Audiovisual ganha força em tempos de quarentena

Em tempos de quarentena, a Itália organizou uma mostra especial com os filmes participantes do ITFF (International Tour Film Festival), festival de cinema que aconteceu em outubro passado naquele país. Os organizadores do evento convocaram os selecionados da última edição do ITFF para compor uma mostra especial, on-line, o ITFF in Streaming, que desde o dia 25 está exibindo curtas e longas-metragens, na página do festival no Facebook. E tem filme amazonense na mostra, ‘A estranha velha que enforcava cachorros’, de Thiago Morais. Desde a sua primeira exibição no festival infantil Rói-Rói, em 2018, o curta já percorreu cerca de 47 janelas de exibição, em várias cidades brasileiras e alguns países, e recebeu três prêmios na Mostra Pirarucurtas realizada em  dezembro de 2019, em Manaus, ficando em cartaz no Cine Casarão.

Thiago Morais é idealizador das Opas (Oficinas de Produção Audiovisual), no Museu Amazônico. Em apenas dois anos, já passaram pelas Opas 220 alunos, 10 palestrantes, 30 atores e diversos figurantes. Grande parte dos alunos está participando de projetos independentes, elaborando projetos para concorrer em editais.

“Estamos na sétima turma, e o objetivo do curso é oferecer gratuitamente para a comunidade um curso de qualidade e fomentar a produção audiovisual amazonense”, disse.

“Conheci o movimento de cinema, em Manaus, na faculdade de Publicidade, quando comecei a produzir filmes com os amigos, em 2001. Em 2003 participei de um concurso de roteiros da Secretaria de Cultura do Estado, fui contemplado, produzi o curta ‘Igarapé do 40’ e ganhei meu primeiro prêmio em um festival”, lembrou.

O início das Opas

Nos anos seguintes, Thiago continuou produzindo curtas e ganhando prêmios, até que, em 2007, a SEC (Secretaria de Cultura do Estado) montou o Núcleo de Produção Digital da Casa do Cinema, espaço que democratizou a produção cinematográfica local disponibilizando equipamentos e técnicos para os realizadores de filmes.

“Em 2008 fui convidado para coordenar o curso de cinema do Projeto Jovem Cidadão, um programa social do Governo que atuava nas escolas estaduais e contemplava os alunos com todas as modalidades de arte, cultura, esporte e cursos profissionalizantes”, falou.

Thiago coordenou o projeto por cinco anos, até ingressar na SEC para trabalhar na Amazonas Film Commission, órgão facilitador de produções audiovisuais internacionais, nacionais e regionais, onde atuou por três anos.

“Em 2017 ingressei na Ufam e fui lotado no Museu Amazônico, onde desenvolvo várias atividades culturais, entre elas o cinema, com cineclubes, palestras, workshops, oficinas e produção de curtas”, contou.

Em 2018, Thiago apresentou o projeto da Opa para Dysson Teles, diretor do Museu Amazônico e, de imediato, o diretor assinou em baixo.

A primeira turma aconteceu no Caua (Centro de Artes da Ufam), pois não havia espaço disponível no Museu para executar a atividade. Foram oferecidas 20 vagas e os alunos produziram o curta ‘Vendo boto’.

“A Opa foi submetida e contemplada no Parec (Programa de Apoio à Realização de Eventos e Cursos de Extensão), da Ufam, e oferecemos três turmas em 2018, a cada turma a procura era maior. Em 2019 reformamos um espaço do Museu e inauguramos o nosso Cineteatro, assim conseguimos oferecer o dobro de vagas na Opa. A média de inscrições era de 300 pessoas. Em 2020 na primeira edição do curso de férias, a Opa recebeu 1267 inscritos em três semanas”, revelou.

O caso tucumã

Agora Thiago comemora as conquistas de mais uma produção saída do pessoal que atua nas Opas, o curta ‘O caso do tucumã’.

‘O caso tucumã’ foi dirigido por Bruno Pereira, convidado para o workshop de direção de fotografia na sexta turma da Opa.

“O Bruno trouxe o roteiro e os alunos trabalharam a produção do curta a partir do texto. Formaram equipes e escolheram setores para atuar (direção, produção, arte, fotografia, figurino, maquiagem, elenco e edição)”, informou.

“Todos os alunos participaram, se empenharam e desenvolveram suas funções com a orientação de profissionais do audiovisual. Foram 40 pessoas envolvidas, entre alunos e profissionais da área. A proposta era fazer o filme com bastante criatividade, pois não tinha verba para a execução do curta”, completou.

Todo esforço, valeu a pena. Em apenas duas semanas, ‘O caso tucumã’ foi selecionado para três festivais nacionais.

“Não é tão fácil um filme do Amazonas participar de festivais porque concorre com uma média de 900 filmes inscritos em cada festival, que na maioria das vezes só tem espaço para no máximo 20 filmes”, revelou.

Os festivais que o curta foi selecionado são: 8º Festival de Cinema Curta Pinhais, no Paraná; 3º Festival de Cinema de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina; e 2° Festival Mazzaropi de Curtas-Metragens, em Taubaté/SP.

“Estamos aguardando o retorno das atividades da Ufam para anunciar a nova turma da Opa, no Museu Amazônico. Novos Projetos Virão. Aguardem”, concluiu.

Fonte: Evaldo Ferreira

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email