27 de junho de 2022

Roraima e o apartheid intra-étnico

O governo federal está promovendo o “apartheid intra-étnico e não apenas entre índios e não-índios.

O governo federal está promovendo o “apartheid intra-étnico e não apenas entre índios e não-índios. Ao invés de unir as pessoas, o presidente está promovendo a divisão até mesmo entre os grupos indígenas. Não se faz um governo de ajuda às minorias promovendo a separação de cidadãos brasileiros. O governo Lula coloca trezentos homens armados para expulsar cidadãos ordeiros, pequenos criadores, servidores públicos. Estou com o coração partido de ver vilas, como Surumu, ocupadas militarmente por policiais armados até os dentes”, afirmou o senador Mozarildo Cavalcante, em discurso na tribuna do Senado.
Graças à ação sistemática e corajosa dos pequenos periódicos, à decisão do STF e a repercussão em torno do pronunciamento do general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, foi que a população brasileira abriu os olhos para o que estava ocorrendo em Roraima. Começaram a tomar conhecimento das ações deletérias das ONG’s, Igreja Católica e versões falaciosas da Funai, Advocacia Geral da União e governo federal.
Infelizmente a grande imprensa raramente deu o valor devido às questões que afligem a nossa nacionalidade na Amazônia Brasileira. Foram os pequenos tablóides e desconhecidos jornalistas que trouxeram à tona esta realidade tão preocupante. A grande mídia só apareceu depois dos fatos consumados, cujo desenrolar já tinha sido analisado, publicado e comentado em todos os rincões graças à tenacidade e o arrojo da pequena imprensa. Já não era possível omitir, negar à opinião pública as informações que ela começava a exigir.
Desde que iniciei minhas palestras sobre a Amazônia, há quase uma década, na região Sul, enfocando especialmente a questão da soberania que venho denunciando as demarcações, sem qualquer critério legal, das reservas indígenas. Naquela época já denunciava a ação criminosa do padre guerrilheiro Giorgio Dal Ben com o apoio do Cimi, em Roraima, e só agora esta questão começa a ser levada a sério.
É preciso que fique bem claro que a maioria dos não-índios que ainda não saíram da área demarcada não o fizeram por falta de opção. A Funai não cumpriu os acordos, os moradores não receberam as terras prometidas e nem as indenizações. O curioso, nisso tudo, é que existem dois pesos e duas medidas nas decisões do governo federal. Enquanto o Incra oferece R$ 90 milhões aos mais de 400 posseiros e seis arrozeiros para deixar a reserva, um único invasor, em Rondônia, será indenizado com R$ 371 milhões.
Isso lembra posicionamento do jurista Ives Gandra Martins, quandi diz que “Hoje, tenho eu a impressão de que o ‘cidadão comum e branco’ é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos”.
Os verdadeiros patriotas devem render um tributo à pequena imprensa e aos jornalistas desconhecidos, que foram a locomotiva deste processo. Não fosse sua obstinação, as autoridades já teriam decidido a favor das ONGs que solapam nossa soberania e dignidade. Devemos repudiar toda e qualquer atitude que venha a privilegiar cidadãos pela raça, cor, etnia, manifestação religiosa ou origem, lembrando que este é um país mestiço e todos devem ser considerados iguais perante a lei.
Sustentaremos, doravante, as palavras do Gen Heleno em todos os nossos futuros artigos mostrando que a voz de um líder, de um patriota, como ele, jamais se calará.

HIRAM REIS E SILVA é coronel de engenharia e professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA).

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