Polo relojoeiro cresce gradativamente no PIM

O polo relojoeiro de Manaus fabricou no primeiro trimestre de 2009 um somatório de 967,70 mil relógios de pulso e bolso. No mesmo período, as fabricantes do setor venderam 1,32 milhão de unidades, ou seja, além do produzido elas conseguiram desovar o estoque do ano anterior. Conforme os indicadores industriais da Suframa, o setor está recuperando sua produção gradativamente, a cada mês. Em janeiro a produção atingiu 259,15 mil unidades do produto, passado para 272,87 mil em fevereiro e saltou para 435,62 mil em março.
Se comparada à produção de relógios de pulso no período de janeiro a março deste ano -967,70 mil- a igual período do ano passado –um total de 1,16 milhão– a queda chega a 17,2%.
O presidente do Sirom (Sindicato das Indústrias de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus), Nelson Azevedo, descarta qualquer comparação entre um período e o outro, por se tratar de realidades completamente diferentes. “Em 2008 tivemos um primeiro trimestre sem crise econômica, com as empresas trabalhando normalmente, dentro da normalidade do período, cujo mercado estava reagindo progressivamente diferente deste ano, considerado difícil para a indústria como um todo”, disse.
Para exemplificar, Nelson Azevedo informou que o setor relojoeiro do PIM (Polo Industrial de Manaus) encerrou 2008 com 1,48 mil empregos diretos. No fim de março esse número havia caído para 1,30 mil, o que representa uma queda de 12% no número de empregos.
As principais fabricantes de relógios de pulso no PIM são a Technos, Séculos, Magno, Dumond, Metal Alloy (que atua com a marca Primex), Citzén e Oriente.
As empresas do setor faturaram, em 2008, o montante de R$ 557,59 milhões ante os R$ 511,01 milhões, em 2007. Para este ano, Azevedo disse que equiparando ao montante do ano passado será um resultado positivo. Ele explicou que mesmo o mercado reagindo positivamente no segundo semestre não tem como bater recordes porque a recuperação das perdas ocorre de forma tímida. “Diferente da queda que acontece de uma vez”, comparou.

Reservas livram país da recessão

Segundo o presidente do Sirom, diante de uma economia globalizada o Brasil e consequentemente o PIM (Polo Indutrial de Manaus) não teriam como ficar de fora da crise econômica global. Por outro lado, avaliou que a situação não foi pior porque o país vinha de uma pujança econômica, conseguiu guardar reservas suficientes, o que o livrou do fantasma da recessão econômica.
Para alavancar a economia novamente, Azevedo disse que se faz necessário baixar ainda mais as taxas de juros, que ainda estão altas. Se isso acontecer, a expectativa do dirigente é que a partir do segundo semestre surja um novo horizonte e o mercado possa reagir nos níveis de 2008 como um todo, levando as empresas a recuperarem os negócios perdidos.
Além da queda da Selic, o governo federal precisa baixar os juros bancários para chegar na ponta, ou seja, no consumidor final. Azevedo explicou que é grande a diferença entre o que o banco paga para o investidor e o que cobra de quem toma o recurso emprestado. “O spreed bancário, que é a diferença entre a taxa de captação e de aplicação, que fica em poder das instituições financeiras e gera lucro aos bancos, é elevadíssimo no país, encarecendo os empréstimos”, avaliou.

Cadastro positivo

Nelson Azevedo defende que os bancos deveria fazer um cadastro positivo, ou seja, separar os bons pagadores dos maus e não avaliar ambos no mesmo patamar. “Se o cliente tem um cadastro limpo deveriam oferecer maiores facilidades de empréstimo como estímulo a fim de que o consumo não pare”, disse.

Concorrência desleal

Vale destacar que o polo relojoeiro de Manaus já teve 14 empresas que ao longo dos anos foram fechando ou mudando de foco por conta da concorrência desleal com os importados, principalmente de Taiwan. Hoje não tem mais de dez entre pequenas e grandes. Azevedo disse que o mercado brasileiro de relógio de pulso é superior à produção feita pelas fabricantes do PIM, que poderiam atender todo esse mercado se não fosse a ação dos falsificadores que burlam o fisco e findam vendendo produtos mais baratos ao consumidor final. “Para as empresas de relógios, CDs e DVDs -os produtos mais prejudicados com a pirataria- que trabalham na legalidade, importando matéria-prima, fabricando produtos de qualidade, é difícil concorrer em pé de igualdade com os desiguais”, disse.

Datas importantes

O mercado de relógios de pulso tem se segurado nas datas para movimentar as vendas. Azevedo disse que as empresas têm ciclos de produção e vendas nas datas festivas como Dia das Mães, dos Namorados, dos Pais, Natal e o Ano Novo. “São criadas estratégias de marketing com preços especiais de fábrica, além do lançamentos de novos modelos etc”, contou.

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