16 de maio de 2021

José Fernando Pereira da Silva

Assessor Econômico – Fecomércio AM

[email protected]

Dentre as mazelas, que essa inominável pandemia arrasta consigo, estão os estereótipos da informação, da contrainformação e até mesmo a desinformação, capazes de criar um ambiente de instabilidade emocional, gerando, no meio da sociedade, um horizonte de incertezas e imprevisibilidade. Abusamos do direito de desnortear o mais comum dos mortais. 

Nos últimos dias, tomamos conhecimento, através da grande mídia nacional e da mídia local, de comentários desairosos e equivocados, inclusive com a participação de autoridades, que atribuíram ao comércio, o papel de vilão do recrudescimento da Covid-19. Alegaram que o limitado período de vendas no Natal causou incontroláveis e insalubres  aglomerações, embora de fontes credenciadas, desde o mês de outubro passado, já prenunciavam este novo surto a partir do mês de dezembro pretérito, após o festejado período das campanhas eleitorais.

Segundo o professor Roberto Campos, um dos homens mais inteligentes do Brasil, na sua memorável obra “Lanterna na Popa”, existem em nosso País, várias leis que não tramitaram em nossas casas legislativas, fazendo parte dos costumes (uma espécie de direito consuetudinário), muito adequadas ao momento que estamos vivendo.

Ante esse elenco de leis, faço questão de destacar a “Lei da transferência da culpa”, na qual é menos importante encontrar soluções do que ter “bodes expiatórios”. 

As grandes frustrações de nossas limitações, aliadas à soberba, criam a necessidade de enxovalhar e de procurar causas externas às nossas ações, no domínio da magia e da conspiração, para explicar as flagrantes omissões.

Uma variante desta lei é o principio de que o instrumento é mais importante que o objetivo. 

O objetivo do nosso comércio, especificamente, é girar a roda da economia com a manutenção dos empregos, dos investimentos, em consonância com as normas sanitárias. Entretanto, foi imposta ao setor, embora temporariamente, a dura obediência do cerceamento de suas atividades em beneficio da saúde. Diante disso, todo o setor passou a viver um sério dilema, se a dura opção se colocasse de forma negocial,  sem dúvida, a opção seria ter ambas.

Não sabemos precisar os rumos dessa pandemia, uma esperança surgiu com a descoberta da vacina, entretanto, no presente momento, eis-nos com mais fadiga do que proveito ao fim desta disquisição. Uma pergunta assola nossa mente, por que o trejeito irônico de tratar esse grandioso problema num momento tão sério?

 A razão é que urge encarar de frente a vida, que não é doce e por isso preferimos o caminho da ironia, que é o “pudor da razão diante da vida”.

Mas no íntimo, confessamos que a única lei que realmente gostaríamos é a do velho poeta. “Por mais escasso que seja o suprimento da verdade, a sua oferta sempre excederá a procura.”

O comércio é a atividade econômica mais antiga do universo, remontando à época dos fenícios, dos sumérios, egípcios entre outros povos que tornaram a atividade como a mais virtuosa. Assim, o comércio foi e continua sendo o principal vetor na evolução da humanidade, onde a constante troca de experiências aproxima os continentes, aproxima os povos e civilizações, sendo irrefutável obrigação reconhecer sua relevante contribuição ao nosso desenvolvimento.

À guisa de conclusão

Reconhecemos humildemente que como mero colaborador desta coluna, tomei a liberdade de fazer algumas ilações sobre os últimos acontecimentos, sem a pretensão de apresentar chaves para a compreensão da catástrofe, que ora se desenvolve em Manaus. Na verdade, a chave é fugidia, pois que tomou de surpresa não só nossa cidade, mas o mundo todo, que como num passe de mágica, ficou imobilizado sem poder de reação. Para encontrá-la, faz-se mister uma mistura adequada de emoção e racionalidade. A contenção dos anseios utópicos e a elevação do nível de eficiência são as imperiosas premissas para a conciliação entre a acumulação paciente de conhecimentos e aspirações de bem-estar. Encontrar essa chave seria a essência de nosso esforço, o propósito da nossa busca e, eventualmente, a medula de nossa recompensa.

Buscar a solução de nossos problemas na “Lei da transferência da culpa” não é o modo inteligente de enfrentar os desafios, elegendo de forma inconsequente “Bodes Expiatórios”.

José Fernando Pereira da Silva

Assessor Econômico – Fecomércio AM

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