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A cobrança das passagens aéreas de crianças 

O setor aéreo mundial foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia da Covid-19 entre os anos de 2020 e 2021. Por conta do perigo de transmissão da doença, os vôos ficaram cada vez mais restritos e menos pessoas optaram por viajar.

Devido à baixa demanda, as companhias aéreas tiveram que reduzir o quadro de funcionários para continua funcionando. Segundo dados do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), uma empresa de aviação brasileira, por exemplo, demitiu, no mínimo, 2,7 mil pilotos e comissários, o que representou um corte de 38% dos tripulantes. Os dados são do ano de 2020, quando a pandemia chegou ao país.

Mas a situação não agravou apenas o cenário brasileiro, outros países também sofreram com os impactos e muitas decisões chocaram os clientes. A companhia Icelandair, da Islândia, ganhou destaque internacional após anunciar que iria demitir todos os seus comissários de bordo, e os serviços oferecidos por esses profissionais, seriam feitos pelos pilotos da empresa.

Após inúmeras situações que impactaram negativamente o mercado da aviação, o setor passou a se reestruturar a partir de 2022. O Anuário do Transporte Aéreo 2022, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), revelou que no ano passado foram realizados aproximadamente 831 mil vôos no Brasil, entre domésticos e internacionais, o que representa um aumento de 39% comparando ao ano de 2021.

Apesar de o serviço conseguir recuperar números essenciais, o valor da passagem aérea não acompanhou a expectativa da população. Com passagens cada vez mais caras, viajar tornou-se um desafio exclusivo para as classes mais altas da sociedade.

E para justificar o aumento do preço da passagem, as companhias áreas culpam diversos fatores, que vão desde as dificuldades enfrentadas na pandemia, inflação e aumento no preço dos combustíveis.

Conforme a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta), em 2020, o combustível representava 30% dos custos das empresas do ramo; com o aumento dos insumos usados para abastecer as aeronaves, esse custo aumentou para 40%. Se antes o gasto com combustível representava 14% a mais do que petróleo cru, agora o produto refinado deu um salto para 55%. 

Outro fator que encareceu o preço das passagens são os câmbios e as margens dos contratos feitos pelas empresas. As companhias costumam alugar aviões de serviços de leasing e todos os contratos são negociados em dólares. Se a moeda aumenta sua valorização, as empresas terão um custo operacional maior do que o esperado.

Em meio a toda esta situação complexa estão às milhares de famílias brasileiras, sobretudo, as amazonenses, que estão cada vez mais longe de conhecer outros lugares do mundo por conta do encarecimento das passagens aéreas.

Nesta semana, a Gol Linhas Aéreas anunciou que crianças de 2 a 12 anos incompletos passarão a pagar o mesmo valor da tarifa de um adulto durante os voos. Anteriormente, este grupo tinha desconto de 20% sobre o preço da passagem de um adulto.

Além de pagar mais caro para conseguir utilizar o transporte aéreo, as famílias precisarão desembolsar um valor além do esperado para conseguir viajar com suas crianças, sem o benefício do desconto.

A decisão tomada pela companhia prejudica vários brasileiros, principalmente, os residentes no interior e capital do Amazonas, que tem um custo muito alto nas passagens aéreas e ficam sem saber a quem recorrer.

Precisamos garantir serviços mínimos à população e tornar fácil o deslocamento entre as cidades, para desenvolver o potencial econômico, social e turístico da Amazônia. Facilitar o deslocamento para um tratamento de saúde, visita a um parente, ou por função profissional. Este aumento deixou tudo isso ainda mais difícil e caro para a população.

Para ajudar a solucionar o problema, encaminhei um requerimento ao Ministério de Portos e Aeroportos solicitando informações a respeito de que providências a ANAC estará tomando, acerca desse aumento, e se existe a possibilidade da criação de um grupo de trabalho para acompanhamento dos desdobramentos da nova medida adotada pela empresa aérea.

*É Deputado Federal do Amazonas, eleito pela 2ª vez.

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