Depois do restabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente Lula, o Brasil se prepara para mais um embate dualístico. No Brasil parece só existir duas pessoas capazes de postular a candidatura à Presidência da República: o ex-presidente e o atual. Tal qual no Amazonas, onde só parecem existir dois times de futebol no Brasil: Flamengo e Vasco. Esta visão estreita volta a tomar conta do Brasil, estimulada pela mídia que escolhe este tema para contrapor ao batido corona vírus.

É impressionante como as pessoas aceitam ser rotuladas de lulistas ou bolsonaristas sem ao menos gritarem contra a limitação que esta pecha impõe. O STF que já impôs limites às prerrogativas do Presidente da República, agora anula os atos da justiça. Conseguir, através de falhas processualísticas, inocentar um assassino, não  ressuscita a vítima. Nem é novo o fato de ex-presidiário virar primeiro mandatário de uma nação. O povo acaba sendo rotulado, não por suas ideias e convicções, mas porque o próprio sistema o obriga.

Atualidades à parte, o mundo já viu antigos governantes injustiçados voltarem ao poder pelos braços do povo e só conseguirem fazer um governo medíocre. Juan Domingos de Perón, na Argentina, Getúlio Vargas, no Brasil e a recente administração municipal do senhor Amazonino Mendes, em Manaus, não me deixam falando só.  Mas, há outros casos pelo mundo afora que corroboram esta afirmação. Os que voltam, não o fazem por si só, porém trazidos por amigos que querem usufruir da proximidade ao poder. Contudo, o desejo também pode ser a eternização no poder, próprio ou de um grupo apaniguado.  

Cuidado, existe uma coisa chamada de “democracia” que quase todos que ocupam o poder gostariam de ignorar. Esta democracia determina o tempo de cada mandato e o novo julgamento popular. Ela também mede dois fatores: a popularidade e a rejeição. Estes costumam crescer lado a lado, brigando entre si como Deus e o Demônio. Os políticos se comportam como muitos cristãos que dão oferendas ao Deus do Bem, para que este afaste o Deus do Mal. Odes.  Assim, o candidato que atinge quarenta por cento dos votos no primeiro turno e, por causa do índice de rejeição não o ultrapassa no segundo turno vai ficar em casa. No Brasil da polarização este é o fato. Dois candidatos com alto índice de popularidade e rejeição. Os dois correm pelos extremos. 

Assim colocado, existe um vasto meio de campo vago. Se aparecer alguém jovem para competir, pode ganhar a corrida. Os jovens têm a vantagem de não terem rejeição. A rejeição aos mais velhos propicia o surgimento de novas lideranças. Infelizmente, no Brasil existe a experiência desastrosa com o então Jovem Collor de Mello.  Os líderes jovens são bem-vindos. Desde que não estejam encarando o poder apenas como oportunidade de chegar ao pote de ouro, como o jovem governador do Amazonas, que deve ter faltado às aulas de administração e de ética. 

Muitos já me perguntaram quantos anos o povo levaria para aprender a votar com consciência. Eu respondo que, mesmo votando com a consciência, o leitor não sabe se vai acertar. Porém, se deixar as paixões de lado, não irá repetir velhos erros do passado. As chances de errar diminuem. Quando damos nosso voto, entregamos a nossa confiança ao candidato. Mas, temos de ter a coragem de reconhecer quando erramos e renovar quando temos oportunidade. Assim, conquistaremos com alegria a rotulagem de cidadão.

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