Renda baixa impulsiona índice de confiança

Sondagem da FGV mostrou elevação de 2,7% entre outubro e novembro e atingiu 125,4 pontos

O bom humor das famílias de renda mais baixa impulsionou o resultado recorde na confiança do brasileiro em novembro, mostrado pelo ICC (Índice de Confiança do Consumidor), que atingiu este mês o melhor nível desde sua criação, em setembro de 2005.
Segundo o economista e coordenador de sondagens conjunturais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Aloísio Campelo, a confiança na continuidade da trajetória favorável da economia, aliada ao término das eleições -que historicamente confere um fator de incerteza às estimativas-, provocou uma arrancada na confiança do consumidor de baixa renda, puxando para cima as expectativas quanto aos rumos da economia para os próximos meses.
Campelo negou que o nível recorde na confiança em novembro seja originado diretamente da vitória da candidata petista Dilma Rousseff. “É complicado associar uma pesquisa puramente econômica com o ambiente político”, salientou. No entanto, admitiu que, independente do nome vencedor da corrida presidencial, o término do período eleitoral contribuiu para tornar mais sólidas as projeções do consumidor quanto ao futuro, com a retirada de um fator de incerteza sobre quem seria o presidente do país.
“Com o fim das eleições, e o anúncio de aumento de salário mínimo, e da continuidade de vários programas sociais, isso ajudou a melhorar o humor das famílias de renda mais baixa, em um mês que contou com inflação dos alimentos em alta”, afirmou, lembrando que a alta de preços dos alimentos costuma derrubar as avaliações e estimativas dos consumidores mais pobres.
Campelo comentou que, de uma maneira geral, praticamente todas as respostas apuradas para cálculo do ICC apresentaram saldo positivo em novembro. No entanto, ao se avaliar o indicador sepa­rado por faixas de renda, é possível perceber que o índice entre as famílias com ganhos mensais de até R$ 2.100 subiu 5,2% em novembro contra outubro, bem acima da variação média do ICC em todas as faixas de renda, que subiu 2,7% de outubro para novembro. Nas famílias com renda entre R$ 2.101 e R$ 4.800, o índice saltou 3,00% no mesmo período. Ao mesmo tempo, o indicador subiu apenas 0,8% nas famílias com faixa de renda entre R$ 4.801 e R$ 9.600; e avançou 1,2% nas famílias com renda mensal acima de R$ 9.601, no mesmo período.

Resultado positivo

Embora as famílias de baixa renda tenham se des– tacado em novembro, de uma maneira geral a confiança do consumidor em média manteve resultado positivo em novembro. A fatia dos consumidores pesquisados, em todas as faixas de renda, para cálculo do indicador que avaliam como boa sua situação financeira no momento saltou de 26,2% para 30,1% de outubro para novembro. Somente o percentual de consumidores entrevistados que aposta em uma melhora em suas finanças nos próximos seis meses subiu de 36,5% para 37,3%, no mesmo período. “A profusão de números favoráveis é imensa. O ICC está se sustentando em um patamar e‑ levado”, afirmou Campelo.
No entanto, fez uma ressalva. A intenção de compras de bens duráveis para os próximos meses “andou de lado” em novembro. A fatia de consumidores entrevistados que apostam em maior volume de compras de bens duráveis nos próximos seis meses subiu muito levemente de outubro para novembro, passando de 14,2% para 14,5% no total de pesquisados. “O consumidor ainda está realizando ajustes em seu orçamento, tendo em vista a antecipação de compras ocorrida durante o período de redução do IPI em bens duráveis”, disse, lembrando que este tipo de produto, de maior valor agregado, costuma ser pago parceladamente. “Com relação às compras futuras, ele está confiante, mas é uma confiança com cautela”, concluiu Campelo.

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