Petroleiros discutem greve geral

Os acidentes em série em refinarias da Petrobras nas últimas semanas fizeram a FUP (Federação Única dos Petroleiros) se reunir ontem para discutir a convocação de uma greve geral por maior segurança na companhia. Sofreram acidentes não fatais nas últimas duas semanas as refinarias Reman (Manaus), Repar (Paraná), Reduc (Rio de Janeiro), Regap (Minas Gerais) e Rlam (Bahia).
No Paraná, os trabalhadores da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), em Araucária, já anteciparam a decisão e decretaram greve no último domingo.
A unidade teve um incêndio em novembro sem vítimas, mas que levou à parada de produção. Segundo a Petrobras, a previsão era de que a produção voltaria nos próximos dias. Mas, segundo o sindicato dos petroleiros do Paraná, uma das unidades da refinaria não oferece condições mínimas de segurança, e por isso não pode voltar a operar.
Hoje, a presidente da companhia, Graça Foster, que recebeu um prêmio no Rio, se negou a falar com jornalistas sobre o assunto, alegando que estava com pressa para outro compromisso.
De acordo com o diretor da FUP José Maria Rangel, o motivo dos acidentes é o mesmo que levou a interdições da ANP (Agência Nacional do Petróleo) de 11 plataformas de produção da empresa em 2011: falta de manutenção para evitar a redução da produção.
Desta vez, ele acusa também o Procop ( Programa de Otimização de Custos Operacionais) como fator que estimula a ocorrência dos acidentes, por buscar reduzir o tempo de manutenção das unidades.
Rangel informou que no dia 20 será realizada uma reunião extraordinária do Conselho de Administração da empresa para discutir o assunto, no âmbito Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde.
Na ocasião, segundo Rangel, que convocou o encontro, serão relatados os acidentes das refinarias de Manaus, onde quatro trabalhadores ficaram gravemente feridos, com dois ainda internados sem risco de morte, e do Paraná, onde segundo ele uma explosão na unidade de destilação interrompeu a produção.

Aperto na produção

As refinarias da Petrobras estão operando com 99% da sua capacidade para tentar reduzir a necessidade de importação de derivados da companhia, que vem acarretando prejuízos bilionários para a empresa na área de abastecimento.
“Nós temos colocado há muito tempo que está acontecendo as refinarias a mesma coisa que aconteceu nas plataformas. A falta de manutenção para não reduzir a produção tem um custo, e a conta chega”, disse Rangel. Ele é também representante dos empregados no Conselho de Administração da estatal.
Rangel informou que os acidentes mais recentes foram na Bahia, onde duas ocorrências seguidas acenderam a luz vermelha na FUP.
“Dois acidentes seguidos atingiram os trabalhadores da Rlam (Bahia) que atuam na parada de manutenção da Unidade de Craqueamento Catalítico Fluído. Na última quinta-feira, um trabalhador da Mills (terceirizada) sofreu queimadura de segundo grau nas pernas ao ser atingido por um jato de vapor, durante a perigosa ‘purga’ da unidade”, informa a FUP em seu site.
Na sexta-feira, mais dois trabalhadores foram vítimas de um incêndio de médias proporções na torre fracionadora da Rlam. Um caldeireiro da empresa Estrutural (terceirizada) sofreu queimadura no rosto e deslocamento do omoplata, após ter caído de uma andaime com mais de 2 metros de altura, informou a entidade.
O Sindipetro-BA (Sindicato dos Petroleiros da Bahia) afirma que os acidentes são resultado “de uma série de atropelos gerenciais para realizar a toque de caixa uma parada de manutenção em um prazo exíguo de apenas 20 dias, quando o necessário seria, no mínimo, 60 dias”.

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