Pesquisa mostra saúde no Amazonas ainda sem prioridade

A proporção de amazonenses que procuram atendimento de saúde ou consultam médico é maior segundo a faixa de renda. Apesar da má fama do SUS, a maioria esmagadora dos que buscam o serviço público conseguem ser atendidas até mesmo na primeira tentativa (72,5%) e pelo menos 64,9% dos pacientes que ficaram internados em hospitais locais (8,9 milhões) realizaram esse atendimento por meio do Sistema Único de Saúde.

A má notícia é que somente 30,3% (58 mil) dos habitantes do Amazonas que conseguiram obter pelo menos um dos medicamentos prescritos no serviço público de saúde tiveram sucesso. Em sintonia, apenas 16,3% da população conta com algum plano de saúde. Os dados estão na PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), realizada pelo IBGE, entre agosto de 2019 e fevereiro de 2020.

Em torno de 73,7% (2,937 milhões) da população do Amazonas se consultou com um médico, nos últimos 12 meses anteriores à entrevista. As mulheres (80,1%) foram significativamente mais assíduas que os homens (67%), assim como as pessoas de etnia “branca” (78,6%), os maiores de 60 (81,9%) e aqueles com nível superior completo (84,8%). 

“Nota-se que a proporção de pessoas cresce à medida que a faixa de rendimento domiciliar per capita se torna mais elevada: de 67,4% (para aqueles sem rendimento ou que ganham até um quarto de salário mínimo) a 90,8% (os que têm renda superior a cinco salários mínimos), demonstrando uma relação direta entre a ocorrência de consulta médica e o nível de rendimento. Em Manaus, esse percentual foi de 73,1% a 90,2%, respectivamente”, estratificou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

A mesma PNS 2019 aponta que apenas 14,4% (574 mil) dos amazonenses procuraram atendimento de saúde nas duas últimas semanas anteriores à data da entrevista. O recorte, contudo, segue igual. A procura das mulheres (17,7%) foi maior do que a dos homens (11%). O mesmo pode ser dito de quem tinha 60 anos ou mais (23,5%), contava com ensino superior completo (21,2%) e era “branco” (17,1%). A proporção foi maior entre os que ganham cinco salários mínimos (24,4%), deixando para trás os que recebem até um quarto do mínimo (12,1%). Em Manaus, os percentuais foram de 16,6% e 24,0%, respectivamente. 

Entre os 574 mil amazonenses que buscaram atendimento de saúde, 85,5% (491 mil) foram atendidas e 72,5% afirmaram ter conseguido de primeira. O inverso se dá nesta situação, entre mulheres (72,4%) e homens (75,5%), assim como foram majoritários os “pardos” (74,6%) – grupo onde o IBGE inclui indígenas e mestiços – e quem tinha até o ensino fundamental incompleto (76,2%).

Medicamentos e internações

No grupo de pessoas que conseguiram ser atendidas – excluído o serviço de marcação de consulta –, 67,6% tiveram algum medicamento receitado, sendo que 81,1% conseguiram obter todos os medicamentos prescritos nesse último atendimento. Homens (86,4%) voltaram a superar as mulheres (84,2%) por uma pequena margem, mas o sucesso foi maior entre os pacientes “brancos” (83,4%) e com nível superior completo (81,7%). 

“O êxito em obter todos os medicamentos prescritos no último atendimento de saúde também mostra uma relação direta com o nível de rendimento domiciliar per capita: quase a totalidade das pessoas na faixa de mais de cinco salários mínimos (93,7%) conseguiu obter tais medicamentos, enquanto as situadas nas duas faixas iniciais de rendimento registraram os menores percentuais (84,7%)”, assinalou o IBGE-AM.

Em contrapartida, quando a referência de obtenção do medicamento é o serviço público, a proporção de pessoas que obtiveram pelo menos um medicamento receitado torna-se menor: 39,5% (128 mil pessoas). Os mais bem sucedidos na tentativa tinham até o fundamental incompleto (45,1%) e eram “pardos” (41,5%) – em detrimento dos pacientes com superior completo (22,1%) e “brancos” (24,1%). 

O SUS, no entanto, saiu-se melhor em outras frentes. Das pessoas que ficaram internadas em hospitais por 24 horas ou mais em 2019, 64,9% (8,9 milhões) realizaram esse atendimento por meio do SUS. A internação foi mais comum entre homens (79,5%), jovens com até 17 anos (87,7%), e “pardos” (83,2%). A taxa foi inversamente proporcional em nível de instrução, variando de 87,1% (até o fundamental incompleto) a 35% (superior completo). O IBGE constatou também “uma clara dependência das pessoas economicamente vulneráveis em relação ao SUS”: 94,7% das pessoas sem rendimento ou com renda de até um quarto de mínimo tiveram sua última internação pelo serviço público. 

Planos de Saúde

A mesma sondagem aponta ainda que a parcela de amazonenses com plano de saúde (medico ou odontológico) segue significativamente pequena, não passando de 648 mil pessoas, o equivalente a 16,3% da população. A maioria é de mulheres (347 mil e 53,5%) e está na faixa dos 40 a 59 anos (182 mil) – em detrimento dos homens (301 mil) e dos idosos com mais de 60 anos (75 mil). A maior parte desse contingente tinha ocupação remunerada (338 mil), superando de longe os que estavam fora da força de trabalho (171 mil) e os que não tinham ocupação (15 mil).

“O acesso à planos de saúde vem confirmar outras pesquisas que mostram as mulheres com as que mais se preocupam com a saúde. Num outro aspecto, vemos as pessoas de meia idade e os idosos chegando a quase 40% dos associados, o que demonstra a preocupação dessas pessoas de enfrentarem a saúde pública numa emergência ou necessidade clínica. No entanto, essa alta adesão de idosos e meia idade, decorre de vários fatores, principalmente o alto custo dos convênios. O que, possivelmente, é o maior responsável pela baixa adesão aos planos de saúde no Estado”, concluiu o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

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