Paradisíaca, Silves teme a chegada da exploração de petróleo e gás

O município de Silves reúne belezas amazônicas principalmente em sua abundância de águas, nos lagos, rios e igarapés. A ilha, onde fica a sede do município, é a base da qual se pode partir e desfrutar daquela imensa área turística que, desde 2020, passou a ser ameaçada pelo progresso.

Naquele ano, começou a se instalar na região entre Itapiranga e Silves a empresa Eneva, de exploração e produção de petróleo e gás natural e comercialização de energia elétrica.

“Na excelente área de pesca do rio Sanabani, a Eneva instalou dois poços de petróleo, e nas margens do rio Itapani, também ótimo para pesca, já são três poços. Não tem como conciliar exploração de petróleo e gás com turismo ecológico, que é o que temos a oferecer aqui em Silves. O único local, igualmente repleto de espécies de peixes, ainda sem exploração pela Eneva, mas onde eles já estão realizando prospecção, é o igarapé do Puruzinho, próximo ao lago Canaçari”, lamentou Vicente Neves, secretário executivo da Aspac (Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultura).

A paz e a tranquilidade, dois dos principais itens desejados por quem gosta de praticar o turismo ecológico, ainda podem desaparecer na região. A empresa de petróleo e gás já avisou que nos próximos meses chegarão milhares de funcionários para trabalhar nas áreas de exploração entre Itapiranga e Silves.

“Inicialmente chegarão 1.500 funcionários, depois continuarão vindo outros até completar cerca de 5.000 trabalhadores”, disse a Eneva. Por meses eles trabalharão na instalação dos poços, e depois devem ir embora, mas a natureza do lugar, com certeza, não será mais a mesma”, falou Vicente.

Esperando turistas

A ilha de Silves é cercada pelos lagos Saracá e Canaçari. O primeiro, banha Silves pela frente; o segundo, por trás, formando um lago que dá acesso aos rios Urubu, Sanabani, Itapani, Anebá, Tatuacá, Taiaçú e Amazonas.

“Temos uma estrutura básica para receber turistas. A cidade possui seis pousadas e cerca de 150 leitos. A infraestrutura hospitalar é de média complexidade. Aproximadamente 150 lanchas de moradores estão aptas a realizar passeios pela região que, felizmente, continua preservada”, informou.

“Há algum tempo estamos praticamente sem receber turistas, principalmente de Manaus e há um motivo para isso. Temos um potencial muito grande para o turismo ecológico, de aventura, de pesca, e comunitário, mas desde a inauguração da ponte Rio Negro, em 2011, ficou mais fácil ir a municípios como Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, que passaram a investir no turismo. Uma viagem a Silves, de carro, demora cerca de seis horas, enquanto a Novo Airão, o mais distante depois da ponte dura bem menos de três horas”, explicou.

Em agosto do ano passado, Rogério Bessa, chefe do Núcleo de Pesca da Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) esteve em Silves, conversando com Vicente sobre a possibilidade de se praticar a pesca esportiva no município.

“Indiquei para ele os rios Itapani e Sanabani (com tucunarés o ano inteiro) e Tatuacá (com várias espécies), mas ele não voltou mais e a conversa não foi adiante”, disse.

Apesar das dificuldades para atrair turistas para aquela região, Vicente lembrou que sempre aparecem grupos de visitantes e interessados podem entrar em contato com ele para receber indicações de pousadas, onde comer, guias, e locais para visitar.

Pesca de piranha

“Queremos transformar Silves num polo de pesca da piranha. Seremos um diferencial de quem explora a pesca esportiva do tucunaré. Nos nossos lagos, rios e igarapés temos cinco variedades de piranhas: a preta, a branca, a caju (de peito vermelho), a mangarataia (de peito amarelo), e a queixuda. Além do famoso caldo de piranha, elas também podem ser fritas, assadas, cozidas, empanadas, e servidas na sopa”, listou.

O ápice da pesca na região é entre agosto e novembro, na vazante, quando há fartura de apapás, traíras, surubins, entre outros, enquanto os tucunarés permanecem o ano inteiro.

“Além da pesca, o visitante pode passear pelos vários rios e igarapés e também conhecer o turismo comunitário. Temos, hoje, seis comunidades onde esse tipo de turismo é praticado: São José da Enseada, entre Silves e Itapiranga; Cristo Rei, no Anebá; Santa Maria do Rio Amazonas; Santa Fé do Canaçari; São José do Pampolha; e São Sebastião do Itapanim”, revelou.

Nessas comunidades o visitante é levado pelos moradores para uma pesca noturna, depois a um piquenique numa praia iluminada por tochas onde comerão assado o peixe que pescaram. De dia, conhecem como se faz farinha.

“Daqui da ilha o turista pode seguir para os rios Urubu, Sanabani, Itapani, Anebá, Tatuacá, Taiaçu, e Amazonas. No Amazonas irão visitar comunidades que produzem cacau e comer chocolate puríssimo. Ou seja, o que não falta aqui são opções para que o turista se divirta, tenha lazer e aprenda com os moradores da floresta”, finalizou.

Quem desejar saber mais sobre Silves pode ligar para: 9 9447-2617.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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