6 de maio de 2021

Segunda onda ameaça empregos de MPEs

Protagonistas das demissões, durante a primeira onda, as micros e pequenas empresas do Amazonas conseguiram superar essas perdas e fechar 2020 com mais empregos formais, mas desaceleraram na reta final do ano, com a subida da segunda onda da pandemia. Contribuíram com 7.535 dos 10.205 empregos com carteira assinada criados no Estado, o equivalente a 73,84% do acumulado de 12 meses. A desaceleração de dezembro, contudo, não poupou as MPEs, que responderam por 34,74% (-434) do saldo negativo global (-1.250).

Os pequenos negócios amazonenses também reduziram passo em relação ao restante do país. Em termos proporcionais, levando em conta o saldo para cada mil empregados, o Estado confirmou a oitava posição do ranking nacional, no acumulado do ano, com 49,02 empregados para cada mil trabalhadores. Roraima (107,5 empregos) e Pará (79,01) ocuparam o primeiro e segundo lugar da lista.

A análise isolada da variação negativa de vagas com carteira assinada em dezembro, entretanto, aponta que o Amazonas (-2,82 ocupações por mil) despencou para a 25ª colocação, à frente apenas de Mato Grosso (-3,65) e Pará (-5,83). Os dados fazem parte de um estudo mensal realizado pelo Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa), a partir dos dados mais recentes do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Em síntese, a pesquisa do Sebrae indica que os pequenos negócios puxaram a geração de empregos pela sexta vez seguida, tendo sido responsáveis pela criação de 22.731 postos de trabalho em todo o país. Foram os únicos a gerar empregos no último mês do ano, uma vez que as MGE (médias e grandes empresas) mais demitiram do que contrataram, eliminando 69 mil empregos de Norte a Sul. Mas, não foi suficiente para evitar que o Brasil registrasse saldo total negativo de 67.900 empregos, em dezembro.

Com o resultado de dezembro, as MPEs brasileiras fecharam 2020 com geração de 293.200 novos empregos com carteira assinada, revertendo o saldo negativo acumulado até outubro. Já as MGE, por sua vez, foram na contramão, extinguindo 193.600 postos de trabalho. “Porém, no total, graças às MPE, o país fechou 2020 com 142.700 novos postos de trabalho”, ressalvou o Sebrae, no texto da sondagem.

Comércio e construção

O estudo do Sebrae não forneceu os dados dos setores econômicos por Estado. Em âmbito nacional, os saldos positivos de empregos gerados pelas MPEs, no acumulado de julho a dezembro de 2020, de 1.042.209 empregos, possibilitaram a reversão do saldo negativo acumulado no período mais crítico da crise da Covid-19 –de março a junho do ano passado.

Em dezembro de 2020, foram as micros e pequenas empresas do comércio que puxaram a geração de empregos, criando cerca de 48 mil novos postos de trabalho no país. Foram seguidas pelas MPEs do setor de serviços, com a geração de 16.400 vagas. Nos demais setores, tanto os pequenos negócios, quanto as médias e grandes empresas registraram saldos negativos de empregos. “Ressalte-se que as MGEs extinguiram postos de trabalho em todos os setores, no último mês do ano”, completou o texto.

A despeito dos resultados positivos no comércio, em dezembro, foi a construção civil que fechou 2020 com o maior saldo de empregos gerados para as MPEs de Norte a Sul do Brasil: 136.500, ou 46,6% do total de vagas criadas por todos os pequenos negócios durante o ano passado. Em seguida, veio o setor de serviços, responsável pela criação de quase 51 mil vagas, no mesmo período. A indústria de transformação (44.500) também indicou saldo positivo de postos de trabalho para empreendimentos de menor porte.

Em todos os setores, as MPE criaram novos postos de trabalho em 2020, diferentemente das MGE que só registraram saldo positivo de empregos na Indústria de Transformação (13 mil vagas).

“Impacto imediato”

Para o coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, o estudo mostra “a imensa importância” dos pequenos negócios para a economia brasileira, em virtude de sua maior capacidade de gerar postos de trabalho, assim como renda, vendas e produção. Tanto que as MPEs contribuíram menos para o saldo negativo de dezembro (34,74%) do que para o crescimento do acumulado (73,84%). “No geral, demitem menos. Pesquisas indicam que, devido a laços afetivos, a tendência é fazer isso em último caso”, frisou.

Pantoja concorda que, ainda assim, houve um enxugamento de quadros significativo em dezembro, e este se deu em razão das incertezas junto à classe empresarial decorrentes do começo da segunda onda de Covid-19 no Estado, e da primeira tentativa do governo estadual de fechar o comércio por decreto. O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM ressalta que ouviu relatos de que as vendas vinham aquecidas até aquele momento e avalia que a sinalização negativa deve ter contribuído para antecipar a demissão dos funcionários temporários.  

“O decreto gerou cautela e a necessidade de medidas de contenção de custos entre as empresas, com as demissões. O ano já tinha sido bastante complicado e, quando se imaginava que teríamos uma recuperação, veio a segunda onda. Infelizmente, não fizemos o dever de casa para reduzir os impactos e evitar a necessidade de novos períodos de restrição de funcionamento. No nosso caso, tivemos o anúncio de um decreto justamente no período de maior venda do comércio, que é o segmento que mais contribui com a geração de empregos. O impacto foi imediato”, encerrou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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