18 de abril de 2021

Preços permanecem altos no Amazonas

Apesar da visível queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional, cujo decréscimo já é 46% menor do que custava em abril do ano passado

Apesar da visível queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional, cujo decréscimo já é 46% menor do que custava em abril do ano passado, o valor da gasolina e demais combustíveis vendidos aos consumidores nos postos da capital permanecem altos, do ponto de vista dos consumidores. Donos de postos apontam a Petrobras como principal culpada pela manutenção dos preços na bomba, embora alguns empresários garantam que preço alto não é impedimento para promoções e descontos com pagamento em dinheiro.
Mas o mercado amazonense se pergunta se é possível manter preços baixos na bomba por muito tempo, apesar da refinaria se manter irredutível no preço da revenda. Em pesquisa nos postos na zona sul, o Jornal do Commercio averiguou que o preço cobrado nas bombas variou no início da semana entre R$ 2,60 e R$ 2,65. Apesar disso, foram constatadas bandeiras que aplicavam preços entre R$ 2,57; R$ 2,59 e até R$ 2,48, ou seja, até 6,5% mais barato.
Para o empresário Mi­nervino Ribeiro da Silva, atuante no setor, a resposta está na estratégia de obter lucro a partir do volume de vendas diretas ao cliente nos postos. “Não resta a menor dúvida de que, ao abrir mão do preço alto, a bandeira ganha na quantidade vendida. Essa é a estratégia que poucos empresários têm coragem de programar”, revelou.
Mas, na opinião do economista Álvaro Smont, esta é uma ação de mercado temerária, se mantida por muito tempo, porque se depender apenas da Petrobras o preço da gasolina não vai cair tão cedo. O especialista lembrou que, no início desta semana, foi anunciado que uma redução só será possível quando a estatal recuperar as perdas que teve nos últimos dois anos ao não repassar para o consumidor a alta da cotação do petróleo. “Acredito que manter preços abaixo da média de mercado é rescindir ao lucro. Com a atual instabilidade econômica, esse é um risco que pode trazer consequências graves à saúde financeira da empresa”, avaliou.
Sobre a estabilidade do preço dos combustíveis, o presidente da Fecombustiveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes), Paulo Miranda Soares, disse ao Jornal do Commercio que, se de um lado os preços dos combustíveis não foram reduzidos com a queda do preço do barril no mercado internacional, de outro a Petrobras também não elevou o preço do combustível na mesma proporção alcançada pelo petróleo no mercado internacional.

Impostos embutidos pesam no preço final

O executivo criticou a estratégia política da estatal de manutenção do preço final do combustível aos distribuidores, afirmando que os impostos embutidos no ciclo de vendas têm peso considerável na formatação do preço final da gasolina. “O amazonense, como outros consumidores,­ já percebeu que o preço na bomba não cai, apesar da queda na cotação do petróleo. Em junho do ano passado, para se ter uma ideia, quando o barril ultrapassou os US$ 145, o preço médio da gasolina no país era de R$ 2,49. Hoje, com o petróleo próximo dos US$ 50, o litro da gasolina custa até um pouco mais no Estado, R$ 2,60. É um disparate”, salientou.
Apesar de manter certo distanciamento, o Sindicato dos Distribuidores de De­rivados de Petróleo, através da assessoria de imprensa, manteve questionamento idêntico ao do presidente da Fecombustiveis, acrescentando que a manutenção do preço ao consumidor final pode ser ‘driblada’ com práticas de promoções e descontos sazonais.

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