ZFM dribla a crise e mostra sua força “Desenvolvimento sustentável é a meta”

Essa é, na opinião do Secretário-Executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Ivan Ramalho, a missão mais importante da Suframa, na atualidade. Em entrevista exclusiva cedida ao Jornal do Commercio, o dirigente avalia a atuação da Suframa ao longo dos 43 anos de existência. Participante assíduo das reuniões do conselho de administração da autarquia e presente na maioria dos eventos organizados pela entidade, o secretário sente-se à vontade para elogiar o desempenho das empresas instaladas em Manaus frente os efeitos na crise financeira internacional.

Jornal do Commercio: Sem o agravante da crise que desestabilizou toda a economia, em 2008, o senhor acredita na recuperação das exportações para 2010?
Ivan Ramalho: Em 2009, as exportações sentiram os efeitos severos da crise financeira mundial, mas começaram a melhorar no final do ano, o que nos faz acreditar na recuperação das exportações em 2010. Começamos o ano exportando US$ 11.3 bilhões em janeiro, um expressivo aumento de 21,3% em relação a janeiro de 2009, quando vendemos ao exterior US$ 9.7 bilhões. A meta de exportações do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), para 2010, é de US$ 168 bilhões, valor 10% acima de 2009, que foi de US$ 153 bilhões. Mas, em função do crescimento de janeiro, pessoalmente acredito que deveremos superar essa meta. Para alcançar a marca é necessário que o Brasil continue investindo na diversificação da pauta exportadora e dos mercados de destino. É preciso recuperar espaço nos mercados dos Estados Unidos, América Latina e da Europa, especialmente para produtos industrializados.
Jornal do Commercio: O PIM (Polo Industrial de Manaus) teve sua produção, em alguns setores, fortemente afetada pela crise. A média de demissões superou a de admissões e fechamos 2009 com saldo negativo, em torno de 5 mil empregos. Por outro lado, a TV Digital e o advento da Copa aqueceram o mercado de eletroeletrônicos. Como nivelar os níveis de produção e de emprego neste ano que se inicia?
Ivan Ramalho: De fato, houve desemprego no PIM em 2009 em termos líquidos. Porém, isso ocorreu em todos os segmentos, de uma forma geral. Em função da magnitude da crise e do tamanho expressivo do total de empregos do PIM, a perda de 5 mil vagas foi bem menor do que se previa no início do ano passado. Graças às medidas anticíclicas do governo, a economia brasileira retoma em 2010 sua trajetória de crescimento sustentado. O Banco Central projeta um crescimento de 5,8% do PIB este ano. Fora do governo existem previsões entre 6% e 7%. Além disso, a recuperação da economia mundial, ocorrida nos últimos meses, levará a retomada dos mercados de destino de nossas exportações, inclusive das empresas instaladas no PIM. Neste cenário, é grande a expectativa de aumento do consumo e, consequentemente, da produção e do emprego no diversificado parque industrial da Manaus. O advento da Copa do Mundo e a consolidação da TV Digital no Brasil também são fatores que continuarão aquecendo o segmento de áudio e vídeo, onde o PIM é forte produtor. Além disso, estão sendo realizadas reuniões com os Grupos Técnicos do PPB (Processo Produtivo Básico) considerados estratégicos visando reavaliar esse mecanismo, com objetivo de aumentar a sua produtividade.
Jornal do Commercio: O modo como a indústria brasileira, em especial a Zona Franca de Manaus, administrou as adversidades da crise nos permite afirmar que a classe empresarial atingiu níveis de maturidade e credibilidade sólidos perante o mercado externo?
Ivan Ramalho: Sem dúvida, a indústria brasileira, especialmente as empresas instaladas em Manaus, demonstraram muita maturidade na administração e superação dos efeitos da crise financeira internacional. Elas possuem uma governança moderna. Além disso, o estágio tecnológico da maioria das indústrias instaladas na Amazônia equivale ao que há de mais moderno no mundo. As empresas brasileiras deixaram para trás a fase de só exportar quando o mercado interno se retraía e, nestes últimos anos, fizeram um enorme esforço para aumentar suas vendas externas. Isto é fruto da nova cultura exportadora que já há alguns anos tem sido implementada pelo governo brasileiro. A evolução recente do comércio exterior brasileiro evidencia uma seqüência de bons resultados. Porém, não basta apenas comemorar. É preciso assegurar a continuidade do ritmo de nosso intercâmbio comercial, por meio de políticas ativas para ampliação da competitividade internacional das nossas empresas. Também é preciso assegurar condições para que as empresas diversifiquem sua pauta e os destinos de suas exportações. É preciso inovar e desenvolver novas tecnologias.
