Produção industrial perde força em outubro

A produção industrial do Amazonas interrompeu uma sequência de cinco altas mensais seguidas e perdeu força em outubro. O desempenho amazonense seguiu na trajetória inversa da média nacional, mas seguiu acima de 2019. O mesmo não pode ser dito dos acumulados, que ainda refletem as perdas impostas pela crise da covid-19 – especialmente nos segmentos de combustíveis e veículos de duas rodas, que amargam quedas de dois dígitos. É o que mostram os dados da pesquisa mensal para o setor, divulgada pelo IBGE, nesta quarta (9).

Depois de avançar 5,5% no levantamento anterior, a atividade industrial amazonense reduziu a marcha, e registrou retrocesso de 1,1%, na passagem de setembro para outubro de 2020. A indústria do Amazonas também fechou novamente no azul na comparação com o mesmo mês de 2019 (+5,2%), mas a performance foi bem inferior à apresentada em setembro (+14,2%). Os acumulados do ano (-8,9%) e dos últimos 12 meses (-10,6%), por sua vez, seguem devendo.

Ao contrário dos últimos meses, o resultado da manufatura do Amazonas ficou muito aquém da média nacional (+1,1%) na variação mensal de outubro, levando o Estado a desabar do décimo para o quinto lugar, entre as 14 unidades federativas pesquisas mensalmente pelo IBGE. Paraná (+3,4%), Pernambuco (+2,9%) e Santa Catarina (+2,8%) tiveram os melhores números. Na outra ponta, Rio de Janeiro (-3,9%), Goiás (-3,2%) e Pará (-1,8%) ficaram em último, neste tipo de comparação – que registrou sete altas e uma estabilidade (Rio Grande do Sul).

A expansão sobre outubro de 2019 também fez a indústria local despencar ranking mensal do IBGE, da primeira para a quarta posição, embora tenha se mantido bem acima da combalida média brasileira (+0,3%). O Estado foi precedido por Santa Catarina (+7,6%), Pernambuco (+7,2%) e Ceará (+6,1%). Em sentido inverso, os piores desempenhos vieram de Mato Grosso (-11,7%), Goiás (-9,6%) e Espírito Santo (-7,6%), em um panorama com seis desempenhos negativos.

Apesar da retração apresentada no acumulado de janeiro a agosto, o Amazonas conseguiu subir da 12ª para a 11ª colocação, mas ficou abaixo da média brasileira (-5,3%). O Estado só ficou à frente do Espírito Santo (-17%), Ceará (-9,8%) e Rio Grande do Sul (-9%). Em contrapartida, os melhores desempenhos vieram de Pernambuco (+2,4%), Rio de Janeiro (+1,4%) e Goiás (+0,7%), em uma lista com apenas quatro performances positivas.  

Informática e eletrônicos

Na comparação de outubro com o mesmo mês do ano passado, a produção das indústrias extrativas voltou a despencar dois dígitos (-8,6%), enquanto a indústria de transformação avançou 5,8%. Quatro dos nove segmentos da indústria de transformação investigados pelo IBGE no Amazonas fecharam no vermelho: impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com -82,5%), “outros equipamentos de transporte” (motocicletas, com +17%), derivados de petróleo e biocombustíveis (gás natural, com -5,1%) e produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear e estruturas de ferro, com -3,9%).

Em sentido inverso, produtos de borracha e material plástico (-32,6%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares e computadores, com +25,4%), máquinas, equipamentos e aparelhos elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com +10,2%) e bebidas (-8,9%), além de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com +6,4%).

No acumulado de janeiro a outubro, o quadro é menos encorajador. As únicas atividades da indústria de transformação que alcançaram incremento foram as de máquinas e equipamentos (+2,9%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+0,9%), enquanto produtos de metal pontuaram estabilidade. Do outro lado, as principais influências negativas vieram derivados de petróleo e biocombustíveis (-19,6%),“outros equipamentos de transporte” (-18%) e impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com -12,5%).

“A queda na produção industrial em outubro, em relação a setembro, foi provocada foi provocada pelo baixo desempenho de cinco atividades. Apesar do resultado negativo, o desempenho da indústria amazonense foi positivo em relação ao ano passado. A comparação que serve para medir o crescimento do setor no ano teve desempenho positivo em apenas quatro dos dez meses de 2020. Restam apenas os resultados de novembro e dezembro para recuperar as perdas na produção”, frisou o chefe do IBGE no Amazonas, Ilcleson Mendes.

“Perspectivas otimistas”

No entendimento do presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antônio Silva, o resultado de outubro já era esperado, dado que o último trimestre do ano cobre o período em que a maioria das encomendas de fim de ano já foram produzidas pelo setor. Da mesma forma, prossegue o dirigente, o recuo no acumulado do ano também não surpreende, dada a magnitude das perdas impostas ao PIM pela crise da covid-19.  

“Embora o faturamento ocorra no mês de outubro grande parte do encomendado já foi fabricado até o final de setembro. O que realmente é importante, no meu ponto de vista, é o crescimento ocorrido em relação ao mês de outubro do ano passado. Quanto ao acumulado da produção do ano, sempre afirmamos que ficaria aquém do registrado em 2019 em função das consequências da pandemia”, comentou.

Antonio Silva atribui o decréscimo acumulado no segmento de combustíveis à redução de mobilidade provocada pela pandemia e pela contração da atividade econômica. Com relação ao segmento de mídia digital, o presidente da Fieam avalia que o retrocesso pode se dever, em parte, à situação da atividade econômica durante os picos da pandemia, que afetou as empresas do segmento de comunicação digital. De acordo com o dirigente, contudo, as perspectivas para 2021 são otimistas, diante da “provável aprovação de vacinas contra o novo coronavirus”.

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