Trabalhadores da construção civil param mais de 50 obras

Os trabalhadores da Construção Civil do Amazonas pararam por tempo indeterminado desde ontem e só voltam ao batente assim que a classe patronal aceitar voltar à mesa de negociações em torno do reajuste salarial da categoria, que se arrastam desde maio. As empresas, no entanto, estão irredutíveis e aguardam uma decisão da Justiça.
A greve de ontem, segundo o Sintracomec/AM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas) mobilizou pelo menos 15 mil trabalhadores, e paralisou mais de 50 canteiros de obras em toda a cidade. O Jornal do Commercio visitou quatro canteiros de obras e constatou que as obras estavam paradas.
Os trabalhadores reivindicam, entre outros pontos, 6% de reajuste pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mais 2,5% de aumento real. As empresas oferecem correção pelo indicador, mais 1% de incremento acima da inflação. “Estamos abertos para negociar, a paralisação foi de advertência, mas se não formos chamados para a mesa de negociação, vamos continuar o nosso movimento por tempo indeterminado”, desabafou o presidente do Sintracomec, Roberto Bernardes.
No entendimento do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria de Construção Civil do Amazonas), Eduardo Lopes, a greve foi parcial, pois em algumas obras os trabalhos seguiram em sua normalidade. “Os trabalhadores não querem entrar em greve e alguns são intimidados a participarem do movimento. Existem canteiros com 30% de paralisação, outros com até 70%, mas isso aconteceu no inicio da manhã. Depois, muitos trabalhadores voltaram aos seus postos de trabalho”, ponderou, acrescentando que o número de canteiros paralisados ontem não passavam de 25, sendo que a maioria faz parte da iniciativa privada, principalmente da Direcional e da Construtora Capital.

Atraso e prejuízos

Quanto aos prejuízos, Lopes disse que ainda é muito cedo para avaliar, mas garantiu que estes ocorreram, principalmente no segmento imobiliário, que hoje concentra maior número de pessoas trabalhando em seus canteiros e onde o movimento ganhou adesão mais expressiva. A Direcional, segundo o dirigente, foi a empresa mais atingida.
O presidente do Sinduscon/AM observou que possivelmente ocorrerão atrasos nas conclusões das obras e que, consequentemente, a entrega dos imóveis também será realizada fora de data. Ele disse que o custo desse atraso vai depender do tempo de paralisação da categoria e avalia que não apenas o setor sairá prejudicado como também a economia da região.
Conforme Eduardo Lopes, o Sinduscon está dando entrada na documentação relacionada às propostas do dissídio e pretende oficializar o documento no máximo na manhã de hoje. “Temos um contrato e vamos cumprir. Não existe a mínima possibilidade de mudar o rumo das negociações. O que foi decidido vai ser cumprido”, asseverou.
Em relação aos rumores de dividendos relacionados a obras para a Copa de 2014, o presidente do sindicato patronal da construção civil disse que existe muita especulação por parte do Sintracomec/AM, mas isso não salientou que isso não é verdade. “Estão criando uma expectativa muito grande junto aos seus associados. Primeiro pediram 14,28%, hoje eles estão concordando com 8%, portanto é uma disparidade muito grande, é uma incoerência por parte das lideranças sindicais”, espetou o dirigente.

“Custo elevado não permite aumento real”

Segundo o presidente do Sinduscon/AM, os trabalhadores tiveram, no ano passado, um aumento significativo, mas neste ano não será possível conceder o percentual reivindicado. Os custos da construção civil, lembra o dirigente, são relevantes e só os gastos com mão de obra consomem 40% do total da obra, seguidos por materiais e impostos.
Já o presidente do Sintracomec considera absurda a proposta de 1% de aumento real, levando em conta o desempenho do setor. “É só olhar o quanto a cidade cresceu e observar as diversas obras para ter a certeza de um grande crescimento no setor. O trabalhador também precisa melhorar suas condições de vida e de seus familiares”, argumentou Bernardes.

Salários em vigor

Os salários dos profissionais da Construção Civil no Estado do Amazonas que estão em vigor são os seguintes, pedreiro, pintor, ferreiro e bombeiro hidráulico R$ 779,98, soldador, eletricista, operador de grua, Instalador predial e marmorista R$ 951,48, segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores do setor, estas são as profissões de esteio dos canteiros de obras.
O pedreiro Paulo Gomes, 57 anos e 28 de profissão, considera que a greve é providencial já que concorda que os salários pagos a categoria estão muito defasados. “Para cobrir o salário de dois pedreiros e um ajudante, nós temos que construir cinco apartamentos. Se não conseguirmos fazer isso, o salário vem ‘seco’”, finalizou.

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