Jornal do Commercio: Como o senhor avalia o projeto Zona Franca de Manaus, enquanto modelo de desenvolvimento econômico e hoje, mais do que nunca, respaldado em conceitos ambientais?
Ivan Ramalho: O projeto é um sucesso inquestionável, porque gerou desenvolvimento econômico, criou empregos, melhorou a renda dos trabalhadores da região e ajudou muito preservar o meio ambiente. O grande desafio da ZFM é manter o desenvolvimento sustentável da região, gerando benefícios econômicos, sociais, científicos, tecnológicos e ambientais às Amazônia. Acreditamos que o modelo da Zona Franca de Manaus é altamente positivo, pois o tipo de indústria ali existente, nada agressivo ao meio ambiente, cria condições para preservarmos de pé a grande riqueza da região, a Floresta Amazônica. Além disso, a oportunidade de emprego industrial, gerada pelo Polo Industrial de Manaus, tirou muita gente do extrativismo predatório. Desta forma, o Amazonas  é hoje o Estado brasileiro com a maior preservação de sua cobertura florestal original: 98 %
Jornal do Commercio: É comum visitantes de outros estados e países se surpreenderem ao se depararem com produtos de alto valor agregado e tecnologia de ponta no centro da Amazônia. Qual a política de divulgação da maior e mais importante Zona Franca de toda a América Latina executada pelo ministério?
Ivan Ramalho: A política de divulgação e promoção comercial da Zona Franca de Manaus está a cargo da Suframa, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indús­tria e Comércio Exterior. A Suframa exerce essa função com grande competência, utilizando vários canais que atingem diferentes públicos. Mas, sem dúvida, a grande vitrine da ZFM é a Fiam (Feira Internacional da Amazônia) da responsabilidade da Suframa, e que na sua última edição, em 2009, registrou mais de 100 mil visitantes ao longo dos cinco dias de programação. Durante a Rodada de Negócios da Fiam registrou-se o volume recorde de US$ 11.5 milhões de negócios fechados entre mais de 200 micro e pequenas empresas regionais e 28 empresas compradoras, sendo 15 brasileiras e 13 internacionais. Também foram anunciadas projeções de investimentos de R$ 1,02 bilhão para 2010, no Trade Turístico Regional, provenientes de recursos do Banco da Amazônia, BNDES e outras instituições.
Jornal do Commercio: O faturamento de US$ 25.9 bilhões registrado pelo PIM no ano de 2009, contra os US$ 30.2 bilhões, uma queda de 14,21%, de 2008 foi motivo de comemoração, frente às adversidades enfrentadas pelas empresas no período pós-crise. A que, ou a quais fatores, devemos esta vitória?
Ivan Ramalho: Como já disse, essa vitória é resultado da maturidade e competência das empresas do PIM. Ela é também consequência da política econômica anti-crise adotada pelo governo do presidente Lula. Diante da crise, o governo agiu rapidamente para preservar o consumo do nosso grande mercado interno. Entre outras medidas, elevamos o volume de crédito por intermédio dos bancos oficiais, tanto para empresas como para pessoas físicas. 
Diminuímos o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos veículos, materiais de construção e eletrodomésticos da linha branca. Incentivamos o setor de bens capital. Diminuímos também o IOF sobre o financiamento de motocicletas, além de aumentar o volume de crédito e diminuirmos os juros nos seus financiamentos. Isso ajudou muito este setor tão importante para o PIM. A vitória é também a confirmação da força do Polo Industrial de Manaus e do acerto do modelo estabelecido na Zona Franca de Manaus, como suporte ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. É ainda resultado da competência da administração da superintendente da Suframa, Flávia Grosso.

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