Quando a música no Amazonas silenciou

Você já imaginou a noite manauara sem shows musicais? Pois é este momento que estamos vivendo agora e sabe-se lá por quanto tempo mais.

Em reunião realizada na terça-feira, 17, a Asseam (Associação de Entretenimento do Amazonas), que reúne os proprietários das casas de shows do Estado, decidiu que todos os associados, pelo bem da saúde de seus clientes e funcionários, deveriam silenciar suas bandas, apagar as luzes e cerrar as portas de seus estabelecimentos por tempo indeterminado.

“Infelizmente não há previsão de volta. Apesar de estar se falando em retorno gradativo a partir de 1º de abril, só vamos fazê-lo quando os órgãos de saúde federais derem a certeza de que o perigo do coronavírus passou”, falou Gerson Sampaio, diretor institucional da Asseam e proprietário do Moai.

O Moai é uma das casas de shows mais frequentadas de Manaus. Chega a reunir 800 a 1.000 pessoas nas terças-feiras e sábados, dias em que funciona.

“Damos trabalho e emprego para mais de 45 pessoas, diretamente, e mais de 70, indiretamente. Todo esse pessoal já vai ficar sem receber a partir deste final de semana”, lamentou.

O Moai reúne vários estilos musicais, forró, sertanejo, pagode, swingueira, com bandas como Xiado da Xinela, Grupo Estrelas, e cantores, Dion Guerra e Vanessa Auzier, entre outros.

“São mais de 65 bandas que se apresentam aqui, agora calcule que cada uma delas gera renda para oito a dez pessoas entre músicos e pessoal de apoio. Calculamos, na Asseam, que já a partir deste final de semana, mais de 20 mil pessoas estarão sem trabalho e sem renda. Isso é muito triste”, informou.

“Outra triste constatação que fizemos é que, quando tudo isso passar e Manaus voltar à normalidade, a grande maioria das casas noturnas terá falido. Seus proprietários não terão mais condições de abri-las novamente”, revelou.

Todos concordaram

William Lauschner, presidente da Asseam e proprietário do Porão do Alemão, confirmou que dos 35 associados da Asseam, todos concordaram em fechar as portas.

“Que adianta nossas casas lotadas e depois os hospitais lotados por quem frequentou nossas casas?”, indagou.

O DJ Evandro Jr. chega a realizar cinco eventos por semana, em Manaus, gerando renda diretamente para 500 pessoas.

“Cara, é muita gente sem tem aquele precioso dinheiro na semana. Lamentável”, completou.

Ainda no dia 17 os membros da Asseam fizeram reivindicações solicitando contrapartidas do município e do Estado, para Bernardo Monteiro de Paula, diretor presidente da Manauscult (Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos) e Marcos Apolo Muniz, secretário de Cultura do Estado.

“Vamos aguardar suas respostas até a próxima semana mas, sinceramente, não acredito que eles possam fazer muita coisa pela categoria”, disse Gerson.

“Neste final de semana, através de outdoors, começaremos uma campanha incentivando as pessoas a ficarem em casa. Quando nós, proprietários de casas noturnas, chegamos a esse ponto, é porque concluímos que a coisa é séria”, concluiu.

O silêncio do samba

O pagode também silenciou. Cavacos, tantãs, pandeiros, banjos, repiques e surdos guardados. No sábado, 14, os grupos que se apresentam no ‘Amor eu vou dormir’, aos sábados, na quadra da escola de samba Vitória Régia, na Praça 14 de Janeiro; e o ‘É disso que eu tô falando’, aos domingos, na Cachoeirinha, fecharam suas portas.

Os grupos que se apresentam nestes dois espaços são o VKS (Vem K Sambar), Samba de Quintal, Vibe A+, Freelance, Prefixo 92, Dubarranco e banda, NTDS, Sambakiss, Deuzimar e Deu Samba, Jean Carlos e banda, Pagode a Bessa.

“Todos parados, desde então. Cada grupo desses reúne de seis a oito pagodeiros, fora o pessoal de apoio”, falou Caroline de Mônaco, assessora de imprensa da VKS Produções, responsável pela organização das apresentações nos dois espaços.

“A quadra da Vitória Régia lota nas noites do ‘Amor eu vou dormir’ e o ‘É disso que eu tô falando’ reúne cerca de 300 pessoas, a lotação do espaço. É triste essa situação”, disse.

Caroline calcula que só o evento na quadra da Vitória Régia dê emprego para quase 100 pessoas, e na Cachoeirinha, cerca de 30 pessoas se sustentam com o que ganham no domingo, sem falar dos que faturam algum vendendo nas imediações dos locais.

O Vem K Sambar tinha shows agendados de terça-feira até domingo. Todos foram cancelados.

“Infelizmente as coisas não ficam só nisso. No dia 18, no ‘É disso que eu tô falando’, iriam inaugurar os Ensaios do Forró Ideal, no dia em que o pessoal da Raça Fla frequenta o local para ver os jogos do Flamengo. No dia 19, quinta-feira, seria a terceira edição do ‘Quintou’, bem como, no dia 21, sábado, também aconteceria a terceira edição do ‘Sambalizar’, comandado pelo Joubert Balbino, estreando na casa. Nada disso aconteceu”, finalizou.

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