Pesquisa do IBGE mostra esvaziamento da pandemia no Amazonas

De maio para julho, caiu de 8,8% para 1,4% o percentual de amazonenses que sentiram sintomas conjugados, que poderiam estar associados à covid-19. Mas, 12,7% dos domicílios com idosos ainda tinham ao menos uma pessoa com sintomas conjugados. Apenas 7% da população (283 mil), por outro lado, já havia realizado testes para diagnóstico da doença, situando o Amazonas no décimo lugar do ranking nacional, empatado com o Espírito Santo.

Pelo menos 50 mil procuraram atendimento médico, mas a demanda seguiu reprimida pelo fato de 88,1% não dispor de nenhum plano de saúde. Em paralelo, em 5,9% dos domicílios do Amazonas, pelo menos um morador buscou empréstimo para enfrentar a pandemia. Em 36 mil (3,7%) a tentativa foi bem sucedida. A maior parte dos financiamentos veio de bancos ou financeiras (28 mil e 78,7%), mas parentes, amigos, ou mesmo patrões e empregadores também foram chamados para o esforço (7.000 e 18,7%). Os dados estão na Pnad Covid-19, divulgada pelo IBGE, nesta quinta (20).

Em julho, 206 mil dos habitantes do Amazonas (5,1%) apresentaram algum dos sintomas pesquisados de síndromes gripais. Em junho, 342 mil (8,5%) pessoas haviam sentido algum dos sintomas, e, em maio, 764 mil (18,9%). No mesmo mês, 55 mil pessoas (1,4%) apresentaram sintomas conjugados de síndrome gripal que podiam estar associados à doença, como perda de olfato/paladar, febre, tosse, dificuldade ou dor no peito. Houve queda considerável em relação a junho (148 mil e 3,7%) e maio (356 mil e 8,8%).

Ao contrário dos meses anteriores, a região Norte foi a que apresentou o menor percentual de pessoas com algum sintoma gripal (5,7%), mas ainda apresentou o maior percentual de pessoas com algum dos sintomas conjugados (1,5%), mesmo percentual do Centro-Oeste. Os Estados do Norte do país registram retração nos sintomas conjugados desde maio (7,8%), passando por junho (3,1%) e culminando em julho (1,5%).

Quanto as medidas tomadas para restrição de contato em meio à pandemia, 124 mil amazonenses (3,1%) declararam não ter feito isso, 1.486 milhão (36,7%) reduziram o contato, mas continuaram saindo de casa e/ou recebendo visitas, 1.664 milhão (41,1%) ficaram em casa e só saindo por necessidade básica, e 746 mil (18,4%) permaneceram rigorosamente isolados. Os homens lideraram entre àqueles que não fizeram qualquer restrição de contato (54%) contra 46% das mulheres.

Comorbidades e testes

A pesquisa também constatou que 445 mil pessoas (11%) no Amazonas tinham alguma comorbidade que pode agravar o quadro clínico de um paciente com a covid-19. Dentre esses, 199 mil eram homens, e 245 mil, mulheres. Hipertensão foi o registro mais frequente (6,6%). As outras foram diabetes (2,8%), asma, bronquite ou enfisema (2,7%), doenças do coração (1%); depressão (0,7%); e câncer (0,3%). O percentual de amazonenses com alguma dessas doenças que testou positivo foi de 4,4% (19 mil), até julho.

Em termos de testagem, o Amazonas ocupa a décima posição no ranking nacional. Em torno de 139 mil pessoas (3,4%) realizaram o teste através de furo no dedo, 106 mil (2,6%) por exame de sangue, e 72 mil (1,8%) pela coleta da saliva. Os testes foram realizados por homens e mulheres na mesma proporção (6,9% e 7,1%, respectivamente), mas, principalmente, por pessoas de 30 a 59 anos de idade (10,8%). 

Quanto maior o nível de escolaridade e renda, maior foi o percentual de pessoas que buscou fazer algum teste. Pessoas sem instrução ou limitadas ao ensino fundamental representaram 4,1% desse público, enquanto os amazonenses com ensino superior ou pós-graduação, representaram 16,5% do total. A fatia com renda de meio salário mínimo representou 4,2%, ao passo que a parcela que ganha quatro mínimos ou mais chegou a 18,2%.

“Embora o teste seja restrito a pessoas assintomáticos e aos que podem pagar, o percentual no Estado foi alto. O número dos que tinham alguma comorbidade, chega a quase um quarto da população, mas os sintomas gripais diminuíram sensivelmente, assim como os sintomas conjugados. O número dos que não fizeram qualquer restrição foi baixo, mas aqueles que reduziram o contato e continuaram saindo de casa foi bem alto. Talvez tenha aumentado o grau confiança da população”, concluiu o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

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