27 de fevereiro de 2021

Sociedade cobra por transparência na vacinação no Amazonas

Mal começou a campanha de vacinação em Manaus e a mobilização já vive uma polêmica acirrada na região. O TCE-AM (Tribunal de contas do Estado do Amazonas) solicitou, nesta quarta-feira (20), que o governo do Amazonas e a prefeitura da cidade encaminhem em até 24 horas a lista nominal das pessoas já vacinadas contra a Covid-19 e expliquem ainda os critérios utilizados para imunização.

Assinada pelo presidente da Corte, conselheiro Mário de Mello, a medida adverte que haverá aplicação de multa em caso de desobediência à solicitação. A decisão foi motivada por denúncias veiculadas nas redes sociais de que estavam furando a fila durante a aplicação das doses de Coronavac.

Os pedidos do TCE-AM foram encaminhados em ofícios às Secretarias de Saúde do Estado e do Município, direcionados, respectivamente, aos secretários Marcellus Campêlo e Shádia Frax Hussami Fraxe.

Segundo questionamentos nas redes sociais, políticos e seus familiares, magistrados, juízes, servidores do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas|), além de pessoas com prestígio e maior poder aquisitivo, teriam sido vacinadas antes do grupo prioritário que envolve profissionais de saúde e indígenas.

O conselheiro Mário de Mello não escondeu sua indignação com as denúncias. “Vivemos um momento de colapso dos sistemas de saúde e a vacina nos abriu um caminho de esperança diante dessa pandemia. O Tribunal de Contas do Amazonas não permitirá que haja qualquer interferência política na campanha de vacinação do Estado”, disse ele. E acrescentou: “Não permitiremos que pessoas que não se enquadrem nos grupos definidos pelo Programa Nacional de Imunização contra a Covid-19 sejam vacinadas em detrimento ou não da vacinação dos que devem ser imunizados. Iremos fiscalizar”.

Mello prometeu que o TCE-AM vai acompanhar de perto a campanha de vacinação. E, se forem constatadas irregularidades nessa primeira fase da campanha, os responsáveis serão punidos. “Não pensaremos duas vezes em aplicar as devidas punições”, salientou. “Não iremos tolerar possíveis desvios. É inadmissível”, afirmou.

O TCE-AM solicitou ainda do governo do Amazonas as quantidades de vacinas enviadas a cada município do interior. As prefeituras foram também convocadas para divulgar quantas unidades de Coronavac receberam do Estado para posterior cruzamento de dados, segundo a Corte de Contas.

O presidente do Tjam, desembargador Domingos Jorge Chalub, divulgou também nota comunicando que são “mentirosas as informações de que juízes, magistrados e outros servidores da Casa” estariam sendo vacinados indevidamente.

 “Qualquer denúncia acerca de desvio de vacinas deverá ser devidamente apurada pelos órgãos responsáveis com o máximo rigor”, ressaltou o magistrado.

A polêmica se acirrou quando Gabrielle Kirk Lins e Isabelle Lins postaram fotos nas redes sociais sendo vacinas. Elas fazem parte de um grupo tradicional de políticos que ainda dominam o poder público no Amazonas. E teriam furado a fila da campanha por influência familiar.

‘Nada de fotos’

Questionado, o prefeito David Almeida |(Avante) esclareceu que as duas são formadas em medicina e se enquadram no perfil de profissionais de saúde aptos a receberem o imunizante da Coronavac nessa primeira fase da campanha. Gabrielle e Isabelle estão lotadas ainda em UBS atuando no combate à Covid-19, segundo a prefeitura.

Mas o que intriga e desperta suspeitas é que as duas médicas só foram nomeadas pelo prefeitura em 18 de janeiro, um dia antes de começar a vacinação, segundo consta no Diário Oficial do município.

Para corrigir o mal-entendido e prevenir novas polêmicas, o prefeito determinou que os servidores estão proibidos de postar fotos nas redes sociais sendo vacinados contra a Covid-19 em Manaus.

A pendenga chegou também até Belarmino Lins e Afonso Lins, o primeiro deputado estadual e o segundo federal, que foram associados como parentes das duas médicas. Eles divulgaram nota esclarecendo a questão, temendo, provavelmente, o desgaste político de seus nomes a um ano das eleições majoritárias de 2022.

“A família Lins, dos deputados Átila e Belarmino Lins de Albuquerque não possui nenhum grau de parentesco com as médicas Gabrielle e Isabelle Lins que pertencem à ramificação da família Nilton Lins. Dessa forma, desfazendo mal-entendidos veiculados nas redes, os irmãos parlamentares esclarecem que a postagem, portanto, não pode ser confundida com qualquer vinculação aos Lins de Albuquerque”, diz a nota.

O professor Nilson Lins, já falecido, foi proprietário da Universidade Nilton Lins, que consta como a primeira universidade privada da região Norte. A entidade é administrada hoje pelos seus filhos.

Até ontem, as Secretarias de Saúde do Estado e do Município não haviam encaminhado dados sobre a vacinação exigidos pelo TCE-AM. “A não apresentação das respostas poderá ensejar multa na forma do Art. 54, inciso II da Lei nº 2423/1996, segundo a Corte de Contas.

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