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Vendas do comércio do Amazonas descem junto com a vazante

O comércio varejista do Amazonas amargou um novo tombo de vendas em setembro, mês do começo da crise logística decorrente da vazante histórica. Desfavorecidos por quatro dias a menos, os lojistas tiveram resultado 0,3% mais fraco do que o de agosto, eliminando completamente o ganho daquele mês (+0,3%). Foi o terceiro dado negativo deste ano, nesse tipo de comparação. O confronto com o mesmo período do ano passado, entretanto, apontou alta de 3,6% para um mês sem datas comemorativas relevantes. Com isso, os acumulados do ano (+3,7%) e dos 12 meses no azul (+2,9%) seguiram no azul.

A desaceleração veio em sentido inverso ao da média nacional, embora o Estado tenha superado a média do país nas demais comparações. A variação mensal do varejo brasileiro subiu 0,6%, com progresso apenas para supermercados, drogarias e a divisão de móveis e eletrodomésticos. A elevação sobre setembro de 2022 foi de 3,3%, mantendo os acumulados dos oito meses (+1,8%) e 12 meses (+1,7%) no campo positivo. Foi o suficiente para fazer a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) aumentar sua projeção de crescimento para 2023, de 2% para 2,4%.

O ritmo ainda ameno do IPCA de setembro (+0,26%) não impediu o descolamento na receita nominal, além de ajudar pouco nas vendas. Em sintonia com a tendência de fuga do consumidor ao crédito, em face das elevadas taxas de endividamento e inadimplência, o desempenho dos segmentos de bens de maior valor agregado e inseridos s no chamado varejo ampliado – que inclui veículos e material de construção – apresentou queda superior à da média do comércio amazonense, na variação mensal. É o que revelam os dados mais recentes da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE

O varejo avançou em apenas 13 das 27 unidades federativas brasileiras, entre agosto e setembro. Mas, apenas oito cresceram além de 1%. Apesar do recuo, o Amazonas subiu da 18ª para 15ª, empatando com Minas Gerais e Paraíba. O melhor dado veio do Rio de Janeiro (+3,1%) e o pior, do Rio Grande do Sul (-2,8%). Com a elevação anual de 3,6%, o comércio local galgou do 13º para o nono lugar, em uma lista encabeçada pelo Ceará (+12,1%) e encerrada pela Paraíba (-26,4%). No acumulado do ano, o Estado passou da nona para a oitava posição, com Tocantins (+12,6%) e Paraíba (-5,9%) nos extremos.

Receita e crédito

Apesar da perda de fôlego do IPCA, o comércio local ainda teve resultados bem diferentes na receita nominal – que não leva em conta a inflação do período. A variação mensal ficou positiva em 0,5%, em desempenho que correspondeu à metade do número de agosto (+1,1%). O confronto com setembro do ano passado indicou avanço de 5,7%, enquanto os acumulados do ano (+4,6%) e dos 12 meses (+4,8%) também pontuaram elevações mais robustas. As respectivas médias nacionais foram +1%, +5,4%, +4,3 e +6%.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que os subsetores de veículos e material de construção apresentaram saldo negativo reforçado em setembro, levando o varejo ampliado a um tombo de 1,4% ante agosto. Houve incremento de 5,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, segurando o crescimento de janeiro a agosto (+3,4%). Em seu quinto mês no quadrante positivo, a variação anualizada expandiu 2,1%. Quase todos os números da média brasileira (+0,2%, +2,9%, +2,4%, +1,6%) foram mais fracos.

O crescimento do comércio brasileiro na variação mensal veio ainda mais restrito neste mês e se limitou a três dos oito segmentos investigados pelo IBGE: móveis e eletrodomésticos (+2,1%); hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+1,6%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+0,4%). Em contrapartida, combustíveis e lubrificantes (-1,7%); tecidos, vestuário e calçados (-1,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%); artigos de uso pessoal e doméstico (-0,9%); e material para escritório, informática e comunicação (+0,1%) encolheram.

“Situação de instabilidade”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, salientou que a variação negativa em relação ao mês anterior foi “pequena”, mas confirmou que as vendas do comércio têm se mantido bem próximo de zero nos últimos meses, refletindo uma situação de “instabilidade nas vendas”. O pesquisador destaca também que o varejo ampliado teve resultado ainda pior, além de sustentar acumulados “bem baixos”, em uma conjuntura ainda incerta para o setor.

“De positivo é que a cada mês as vendas superam o ano passado, e isso ajuda a manter o desempenho no ano e nos 12 meses. O comércio local também tem acompanhado o baixo desempenho nacional, que tem apresentado desempenho inferior ao do Amazonas. A média móvel trimestral está praticamente estável, mostrando que as vendas podem melhorar, cair ou até mesmo se manterem inalteradas na próxima divulgação”, analisou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, assinala que o varejo brasileiro saiu da margem de estabilidade graças principalmente ao impulso dos super e hipermercados, já que as famílias estão concentrando seus gastos nesse segmento, mesmo diante do aumento da população ocupada e da massa de rendimento. “Um dos fatores principais para o resultado dessa atividade é a escolha orçamentária das famílias, que está voltada para os itens de primeiras necessidades”, frisou. Não está sobrando para concentrar em outras atividades”, emendou.

Vazante e juros

O presidente da assembleia geral da ACA, Ataliba David Antonio Filho, reforçou que, desde o começo da pandemia, o consumidor de Manaus está cauteloso nas compras, e avalia que isso pode ter contribuído para o resultado de setembro. Mas, ressalta que ainda não houve tempo da vazante histórica esvaziar gôndolas e vendas. “O pequeno e médio varejo são os que tendem a ser prejudicados, porque contam com estoques reguladores mais limitados. Mas a queda de juros e a volta da subida das águas deve gerar alguma recuperação, e esperamos que o setor tenha boa performance no Natal”, ponderou.

Em comunicado à imprensa, a CNC se mostrou mais confiante e informou que revisou novamente sua projeção de crescimento de vendas em 2023, desta vez de 2% para 2,4%. A correção foi amparada pela expansão de 1,3%, na virada do segundo para o terceiro trimestre. Segundo a entidade, esse foi o maior avanço para o período, desde 2020, quando o setor ainda lutava para se reerguer e superar as perdas da pandemia.

“O varejo brasileiro tem mostrado resiliência, inicialmente impulsionado por segmentos de bens essenciais, que foram mais influenciados pela desaceleração dos preços e pouco afetados pelas condições de crédito. Mas, com a tendência de queda dos juros, a partir do meio do ano, acreditamos que os setores mais dependentes do crédito, podem aproveitar o Natal para ensaiar início de recuperação”, concluiu o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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