Prévia do PIB mostra baque econômico no Amazonas

A prévia do PIB colocou o Amazonas em uma situação abaixo da média nacional em praticamente todas as comparações, em junho, segundo números do Banco Central. O Estado retrocedeu 7,21% no primeiro semestre, sob a crise da covid-19. Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, o tombo chegou a 13,36% e só perdeu para a queda livre em relação ao acumulado de abril a junho de 2019 (-14%). O Brasil performou -6,28%, -10,94% e -12,03%, nos respectivos períodos.

Marcado pela reabertura das lojas de comércio e serviços, assim como pelo retorno das atividades do PIM, junho até registrou alta de 14,69% para o Estado em relação a maio, superando de longe o desempenho brasileiro (+4,89%). O incremento foi insuficiente para amortizar a queda acumulada, mas o confronto com o mesmo mês de 2019 ainda apontou para um desempenho (3,83%) menos negativo do que a média brasileira (7,05%). Os dados são do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central).

O indicador é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda a autoridade monetária a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros. A metodologia de cálculo é diferente da empregada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), responsável pela divulgação oficial do PIB brasileiro – que está marcada para 1º de setembro. 

Embora incorpore dados sobre os setores da indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos, a divulgação do BC não informa o desempenho de cada um. Uma análise dos números das mais recentes pesquisas mensais do IBGE – que superou a média nacional em todos os casos – pode dar uma ideia da trajetória das atividades econômicas do Amazonas e de sua possível contribuição para os resultados do IBC-Br.

Setores e arrecadação

Depois de avançar 17,3% em maio, quando a maior parte de seu parque fabril ainda estava parado e com férias coletivas, a atividade industrial amazonense acelerou os motores de suas linhas de produção e subiu mais 65,7% na variação mensal de junho de 2020. Não foi o bastante, no entanto, para evitar que o resultado ficasse 10,4% abaixo do registro do mesmo mês de 2019. O Amazonas também não conseguiu tirar os acumulados da manufatura do vermelho – nem o do ano (-19,6%), nem o de 12 meses (-5,4%).

O comércio varejista amazonense também emendou seu segundo mês de alta em junho, ao crescer 35,5% sobre maio. Foi um número bem melhor do o anterior (+13,2%), quando o setor ainda dependia largamente do delivery e do drive-thru para sobreviver. Em relação ao mesmo mês de 2019, já houve expansão de 12,1% – contra os 12,4% de queda anteriores. Não foi suficiente para tirar o acumulado da zona negativa (-0,7%), embora o mesmo não tenha se dado no aglutinado de 12 meses (+6%). 

Com performance mais modesta, o setor de serviços aumentou seu volume em 8,3% frente a maio de 2020, em um resultado igualmente melhor do que no levantamento anterior (+3,4%). No confronto com junho de 2019, entretanto, a trajetória se manteve descendente (-1,8%). O acumulado do ano também não conseguiu sair da marca abaixo de zero (-2,1%), ao passo que o aglutinado de 12 meses fechou no azul (+1,2%). 

Dados da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), por sua vez, apontam que junho foi o mês em que a arrecadação começou a reagir, após três tombos mensais seguidos. A soma de impostos, taxas e contribuições totalizou R$ 913,53 milhões nominais e foi 23,12% maior do que a de maio (R$ 741,96 milhões), além de ter ficado 7,65% acima da marca registrada 12 meses antes (R$ 848,62 milhões). No semestre, o recolhimento acumulou R$ 5,47 bilhões (2020) contra R$ 5,24 bilhões (2019), uma diferença de 4,34%. 

Sensível às oscilações

O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Assis Mourão Junior, se disse surpreso diante dos números, mas avalia que ainda é possível ao Estado encerrar o ano com um decréscimo não superior à faixa que vai dos 4% aos 6%. “Com a reabertura, a tendência é que os números já sejam melhores em agosto e, possivelmente, em setembro. Ainda há incertezas e só poderemos ter uma ideia se a trajetória pode se manter até dezembro quando saírem os dados do terceiro trimestre”, avaliou.

O economista voltou a atribuir à ZFM (Zona Franca de Manaus) as diferenças de performance do Amazonas em relação à média nacional no IBC-BR, tanto no pico da crise, quanto no ensaio de retomada de junho. O presidente do Corecon-AM assinala, contudo, que essa maior sensibilidade local às oscilações nacionais, pelo excessivo peso da indústria incentivada em seus resultados, não é um bom negocio para o Estado. 

“É a nossa principal atividade e todas as demais dependem dela. Sem poder vender para o Centro-Sul e com estoques elevados, o PIM teve de parar. E isso é uma cadeia. Mesmo que comércio e serviços tivessem continuado, a situação não seria muito diferente, porque a renda da população estaria comprometida. No limite, os números desse período podem antecipar um possível cenário para o Amazonas, caso a Reforma Tributária comprometa vantagens da ZFM e leve à saída de empresas de Manaus”, encerrou. 

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