: temos um potencial produtivo em nossa região, que está latente há décadas, sem que nossos gestores se deem ao trabalho de ao menos estudar uma forma de utilizar. A piscicultura é apenas um dos exemplos, assim como temos toda uma gama de plantas medicinais e de uso para produtos de beleza. O tal Polo Verde não sai do papel e somente é lembrado das vésperas das eleições, para logo depois descansar em alguma das gavetas malditas da burocracia negativista da política pública brasileira.

Há pouco tive uma informação de que o município de Itacoatiara estaria implantando um projeto visando o refino de substancias vegetais. Fico bastante satisfeito quando vejo que algum gestor se toca para estas situações que podem gerar riqueza, emprego, produtos novos e a utilização racional do nosso território e da nossa riqueza. Ainda vendemos o Óleo de Copaíba virgem, sem que nossos gestores se toquem que este óleo faz parte de cerca de Cento e Oitenta (180) produtos industriais. Imagina se ao invés de vender esta riqueza bruta, a mesma fosse comercializada já refinada, haja visto que além do valor agregado, que multiplicaria no mínimo por dez, existe já a tecnologia de refino desses óleos disponível em nossa região por conta de pesquisas feitas pelo INPA. 

Por sinal, o que está faltando a este órgão de pesquisa tão importante para nossa região, é fazer com que suas pesquisas se transformem em realidades viáveis para a sociedade, ao invés de se tornarem meros volumes de trabalhos científicos jogados em suas prateleiras. É exatamente nesse sentido e neste momento em que entra a falta de uma gestão pública capaz de elaborar planos voltados para as nossas necessidades e dentro de nossas realidades, sem a preocupação de imitar planos externos, buscando a transparência das aplicações nos investimentos e a certeza dos resultados econômicos e sociais que inevitavelmente serão alcançados.

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