Um partido chamado Amazônia

É a lei da vida, das relações pessoais e institucionais: “dize-me com quem andas, mostra o que tu fazes e eu saberei quem és.” Ou tem outro jeito de construir projetos, antecipar utopias ou assegurar avanços com este partido chamado Amazônia, onde a economia busca caminhar com o meio ambiente em harmonia, na afirmação legítima e legal da Zona Franca de Manaus?

Por Nelson Azevedo
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O Brasil está vivendo uma crise de comunicação e entendimento e já está passando a hora de apaziguar. Nosso país é uma Democracia em evolução com todos os percalços, paradoxos e avanços que este processo representa. Como integrante do setor privado, e em linha com os colaboradores que compõem este segmento, seria temerário analisar tecnicamente os antecedentes, os entretantos e os finalmentes dessa equação política. Alguém já disse, a propósito, que o exercício da política é que nem a movimentação das nuvens que, a cada instante, estão numa posição. Às vezes chove, escurece, assusta… mas o Sol sempre volta a clarear. Por isso, é preciso fazer brilhar o espírito de interlocução e construção.

Dialogar, acolher, sugerir…

Além de conduzir a produção de riqueza e oportunidades regionais, através do Polo industrial de Manaus. temos que fazer bem nossa parte: as responsabilidades sociais, econômicas, ambientais e políticas, ou seja, zelar pela Democracia e pela boa convivência política, aquela que dialoga, acolhe e sugere em nome da melhor solução à luz do bem comum. E isso fazemos ao exercer nosso dever cívico de votar bem – pois somos responsáveis por conhecer e acompanhar os representantes que escolhemos – e deles cobrar a defesa do bem comum . E, em se tratando do exercício das nossas atribuições, não cansamos de repetir que nosso partido é a Amazônia – e sua integração com o Brasil – e nosso candidato é a Zona Franca de Manaus, o ganha-pão de cada dia, os empregos e renda de nossa dignidade e direitos.

ZFM é referência

Este partido é nossa casa, referência e tesouro, uma privilegiada e mal aproveitada moeda de troca, que precisa ser mais estudada, para ser compreendida – em suas leis, fragilidades e potencialidades – e mais protegida como tesouro biológico, cultural e econômico – e utilizada de modo inteligente, isto é, sustentável, como sugere a fábula que nos ensina a perenizar a galinha que põe ovos de ouro. Nem precisa sublinhar que esta atividade, alegoricamente ilustrada, é também um formato literal de geração de riqueza que poderia ser levada a efeito como fator de prosperidade racional e organizada de modulação econômica sem prejuízos socioambientais.  É preciso amar a Amazônia para poder interagir com seus paradigmas e premissa de sustentabilidade, critérios que dão suporte compulsório à geração de riquezas de nossos empreendimentos.

Objeto, razão e motivação

E por que sugerimos a economia do Amazonas como objeto, razão e motivação de nossa movimentação política no sentido de ordenação da Polis, a vida social? Quem poderia nos dizer qual atividade econômica gera mais de 500 mil empregos no Estado, ajuda a manter a floresta em pé e gera 75% de sua receita para os cofres federais? Para quem não sabe, a Zona Franca de Manaus foi criada em 1967, para proteger a Amazônia da cobiça e depredação estrangeira e reduzir as dramáticas desigualdades regionais do Brasil.  Nisso ela não tem registro de concorrente para tantos acertos como política fiscal de expansão das potencialidades socioeconômicas de uma região remota. É o melhor produto socioambiental e econômico de compensação tributária para impulsionar o desenvolvimento de uma região. Temos problemas, quem não tem? Poderíamos fazer mais, com certeza, se utilizássemos a lógica da racionalidade de nossas fábricas para transformar riqueza em prosperidade. Mas essa não é nossa atribuição. Isso não significa que devemos deixar de alertar que a riqueza aqui gerada precisa ser aplicada na região, pois infelizmente não é.

Antecipação das utopias

Ora, se a ZFM é nosso candidato, está faltando a movimentação típica que a postulação exige: identificação, fidelização e mobilização dos aliados, dos recursos necessários, dos portfólios de serviços e benefícios consolidados para convencer melhor o eleitor. Para alguém ter fé em nossas promessas é preciso demonstrar bem as nossas obras, pois quem já fez tem plenas condições de continuar fazendo, em lugar de ficar prometendo sem ter nada para ilustrar. É a lei da vida, das relações pessoais e institucionais: “dize-me com quem andas, mostra o que tu fazes e eu saberei quem és.” Ou tem outro jeito de construir projetos, antecipar utopias ou assegurar avanços neste partido chamado Amazônia, onde a economia busca caminhar com o meio ambiente em harmonia, na afirmação legítima e legal da Zona Franca de Manaus? 

(*) Nelson é economista, empresário e presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, Conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

(**) Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras no Jornal do Comercio do Amazonas, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, consultor da entidade e editor do portal BrasilAmazoniaAgora

Nelson Azevedo

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