Quase 50 mil trabalhadores do Polo Industrial de Manaus estão parados

A paralisação temporária de boa parte das linhas de produção do PIM, em decorrência de problemas logísticos e de mercado gerados pela crise do Covid-19 já está minando a força de trabalho da indústria incentivada. Sindicatos laborais consultados pelo Jornal do Commercio informam que mais de 47 mil trabalhadores do Polo Industrial de Manaus já foram mandados para casa – número superior à metade do contingente do setor segundo a Suframa (89 mil).

A maioria esmagadora foi afastada temporariamente por meio de férias coletivas e licença remunerada. De acordo com o Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas), pelo menos 35 mil efetivos dos polos eletroeletrônico, metalúrgico, mecânico e de duas rodas, entre outros, seguiram essa rota. A lista incluiria ainda em torno de 7.000 terceirizados. De sua parte, o Sindplast (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Plástico de Manaus) estima que 4.000 operários do polo termoplástico estão nessa situação. 

Os sindicatos laborais informam ainda que uma parcela minoritária e significativa de empresas do PIM optou pela suspensão temporária de contratos, regulamentada pela polêmica MP (Medida Provisória) 927/2020 – que, em seu texto original, previa afastamento sem remuneração. Conforme o Sindmetal-AM, 1.500 trabalhadores foram afastados dessa forma. Os segmentos citados já contabilizam também um número marginal e não totalmente informado de demissões, segundo as entidades.

“Qualificação e acordo”

Presidente do Sindmetal-AM e da CUT-AM (Central Única dos Trabalhadores do Amazonas), Valdemir Santana salientou que os números informados ao Jornal do Commercio dizem respeito a estatísticas contabilizadas apenas a partir de sexta (27) e que os números tendem a aumentar nos próximos dias, mediante a evolução dos desdobramentos da crise do Covid-19.

“Além dos 35 mil trabalhadores efetivos afastados, que devem ficar 20 dias em casa, há também terceirizados, que correspondem a uns 20% desse total, a mais. Só lamento que nem todas as empresas atuem de boa fé. Algumas optaram pela suspensão de contrato. Faturaram tanto no ano passado, mas dizem que não têm dinheiro para dar melhores condições ao trabalhador”, desabafou.

A MP 927/2020 estabelece que o empregador que optar pela suspensão temporária de contrato será obrigado a fornecer curso de qualificação à distância no período, além de negociar individualmente com o empregado uma “ajuda compensatória mensal, sem natureza salarial”. Também está previsto que tais acordos estarão acima das leis trabalhistas no intervalo atendido pela medida, desde que respeite a Constituição.

Reforma e PLR

Em conversa com o Jornal do Commercio, o presidente do Sindplast, Francisco Brito, estima que o segmento termoplástico conta com 6.000 trabalhadores efetivos e 2.000 terceirizados, sendo que entre 3.500 e 4.000 pessoas foram mandadas para casa, por meio de férias coletivas e licença remunerada. As demissões não teriam passado de 30, mas o dirigente ressalva que apenas 40% das rescisões estão sendo realizadas no sindicato – especialmente as empresas de menor porte –, em razão das mudanças da Reforma Trabalhista.

“A maioria das empresas está seguindo os parâmetros recomendados pela OMS [Organização Mundial de Saúde], embora haja exceções, infelizmente. Houve também o caso de uma empresa multinacional que mandou seus trabalhadores para casa recebendo 75% de seu salário no primeiro mês, com a possibilidade de estender o benefício para mais um mês. Para isso, usaram recursos do PLR [Programa de Participação de Lucros e Resultados] e ninguém foi demitido”, destacou Brito.

Sem estatísticas

O Amazonas não conta com estatísticas atualizadas de emprego para dar uma ideia da situação da indústria no período de transição para a atual crise. Os dados mais recentes são de dezembro de 2019, das últimas divulgações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE. No primeiro, mudanças de metodologia na apuração e o agravamento da crise do Covid-19 brecaram a captação. No caso da PNAD, a divulgação dos dados regionais é trimestral e está prevista para maio.

Nesta terça (31), o IBGE informou os dados nacionais de fevereiro, mês do registro do primeiro caso do Covid-19 no Brasil, mas bem antes das medidas de restrição e isolamento social. A taxa de desocupação brasileira interrompeu uma sequência de dois trimestres seguidos de queda significativa e subiu para 11,6% no trimestre acumulado encerrado em fevereiro – contra os 11,2% anteriores. Ao todo, são 12,3 milhões de desempregados no país.

A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, disse à Agência de Notícias IBGE que o aumento no desemprego é reflexo da variação sazonal do mercado de trabalho, considerada normal para a época. Ela observa que o aumento não veio do comércio ou da indústria, mas da construção (-4,4%), da administração pública (-2,3%) e dos serviços domésticos (-2,4%).

“É normal que no início do ano ocorra essa interrupção, porque já vínhamos numa trajetória de taxas declinantes no fim do ano. Não tínhamos visto essa reversão em janeiro, no entanto. Ela veio agora, provocada por uma queda na quantidade de pessoas ocupadas e um aumento na procura por trabalho”, concluiu.

Fonte: Marco Dassori

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