4 de dezembro de 2021

Importações tem nova queda em agosto no Amazonas

Os impactos da pandemia brecaram a corrente de comércio exterior do Amazonas pelo quinto mês seguido, em agosto. Diferente do ocorrido em julho, as exportações tombaram com força em todas as comparações, embora o posicionamento dos manufaturados do PIM tenha se mantido em alta no ranking. Majoritárias, as importações sofreram sua quinta queda consecutiva, puxando o desempenho global para baixo. É o que se conclui, a partir dos dados do governo federal disponibilizados no portal Comex Stat.

Em agosto, as vendas externas do Amazonas totalizaram US$ 52.72 milhões e foram 26,85% piores do que as de julho (US$ 72.07 milhões), além de terem ficado 18,06% abaixo do registro de exatos 12 meses atrás (US$ 64.34 milhões). O Estado ainda conseguiu sustentar uma alta de decrescente de 2,50% no acumulado dos oito meses iniciais do ano (US$ 461.60 milhões), frente ao patamar do mesmo período de 2019 (US$ 450.35 milhões).

A contabilidade das compras do Estado no estrangeiro foi de US$ 828.30 milhões em agosto de 2020, correspondendo a um acréscimo de 11,34% frente a julho do mesmo ano (US$ 743.94 milhões). O comparativo com o mesmo mês do exercício anterior (US$ 862.12 milhões), por outro lado, foi novamente na direção inversa e apontou para piora de 3,92%. Os valores também se mantiveram no vermelho no aglutinado até agosto, ao passar de US$ 6.93 bilhões (2019) para US$ 6.21 bilhões (2020), uma diferença de 10,39%. 

Partes e peças

As importações do Estado foram encabeçadas por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 148.25 milhões), partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 137.47 milhões), celulares (US$ 84.95 milhões), platina em formas brutas ou semifaturadas (US$ 55.71 milhões) e óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (US$ 40.29 milhões). Apenas os celulares sofreram recuo em relação a 12 meses atrás. 

A China (US$ 351.18 milhões) voltou a encabeçar a lista de países fornecedores para o Amazonas, no mês passado, com aumento de 2,01% frente agosto de 2019 (US$ 344.27 milhões). Na sequência, vieram Vietnã (US$ 80.79 milhões), Estados Unidos (US$ 76.62 milhões), Coreia do Sul (US$ 72.29 milhões), e Taiwan (US$ 51.37 milhões) – com baixas para o segundo e quarto e altas para o terceiro e quinto.

“A pandemia começou atrasando a chegada de insumos do PIM e, quando o fluxo normalizou, boa parte das fábricas estava parada e com férias coletivas. Com isso, a indústria acabou ficando com estoque alto de componentes. Quando a atividade voltou, veio mais lenta, porque o comércio dos outros Estados demorou a abrir, ou teve de voltar a fechar. Acredito que as coisas comecem a normalizar neste mês, porque o Distrito tende a acelerar a produção para atender a demanda de fim de ano”, ponderou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima. 

Motos e concentrados 

Pela primeira em pelo menos dois anos, motocicletas (US$ 9.24 milhões) ultrapassaram as preparações alimentícias/concentrados (US$ 5.33 milhões) na lista de exportações do Estado, dada a inversão de desempenho de ambos em relação a 12 meses atrás (US$ 7.41 milhões e US$ 23.87 milhões, respectivamente). Açúcares de cana ou de beterraba (US$ 3.78 milhões), ferro-ligas (US$ 3.44 milhões) e óleo de soja (US$ 3.42 milhões) vieram logo em seguida – com retração apenas para o segundo.

A Venezuela (US$ 15.16 milhões) repetiu a liderança na lista de destinos das vendas externas amazonenses, com incremento de 182,83% sobre agosto de 2019 (R$ 5.36 milhões). Embora tenha sofrido decréscimo, a Argentina (US$ 5.34 milhões) recuperou a segunda posição. Colômbia (US$ 5.21 milhões), China (US$ 4.80 milhões) e Estados Unidos (US$ 4.26 milhões), vieram na sequência, sendo que apenas o país asiático obteve um número maior do que o de 2019. 

Estoque e retomada

O gerente executivo do CIN-AM disse que, se julho superou as expectativas de exportações em termos de crescimento, o mesmo não pode ser dito de agosto. Para o dirigente, os números apresentaram uma queda inesperada e inexplicável, dado que a tendência para o segundo semestre seria de retomada para as vendas externas, em face da sazonalidade do período e mesmo da melhora nas estatísticas de covid-19 no globo, no mês passado.

“Não sei apontar uma causa pontual para isso, mas acredito que, assim como nas importações, os números das exportações de setembro já devem ser melhores. Nos meses de crise, a média de emissão de certificados de origem foi reduzida para uma faixa de 50 a 100 certificados por mês. Estamos tendo uma quantidade maior e podemos chegar aos 200, neste mês. Acredito que a tendência é essa de”, amenizou. 

De acordo com Marcelo Lima, a ultrapassagem das motocicletas no ranking das exportações amazonenses se deve tanto ao bom desempenho das vendas de veículos de duas rodas ‘made in ZFM’, quanto à queda expressiva nas vendas dos concentrados. No entendimento do especialista, pode ter ocorrido um caso de demanda reprimida pela pandemia no primeiro caso, e represamento das compras pelo mesmo motivo, no segundo.

“A Venezuela compra tão somente produtos alimentícios e de higiene e saúde, em decorrência da carência deles. E nenhum deles é produzido na Zona Franca. Boa parte das nossas motocicletas foi para a Argentina, que vem sofrendo instabilidade nas compras, em virtude da crise. No caso dos concentrados, o cliente preferencial costuma ser a Colômbia, que estava aumentando suas aquisições por aqui. Vemos uma tendência de recuperação para os dois produtos, já neste mês. A tendência é essa, desde que as eleições americanas ou algum outro fator não afete o mercado exterior”, finalizou.  

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