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Pauta de R$ 1,65 bilhão no Codam da Suframa

O Codam avalia, nesta quinta (29), uma pauta de 32 projetos, que preveem o aporte de R$ 1,65 bilhão em capital produtivo e a geração de 748 empregos no PIM, em até três anos. Outros 246 postos de trabalho serão remanejados na própria indústria. A pauta da 306ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas inclui propostas de implantação de novos negócios (10), além de diversificação (18) e atualização (4) de linhas no Polo Industrial de Manaus já operantes. Os dados são da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação).

A primeira reunião do Codam programada para este ano conta com números menos proposituras e maior volume de investimentos, em relação à pauta da edição anterior. Em dezembro, o colegiado havia apreciado 56 propostas, que previam aportes globais de R$ 1,36 bilhão e uma oferta de 2.138 novas vagas. O mesmo se dá na comparação com o saldo do encontro de 12 meses. Na época, os conselheiros apreciaram 33 proposições, que renderam a perspectiva de injeção de R$ 1,08 bilhão e abertura de 1.201 novos postos de trabalho. 

Responsável pela arbitragem do incentivo estadual do modelo ZFM, o Codam define estratégias e aprova projetos alinhados com as diretrizes de desenvolvimento do Estado. A primeira reunião de 2024 ocorre após o Conselho ter fechado 2023 com 257 projetos industriais referendados por seu colegiado, sendo esse o maior número dos últimos dez anos. As propostas totalizam R$ 5,2 bilhões em investimentos, com previsão de acréscimo de 8,200 vagas no Parque Industrial de Manaus, entre diretas e indiretas. 

O encontro, que também costuma ser um fórum de discussões da indústria incentivada, acontece em meio a uma quadra ainda incerta para o PIM, em meio às expectativas de votação dos destaques da reforma tributária. Há apreensão, por outro lado, em torno das perspectivas de uma nova vazante tão severa quanto a do ano passado. Lideranças ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio, no entanto, mantêm o otimismo e garantem que os números da reunião confirmam que o investidor continua apostando na Zona Franca de Manaus.

Duas rodas em destaque

Como de hábito, a pauta de produtos previstos nas propostas submetidas ao crivo dos conselheiros é extensa e variada. Ela inclui produtos de limpeza, produtos de metal, embarcações, embalagens, eletroeletrônicos, bens de informática, compostos termoplásticos, móveis, alimentos beneficiados, e motocicletas, entre outros.

O maior volume de investimentos vem da Yamaha Motor da Amazônia Ltda, que está dispendendo R$ 1 bilhão (60,61% da pauta). Trata-se de um projeto de atualização voltado para três produtos: motonetas acima de 100 até 450 cilindradas; motocicleta acima de 100 até 450 cilindradas; e motocicletas acima de 450 cilindradas. A previsão de mão de obra empregada nas linhas de produção da multinacional japonesa é de 133 trabalhadores, nos próximos três anos –110 deles, de forma direta.

Um dos destaques dos projetos de diversificação vem da Cal-Comp Indústria e Comércio de Eletrônicos e Informática Ltda, que quer fabricar também telefones celulares. Para isso, pretende aplicar R$ 332,06 milhões e contratar 109 novos colaboradores (entre mão de obra direta e indireta). A Visteon Amazonas Ltda também propõe diversificar sua produção, com a introdução da manufatura de painéis de instrumentos para veículos automotores, na qual deve empregar cerca de R$ 85,60 milhões e oferecer 44 vagas. Já a Belmicro Industrial Ltda separou R$ 25 milhões para produzir fornos de micro-ondas, empregando 58 pessoas.

Fortalecendo a lista de proposituras de implantação para o Polo Industrial de Manaus, estão duas novas empresas que se somam às demais do polo de duas rodas: WMoto América Indústria e Comércio de Motocicletas Ltda (motonetas elétricas); e W M Corporation Ltda (motocicletas de 100 a 450 cilindradas). As duas são de capital nacional e, juntas, estão anunciando projetos que somam R$ 17 milhões em aportes de capital e que devem abrir 71 novos postos de trabalho no Distrito, nos próximos três anos.

“Cenário de estabilidade”

O presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, considera que os números da reunião do Codam de hoje desenham um “cenário de estabilidade” para a indústria incentivada, denotando a segurança do modelo Zona Franca de Manaus perante o mercado. “Trata-se de um preciso reflexo do atual panorama econômico nacional, que não apresenta relevantes oscilações. Embora a manutenção do atual patamar seja extremamente alvissareiro, é importante que sopesemos também o obsedante cenário de relativa estagnação da economia nacional”, ponderou.

No entendimento do dirigente, um dos principais pontos positivos da pauta é a quantidade de propostas de novos negócios submetidos ao crivo dos conselheiros. “Destaco especialmente o relevante número de projetos de implantação. Considero este um termômetro importante do nível de maturidade e competitividade do Polo Industrial de Manaus. Não obstante as vicissitudes econômicas, vislumbro perspectiva positiva para o nosso modelo”, ressaltou.

Na mesma linha, o presidente da Aficam, Roberto Moreno, aponta que o primeiro encontro do Codam em 2024 traz um valor de investimentos “muito expressivo”. “Isso é o que nos leva a ratificar o entendimento que o Polo mantém sua importância e crescimento. Os projetos de implantação são de ramos diversificados, o que demonstra a confiança e interesse dos empresários. Mas, acredito que vale destacar os projetos de diversificação, pois representam a ampliação das atividades e investimentos já consolidados no PIM. É muito bom para o Amazonas e para o Brasil”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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