Pioneiros da economia solidária

Este estudo se ocupa de uma abordagem sobre a gênese do cooperativismo. Rochdale é um distrito de Lancaster, na Inglaterra, que comportava importantes fábricas de flanela, mas dificilmente empregavam tecelões porque os patrões não tinham simpatia pelas categorias organizadas e os tecelões eram bem organizados nesse período. A solução encontrada foi investir no sistema de cooperativismo como forma de inserirem-se no mercado de trabalho. Criaram, então, a Rochdale Society of Equitable Pioneers (Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale) com registro datado de 24 de outubro de 1844. Aos poucos a sociedade foi recebendo novas adesões e com quarenta anos de criação contava com mais de 11 mil membros e, em 1960, com quase 33 mil membros e um vasto capital.O êxito desse empreendimento foi enorme e acalantou muitos sonhos de homens e mulheres que viram melhorar, significativamente, a sua qualidade de vida. O associativismo é uma iniciativa de geração de renda onde pessoas, grupos ou entidades reúnem esforços, vontades e recursos com o objetivo de superar dificuldades, resolver problemas e gerar benefícios comuns. Essa dinâmica supera limites e tem o poder de transformar a sociedade a partir de conquista de direitos sociais, culturais e econômicos. É também uma maneira de participar da sociedade de forma mais igualitária e competitiva. O associativismo é uma forma de racionalidade e execução do trabalho e organização da vida dos trabalhadores. A economia solidária deita raízes nesse tipo de trabalho cooperativista que teve suas primeiras expressões com os pioneiros de Rochdale.Ela parte, portanto, de um referencial teórico e prático longamente acumulado na história das classes trabalhadoras. A sua força está na participação democrática e na solidariedade que são componentes estratégicos de realização de seus objetivos, passando ao largo dos princípios capitalistas e da tutela do Estado.A primeira cooperativa criada no Brasil, em 1847, nos moldes rochdaleanos foi a de um grupo de colonos europeus, liderados pelo médico francês Jean Maurice Faivre.
A Colônia Tereza Cristina, localizada no Paraná, foi inspirada nos ideais humanistas de Charles Fourier e serviu de referencial aos novos empreendimentos coletivos que viriam a ser fundados no país.A contribuição dos colonos europeus especialmente alemães e italianos, ao desenvolvimento do cooperativismo brasileiro, em seus primórdios é inegável. Foi no Sul do país que o cooperativismo concentrou-se e ganhou maior impulso. Minas Gerais despontou como o berço da organização de cooperativas no setor agropecuário. São Paulo fundou a primeira cooperativa de consumo dos empregados da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, em Campinas. O segmento das cooperativas de crédito tem sua gênese no Rio Grande do Sul, em 1908, sob a liderança do padre Jesuíta Theodor Amstadt que implantou as caixas de crédito cooperativo.Foi assim que os diversos segmentos cooperativos desenvolveram-se no país e, hoje, desempenham importante papel na economia brasileira. O segmento agropecuário e de crédito reúnem quase dois milhões de associados, num índice de 2,3 mil cooperativas que geram aproximadamente 115 mil postos de trabalho. O cooperativismo agrícola brasileiro é responsável pela movimentação de recursos da ordem de R$ 17 bilhões na composição do PIB agropecuário nacional. Por tudo isso, devemos potencializar essa vocação econômica.

Celso Torres é economista, mestre em Sociologia do Trabalho pela Ufam. E-mail: [email protected]

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